A McLaren prepara novas atualizações para os GPs do Brasil e de Las Vegas na tentativa de recuperar competitividade na temporada 2026 da Fórmula 1. Depois de perder terreno para as principais concorrentes, a equipe britânica busca voltar à disputa por pódios e, posteriormente, reunir condições para lutar por vitórias.
O chefe da equipe, Andrea Stella, confirmou que poucas novidades estarão disponíveis para o GP da Cidade do México, mas adiantou que os próximos compromissos do calendário contarão com novos componentes para o carro.
Atual campeã, a McLaren chegou a demonstrar sinais de recuperação após um início de temporada complicado. Uma grande atualização introduzida no GP da Hungria ajudou Lando Norris a conquistar vitórias consecutivas em Budapeste e Zandvoort. Desde então, porém, a equipe voltou a perder espaço, enquanto Red Bull, Mercedes e Ferrari conseguiram avançar no desenvolvimento de seus carros. O resultado dessa queda foi a descida para a quarta posição no Mundial de Construtores, cenário que aumenta a pressão por uma reação nas etapas finais do campeonato.
Stella aposta em novidades para recuperar competitividade
Stella explicou que a equipe ainda trabalha em melhorias para o MCL40, mas que o cronograma de desenvolvimento limita a quantidade de novidades disponíveis para cada etapa.
O GP da Cidade do México terá poucas atualizações, enquanto Brasil e Las Vegas devem receber novos componentes. A expectativa é que essas mudanças ajudem a McLaren a recuperar parte do desempenho perdido para as adversárias. “Teremos mais novidades chegando. No fim das contas, só conseguiremos introduzi-las entre o Brasil e Las Vegas. Portanto, não haverá muita coisa no México, mas teremos algumas atualizações no Brasil e em Las Vegas”, afirmou o dirigente.
O objetivo é fazer com que a equipe volte a disputar posições no pódio de maneira consistente, em vez de depender de circunstâncias específicas para conseguir bons resultados. “Esperamos que isso nos ajude a estar regularmente na briga pelos pódios e, quem sabe, a começar a alcançar o nível de competitividade necessário para lutar por vitórias”, acrescentou Stella.
A declaração mostra que a McLaren não considera suficiente recuperar apenas parte do terreno perdido. A equipe pretende voltar a competir em condições mais favoráveis contra os rivais, embora reconheça que as atualizações precisarão entregar ganhos concretos para mudar o cenário atual.
Piastri reconhece avanço dos rivais e cobra evolução
Oscar Piastri também avaliou a situação da McLaren e reconheceu que as atualizações recentes da equipe estão funcionando conforme o esperado. O problema, segundo o australiano, é que as concorrentes vêm conseguindo acrescentar desempenho aos próprios carros em um ritmo superior.
Piastri não sobe ao pódio desde o GP de Miami, em maio, e enfrenta uma sequência de resultados abaixo das expectativas. Para o piloto, a McLaren precisa continuar trabalhando, mas também resolver limitações que dificultam a condução do carro. “Não acho que estejamos particularmente fortes no momento. Tivemos algumas atualizações neste fim de semana, e elas estão funcionando como esperávamos, mas claramente as equipes ao nosso redor estão acrescentando desempenho aos carros”, afirmou.
O australiano destacou a evolução da Mercedes e a velocidade demonstrada pela Red Bull, além das melhorias introduzidas pela Ferrari. “Precisamos continuar pressionando. Mas nenhuma dessas atualizações está realmente tornando o carro mais fácil de pilotar, e esse é provavelmente nosso maior problema”, explicou.
A dificuldade vai além de simplesmente encontrar mais velocidade. A McLaren também precisa desenvolver um carro que permita aos pilotos extrair melhor seu potencial em diferentes tipos de curva, sem comprometer a previsibilidade e a confiança ao volante.
Norris aponta problema persistente nas curvas lentas
Lando Norris concordou que a McLaren ocupa atualmente a quarta posição em termos de desempenho entre as principais equipes. O britânico identificou as curvas de baixa velocidade como uma das maiores fraquezas do MCL40, um problema que, segundo ele, acompanha a equipe há várias temporadas.
Apesar das mudanças profundas no regulamento técnico para 2026, a dificuldade continua presente. Para Norris, as atualizações ainda não estão produzindo ganhos suficientes nas áreas em que o carro mais precisa evoluir. “Você espera instalar uma atualização e que ela seja quase mágica, fazendo o carro ficar muito mais rápido e colocando você na disputa por um pódio. Mas a Ferrari trouxe novidades, e as outras equipes também continuam atualizando seus carros”, comentou.
O piloto ressaltou que as rivais estão conseguindo transformar seus desenvolvimentos em ganhos de desempenho, enquanto a McLaren ainda não encontrou soluções adequadas para todas as suas limitações. “Estamos simplesmente muito longe do nível necessário nas curvas lentas. Precisamos de muito mais aderência traseira nessas condições. Esse é um problema que temos há bastante tempo e parece muito difícil de resolver, mas continuaremos trabalhando”, acrescentou.
A falta de aderência na traseira compromete a capacidade de acelerar na saída das curvas mais fechadas. Isso pode custar tempo ao longo de uma volta e dificultar as disputas por posição, especialmente em circuitos nos quais as curvas lentas têm influência significativa sobre o tempo de volta.
Por que a falta de aderência traseira é tão difícil de corrigir?
A dificuldade identificada por Norris tem relação com o equilíbrio entre aderência mecânica e estabilidade aerodinâmica. Em velocidades baixas, o carro produz menos pressão aerodinâmica, o que torna a suspensão e o comportamento dos pneus ainda mais importantes para garantir tração.
Alterações na suspensão traseira, como molas e amortecedores mais macios, ou ajustes no diferencial, podem ajudar o carro a transferir peso e colocar potência no chão durante a saída das curvas.
Entretanto, essas soluções podem gerar efeitos negativos em outras situações. Um carro ajustado para melhorar a tração em baixa velocidade pode ficar instável ou imprevisível nas curvas rápidas, nas quais uma plataforma aerodinâmica consistente é fundamental.
O regulamento técnico de 2026 acrescenta outra dificuldade. Com a potência dividida aproximadamente em partes iguais entre o motor de combustão e o sistema elétrico, o gerenciamento de energia ganhou importância adicional. A retirada do MGU-H também alterou a maneira como a energia é recuperada, que depende agora da frenagem pelas rodas traseiras.
Nesse cenário, entregar potência de forma progressiva na saída das curvas lentas se torna um desafio ainda maior, especialmente quando os pneus traseiros já trabalham com níveis limitados de aderência. O fato de a dificuldade persistir mesmo após a mudança completa do regulamento sugere que a origem do problema pode estar no próprio conceito de projeto da McLaren, e não apenas nas características de uma geração específica de carros.
Brasil e Las Vegas podem ser decisivos para a reação
A McLaren terá nas próximas etapas uma oportunidade importante para avaliar se as atualizações planejadas conseguem reduzir a diferença para Mercedes, Red Bull e Ferrari. O desafio será encontrar ganhos que não apenas aumentem a velocidade do MCL40, mas também melhorem seu comportamento nas condições em que Norris e Piastri mais sofrem.
A equipe já demonstrou capacidade de reagir nesta temporada, como ficou evidente após as vitórias consecutivas de Norris na Hungria e em Zandvoort. Agora, porém, precisa enfrentar adversárias que também continuam desenvolvendo seus carros e ampliando o próprio potencial.
Stella mantém a expectativa de que as novidades ajudem a recolocar a McLaren na disputa por pódios regulares. Para transformar essa meta em realidade, será fundamental solucionar a falta de aderência traseira nas curvas lentas, um problema que os pilotos consideram persistente e difícil de corrigir.
Os GPs do Brasil e de Las Vegas, portanto, representarão mais do que novas oportunidades de pontuar. As duas etapas poderão indicar se a McLaren encontrou o caminho para recuperar competitividade ou se continuará atrás das principais rivais na reta final da temporada 2026.
Foto: (Reprodução/XPBImages)



