A França está novamente entre as quatro melhores seleções de uma Copa do Mundo. Depois de vencer Marrocos por 2 a 0 nas quartas de final, a equipe comandada por Didier Deschamps chegou à semifinal com uma campanha perfeita e aumentou um debate que ganha força a cada partida: esta pode ser a melhor seleção francesa da história?
A comparação é difícil. A França foi campeã mundial em 1998 e 2018, além de ter conquistado duas vezes a Eurocopa. A atual geração ainda precisa levantar o troféu para entrar definitivamente nessa discussão, mas os números apresentados na Copa de 2026 mostram uma equipe com características especiais.
Com o melhor ataque do torneio, uma defesa que sofreu apenas dois gols e um elenco repleto de opções, a França está a duas vitórias de conquistar seu terceiro título mundial.
Mbappé e Dembélé comandam o melhor ataque da Copa

A vitória sobre Marrocos foi mais uma demonstração da força francesa.
A França teve 22 finalizações durante a partida, enquanto os marroquinos conseguiram apenas cinco. O domínio foi ainda mais evidente quando analisadas as chances que realmente levaram perigo. Marrocos acertou sua primeira e única finalização no gol somente aos 83 minutos.
Depois de um primeiro tempo sem gols, a classificação francesa foi construída em um intervalo de apenas seis minutos.
Kylian Mbappé abriu o placar depois de ter desperdiçado um pênalti na primeira etapa. Pouco tempo depois, Ousmane Dembélé marcou o segundo e confirmou a vaga na semifinal.
Os dois jogadores são os principais símbolos de um ataque que chegou a 16 gols na competição.
Mbappé marcou oito vezes e igualou Lionel Messi na liderança da artilharia. O francês, no entanto, aparece à frente na disputa pela Chuteira de Ouro por ter mais assistências.
Dembélé também vive uma grande Copa. O atual vencedor da Bola de Ouro já marcou cinco gols.
A dupla alcançou um feito raro.
A França se tornou apenas a segunda seleção nos últimos 50 anos a ter dois jogadores com pelo menos cinco gols em uma mesma edição da Copa do Mundo. A outra foi o Brasil de 2002, campeão com Ronaldo marcando oito vezes e Rivaldo fazendo cinco.
A comparação mostra o tamanho da produção ofensiva francesa.
Somados, Mbappé e Dembélé já marcaram 13 dos 16 gols da seleção, uma participação de 81,25% no total da equipe.
A força francesa vai muito além de seus dois principais jogadores

Mbappé e Dembélé são os maiores destaques, mas o que torna a França tão difícil de enfrentar é a quantidade de alternativas disponíveis.
Deschamps também pode utilizar Michael Olise, do Bayern de Munique, Bradley Barcola e Désiré Doué, do PSG, Rayan Cherki, do Manchester City, e Jean Philippe Mateta, do Crystal Palace.
Poucas seleções possuem tantas opções ofensivas de alto nível.
Essa profundidade permite que a França mude as características do ataque durante as partidas sem perder qualidade. A equipe pode explorar velocidade, drible, movimentação por dentro e presença física na área.
O ex atacante Ian Wright classificou a França como uma das favoritas mais claras ao título que já viu em uma Copa do Mundo. Depois da vitória sobre Marrocos, ele destacou a dificuldade de encontrar uma fraqueza evidente na equipe.
Patrick Vieira, campeão mundial em 1998, também acredita que a atual geração está perto de alcançar um nível histórico.
Para o ex meio campista, a quantidade de jogadores ofensivos de qualidade coloca este grupo entre os melhores já formados pela França.
O desempenho defensivo aumenta ainda mais a sensação de superioridade.
Em seis partidas, a França sofreu apenas dois gols.
Um deles aconteceu nos minutos finais da vitória por 3 a 1 sobre Senegal. O outro foi sofrido no triunfo por 4 a 1 contra a Noruega, que poupou grande parte de seus titulares porque já estava classificada.
A equipe, portanto, marca em grande quantidade e oferece poucas oportunidades aos adversários.
Deschamps pode encerrar seu trabalho com a terceira final consecutiva

A campanha de 2026 também pode representar o encerramento perfeito de uma longa era.
Didier Deschamps comanda a seleção desde 2012 e já confirmou que deixará o cargo depois da Copa do Mundo.
Em 14 anos, construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história do futebol de seleções.
A França conquistou a Copa de 2018 e chegou novamente à final em 2022, quando perdeu para a Argentina. A equipe também foi vice campeã da Eurocopa de 2016 e chegou às semifinais da Euro 2024.
Agora, Deschamps pode levar o país à terceira final consecutiva de Copa.
Para isso, a França terá de enfrentar Espanha ou Bélgica.
Uma possível semifinal contra os espanhóis criaria um dos confrontos mais esperados do torneio. A Espanha chegou às quartas de final sem sofrer gols e iniciou a competição na segunda posição do ranking mundial, atrás apenas da Argentina.
A França começou a Copa em terceiro lugar.
Mesmo assim, Vieira acredita que a seleção francesa está mais forte atualmente do que há quatro anos, enquanto não vê a mesma evolução na Espanha.
A confiança é tão grande que o ex jogador afirmou não enxergar nenhuma equipe capaz de impedir a França de chegar à final.
A opinião pode parecer exagerada, mas encontra apoio nos resultados.
A seleção venceu Senegal, Iraque, Noruega, Suécia, Paraguai e Marrocos. São seis partidas e seis vitórias.
Além disso, marcou 16 gols, média de 2,67 por jogo, e sofreu apenas dois, média de 0,33.
O saldo positivo de 14 gols ajuda a explicar por que a França é considerada a principal favorita.
Duas vitórias separam esta geração da história

A França já produziu seleções inesquecíveis.
A geração de 1998 conquistou o primeiro título mundial da história do país com uma vitória por 3 a 0 sobre o Brasil na final.
Vinte anos depois, outra equipe francesa chegou ao título ao vencer a Croácia por 4 a 2 na decisão.
A atual geração ainda precisa completar sua missão.
A qualidade individual talvez seja superior à das campeãs anteriores em algumas posições, principalmente pela quantidade de opções no ataque. A campanha também é impecável até aqui.
Mas o futebol de seleções é marcado por títulos.
Se vencer mais duas partidas, a França conquistará sua terceira Copa do Mundo e dará a Deschamps um encerramento histórico.
Também poderá sustentar com mais força o argumento de que esta é a melhor seleção francesa de todos os tempos.
O principal risco pode estar na própria equipe.
Pat Nevin destacou que a França apresentou apenas pequenos sinais de fraqueza durante a competição. Em alguns momentos, quando construiu uma vantagem confortável, perdeu um pouco a concentração.
Contra uma seleção de alto nível em uma semifinal ou final, esse comportamento pode ser perigoso.
Roy Keane também lembrou que a França pode ser derrotada, mas destacou a dificuldade que qualquer adversário encontrará.
A principal chance é marcar primeiro.
Quando os franceses abrem o placar, o adversário precisa atacar e deixa espaços para um setor ofensivo formado por jogadores rápidos e tecnicamente superiores.
A França chegou às semifinais com seis vitórias, 16 gols marcados, apenas dois sofridos e dois dos principais artilheiros da competição.
Ainda faltam duas partidas.
Se conseguir vencê-las, a discussão deixará de ser apenas sobre o título. A geração de Mbappé e Dembélé terá argumentos para disputar um lugar acima até mesmo das equipes francesas que conquistaram o mundo em 1998 e 2018.
(Foto de capa: Hector Vivas – FIFA/FIFA via Getty Images)



