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Menos cera, mais futebol: Novas regras mudam a Premier League

A Premier League iniciou a temporada 2026/27 com uma mudança que pretende atacar um dos problemas mais persistentes do futebol moderno: o tempo perdido em reinícios de jogo. As novas regras determinadas pelo International Football Association Board (IFAB) colocaram cobranças de lateral e tiros de meta sob fiscalização mais rigorosa, enquanto outras medidas passaram a limitar atrasos em substituições e atendimentos médicos. Cinco rodadas depois, os primeiros números indicam que a proposta de deixar mais tempo para o futebol está produzindo efeitos concretos na principal competição inglesa.

A principal novidade desta edição da Premier League está no cronômetro de cinco segundos para laterais e tiros de meta. Quando o árbitro entende que uma equipe está deliberadamente atrasando a reposição, inicia uma contagem visual. Se o limite for ultrapassado, o lateral passa ao adversário, enquanto um tiro de meta atrasado é convertido em escanteio para o outro time. A lógica é simples: transformar a demora em um risco esportivo imediato, fazendo com que administrar o relógio deixe de ser uma estratégia confortável e obrigando os jogadores a acelerar suas decisões.

Na Premier League, os efeitos mais interessantes aparecem nos números acumulados. Segundo levantamento da Opta Analyst após as cinco primeiras rodadas, a bola esteve em jogo durante 57,7% do tempo das partidas, o maior índice desde 2020/21. Em termos absolutos, foram 56 minutos e 35 segundos de bola rolando por partida, contra 55 minutos e 23 segundos na temporada passada. O aumento pode parecer pequeno em um único jogo, mas ganha outra dimensão quando multiplicado pelas centenas de partidas de uma campanha completa.

Os reinícios também ficaram mais rápidos na Premier League. Os laterais passaram a levar, em média, 15,3 segundos para serem cobrados, contra 17,8 segundos na temporada anterior. É uma redução superior a dois segundos por cobrança e representa o menor índice desde 2016/17. Considerando a quantidade de laterais registrados na última temporada, a projeção da Opta aponta para mais de nove horas e meia de espera eliminadas ao longo de uma campanha caso o ritmo seja mantido. Por partida, isso representa aproximadamente 88,5 segundos recuperados.

Nos tiros de meta, a redução também é significativa nesta atual edição da Premier League. A média caiu para 27,7 segundos, o menor registro disponível na série histórica analisada pela Opta. Na temporada passada, pela primeira vez, o tempo médio havia ultrapassado os 30 segundos, chegando a 30,4. A queda de quase três segundos mostra como uma regra que ameaça a posse pode modificar o comportamento dos jogadores e das equipes, incentivando decisões mais rápidas e reduzindo o espaço para estratégias de retardar o reinício das partidas.

Outro dado importante é que a Premier League ainda não precisou transformar nenhum tiro de meta em escanteio durante as cinco primeiras rodadas. O caso mais próximo ocorreu na partida entre Leeds United e Crystal Palace,  antes da pausa para a Data Fifa, quando o goleiro Walter Benítez foi punido por permanecer com a bola nas mãos por mais de oito segundos. A regra busca evitar que os goleiros utilizem a posse como mecanismo de controle do relógio e amplia a pressão sobre decisões que antes permitiam administrar o tempo durante as partidas.

A mudança não se limita aos reinícios na Premier League. Jogadores que recebem atendimento ou avaliação médica dentro do campo agora precisam permanecer fora por pelo menos um minuto, contra os 30 segundos anteriormente aplicados pela competição. Nas substituições, o atleta que deixa o gramado tem dez segundos para sair; caso ultrapasse o limite, seu substituto precisará esperar até a próxima paralisação após um minuto. A intenção é impedir que situações aparentemente banais sejam utilizadas para esfriar o ritmo de uma partida, reduzir o tempo útil e interromper desnecessariamente a intensidade das disputas.

O curioso é que a tentativa de combater a cera não necessariamente aumentou o acréscimo. Depois de cinco rodadas, a Premier League registrava média de oito minutos e quatro segundos adicionados por partida, o menor número desde 2021/22. Ao mesmo tempo, a quantidade de futebol efetivamente disputado aumentou. O cenário sugere que acelerar as reposições pode ser mais eficiente do que compensar o tempo perdido com acréscimos maiores, preservando a fluidez das partidas e reduzindo o impacto das interrupções sobre o ritmo do jogo ao longo dos 90 minutos.

Ainda é cedo para afirmar que os números permanecerão nesse nível durante toda a temporada, mas o início de 2026/27 oferece um sinal sobre o impacto das novas normas. A experiência mostra que pequenas alterações regulamentares podem modificar hábitos consolidados no futebol. Na Premier League, administrar o relógio continua fazendo parte da estratégia, mas fazê-lo de maneira excessivamente lenta pode custar a própria posse de bola. Menos espera e mais bola rolando são os primeiros efeitos observados.

Foto: Getty Images

Como a Premier League passou por essas mudanças nesta temporada

Após as primeiras rodadas da temporada 2026/27, o futebol inglês entrou em uma pausa para os compromissos internacionais, mas a volta aos gramados, marcada para 10 de outubro, também representará a continuidade de uma série de mudanças regulamentares que já começaram a alterar a dinâmica das partidas. A Premier League adotou novas orientações para reduzir o desperdício de tempo, acelerar reinícios e tornar algumas decisões de arbitragem mais claras.

Entre as principais novidades está a regra dos cinco segundos para laterais e tiros de meta. Quando o árbitro entender que uma equipe está demorando excessivamente para recolocar a bola em jogo, poderá iniciar uma contagem. Se o limite for ultrapassado, o lateral será concedido ao adversário; no caso do tiro de meta, a consequência será um escanteio para o outro time. A medida pretende modificar principalmente comportamentos de administração do relógio nos minutos finais.

Outra alteração importante envolve jogadores que recebem atendimento médico dentro do campo. A partir desta temporada, quem for atendido ou avaliado por uma lesão precisará permanecer fora por pelo menos um minuto, enquanto anteriormente a Premier League utilizava 30 segundos. A regra procura impedir que interrupções médicas sejam utilizadas para interromper o ritmo da partida e oferecer uma pausa adicional às equipes.

As substituições também ganharam um limite específico. O jogador substituído terá dez segundos para deixar o gramado. Caso não cumpra o prazo, seu substituto somente poderá entrar na primeira paralisação depois que um minuto tiver transcorrido. A expectativa é reduzir interrupções prolongadas e acelerar as trocas, especialmente em partidas nas quais uma equipe tenta controlar o resultado nos minutos finais.

Depois da Data Fifa, essas medidas continuarão sendo aplicadas juntamente com uma fiscalização mais rigorosa sobre cera, simulação, agarrões e contatos que prejudiquem goleiros. A arbitragem também recebeu orientação para interpretar de maneira mais eficiente situações envolvendo puxões de cabelo, com cartão vermelho quando houver ação deliberada com força excessiva ou brutalidade e amarelo nos casos considerados sem esse agravante.

O VAR também passou por uma mudança específica: revisões poderão ocorrer quando um jogador receber o segundo cartão amarelo que resulte em expulsão. A competição, entretanto, decidiu não ampliar o árbitro assistente de vídeo para revisar escanteios concedidos incorretamente. Paralelamente, a Premier League pretende diminuir o tempo das revisões com maior utilização da tecnologia semiautomatizada de impedimento.

Assim, quando a competição retornar em outubro, o cenário será de uma arbitragem mais atenta ao tempo útil e às interrupções, sem reformular completamente as regras. O objetivo é preservar a velocidade característica do futebol inglês durante os 90 minutos, reduzindo estratégias baseadas em atrasar reinícios, controlar o ritmo e interromper a dinâmica das partidas. A expectativa é tornar o tempo jogado mais constante, sem ampliar excessivamente os acréscimos finais das partidas.

Foto: Getty Images

Será que a Premier League ainda vai seguir as regras nos próximos jogos, após a Data Fifa?

A pausa para os compromissos internacionais não representa uma interrupção nas mudanças que passaram a fazer parte do futebol inglês em 2026/27. Quando os clubes retornarem aos gramados, as medidas adotadas no início da temporada continuarão valendo normalmente, porque fazem parte das orientações estabelecidas para toda a campanha. A Premier League incorporou as novas regras ao regulamento da competição em sintonia com as alterações aprovadas pelo IFAB.

O principal objetivo continuará sendo diminuir o tempo perdido durante as partidas. Em laterais e tiros de meta, os árbitros podem iniciar uma contagem regressiva de cinco segundos quando identificarem uma demora deliberada. Se o limite for ultrapassado, o lateral passa ao adversário, enquanto o tiro de meta pode ser transformado em escanteio para a equipe rival. A medida continuará sendo aplicada depois da Data Fifa, sem previsão de suspensão.

As substituições também permanecerão sob fiscalização mais rigorosa. O jogador que deixar o campo terá dez segundos para sair. Caso ultrapasse esse período, o atleta que entrará precisará aguardar até a primeira paralisação depois de um minuto. A regra foi criada para evitar que trocas sejam utilizadas para consumir tempo, principalmente nos momentos finais das partidas.

Outra determinação que seguirá valendo é a saída temporária de jogadores que recebem atendimento médico em campo. A partir desta temporada, eles precisam permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar. Além disso, a Inglaterra colocou em prática um teste específico para situações em que o goleiro recebe atendimento: em determinadas circunstâncias, um jogador de linha também precisa deixar o gramado durante esse período. O teste será acompanhado ao longo da temporada para avaliar seus efeitos sobre o ritmo das partidas.

Também não há indicação de que a Premier League pretenda abandonar suas diretrizes de arbitragem após a Data Fifa. O campeonato mantém um alto limite para marcação de faltas e para intervenções do VAR, além de priorizar revisões mais rápidas com o auxílio da tecnologia semiautomatizada de impedimento. A competição também decidiu não ampliar o VAR para revisar escanteios concedidos incorretamente.

Portanto, os próximos jogos da Premier League deverão servir para consolidar as mudanças introduzidas desde agosto. Os dados das primeiras rodadas já apontaram redução nos tempos de reinício, e a tendência é que árbitros e jogadores continuem se adaptando às novas exigências durante o restante da temporada. O objetivo permanece o mesmo: reduzir interrupções, acelerar o jogo e deixar mais tempo efetivamente disponível para o futebol.

(Foto: Getty Images)