Espanha x Bélgica
Futebol Copa do Mundo

Merino decide, Espanha supera a Bélgica no fim e volta à semifinal da Copa do Mundo após 16 anos

A Espanha está de volta entre as quatro melhores seleções da Copa do Mundo. Em Los Angeles, a equipe comandada por Luis de la Fuente venceu a Bélgica por 2 a 1 e garantiu classificação para a semifinal do torneio. Depois de abrir o placar ainda no primeiro tempo com Fabián Ruiz, a Fúria viu os belgas reagirem antes do intervalo, mas voltou a encontrar o caminho da vitória nos minutos finais, quando Mikel Merino aproveitou rebote do goleiro Senne Lammens para marcar o gol da classificação.

Com o resultado, a Espanha alcança sua primeira semifinal de Mundial desde 2010 e agora terá pela frente a França, reeditando o confronto da semifinal da última Eurocopa.

O jogo

Como esperado, a Espanha assumiu o controle da posse de bola desde os primeiros minutos. A equipe espanhola circulava a bola com paciência, ocupava o campo ofensivo e buscava abrir espaços na defesa belga através das movimentações de Lamine Yamal, Dani Olmo e Pedro Porro. A Bélgica, por sua vez, adotou uma postura mais conservadora, com linhas compactas e tentando explorar contra-ataques sempre que recuperava a posse.

Apesar do amplo domínio territorial da Espanha, as oportunidades claras demoraram a aparecer. A primeira boa chegada aconteceu apenas aos 21 minutos, quando Lamine Yamal recebeu na entrada da área e finalizou para fora, levando perigo ao gol defendido por Thibaut Courtois.

A pressão aumentou após a parada para hidratação e acabou sendo recompensada aos 30 minutos. Pedro Porro tabelou com Yamal pela direita, chegou à linha de fundo e encontrou Dani Olmo dentro da área. O meia finalizou firme, Courtois fez grande defesa, mas o rebote ficou nos pés de Fabián Ruiz, que apareceu livre na pequena área para abrir o placar.

A vantagem parecia consolidar o controle espanhol, mas a Bélgica mostrou eficiência na reta final da primeira etapa. Aos 41 minutos, Castagne recebeu pela direita e cruzou com precisão para Charles De Ketelaere, que antecipou a marcação de Cubarsí e cabeceou no canto para empatar a partida.

O empate deu novo cenário ao confronto. Na volta do intervalo, a Bélgica passou a atacar com mais frequência e quase virou aos dez minutos. Após troca de passes entre Doku e De Bruyne, Maxim De Cuyper aproveitou sobra dentro da área e finalizou com força, mandando a bola pela rede do lado de fora. A Espanha respondeu pouco depois em finalização de Oyarzabal, novamente parada por Courtois, que fazia mais uma atuação segura.

O jogo ganhou um elemento decisivo aos 26 minutos do segundo tempo, quando Courtois sentiu um problema muscular na coxa e precisou deixar o campo. Senne Lammens entrou em seu lugar e teve pouco trabalho durante boa parte da reta final, mas acabou participando diretamente do lance que definiu a classificação.

Já aos 43 minutos, Cubarsí arriscou chute de longa distância. Lammens não conseguiu segurar a bola e deu rebote na pequena área. Atento ao lance, Mikel Merino apareceu entre os defensores belgas para finalizar e marcar o gol da vitória espanhola.

Nos acréscimos, a Bélgica ainda tentou pressionar em busca do empate. A melhor oportunidade surgiu em rápida transição ofensiva, quando De Ketelaere driblou Unai Simón e cruzou para Lukaku. Antes que o centroavante pudesse finalizar, Laporte apareceu para fazer um corte decisivo e garantir a classificação da Espanha.

Espanha mantém identidade e novamente encontra solução no banco

A classificação confirma uma característica que vem marcando a campanha espanhola: a capacidade de controlar os jogos através da posse de bola, mesmo diante de adversários organizados defensivamente. Contra a Bélgica, a equipe voltou a apresentar elevado volume ofensivo, dominou grande parte das ações e terminou premiada pela insistência.

Embora tenha encontrado dificuldades para transformar posse em oportunidades claras durante boa parte da partida, a Espanha manteve paciência para circular a bola e não perdeu sua organização mesmo após sofrer o empate ainda na primeira etapa.

Pedro Porro e Lamine Yamal voltaram a ser peças importantes na construção ofensiva. A maioria das jogadas mais perigosas nasceu pelo lado direito, setor onde a dupla criou superioridade numérica e conseguiu levar vantagem sobre a defesa belga. Foi justamente dessa combinação que nasceu a jogada do primeiro gol. Fabián Ruiz também teve atuação consistente. Além de aparecer bem para abrir o placar, participou da circulação de bola no meio-campo e ajudou a equipe a manter o controle territorial durante praticamente toda a partida.

Na etapa complementar, porém, a Espanha encontrou mais dificuldades. A Bélgica passou a pressionar melhor a saída de bola, aumentou sua intensidade e criou oportunidades para virar o jogo, especialmente através das arrancadas de Doku e das movimentações de De Bruyne entre as linhas.

Nesse contexto, a lesão de Courtois teve influência direta no desfecho da partida. O goleiro vinha sendo um dos destaques do confronto e havia feito intervenções importantes para manter a igualdade no placar. Lammens entrou em um momento de enorme pressão e acabou oferecendo o rebote que originou o gol decisivo.

Merino repetiu um roteiro que já havia vivido nas quartas de final diante de Portugal. Novamente saindo do banco de reservas, apareceu na área no momento certo para decidir a classificação. Mais uma vez, o meia mostrou oportunismo e reforçou a importância do elenco espanhol, que tem encontrado soluções além dos titulares.

Defensivamente, a Espanha alternou momentos de controle com alguns instantes de instabilidade. A equipe conseguiu limitar bastante a criação belga durante o primeiro tempo, mas sofreu quando os adversários aceleraram as transições após o intervalo. Ainda assim, respondeu bem nos momentos decisivos, com destaque para Laporte, responsável pelo corte que evitou o empate já nos acréscimos.

A Bélgica deixa o torneio após uma atuação competitiva. Mesmo passando boa parte do jogo sem a posse de bola, conseguiu equilibrar as ações através da eficiência ofensiva e da atuação de Courtois, além de crescer na segunda etapa. No entanto, voltou a sofrer nos momentos finais, repetindo a dificuldade em sustentar o resultado diante de adversários de maior volume ofensivo.

A Espanha, por sua vez, chega à semifinal transmitindo a imagem de uma equipe madura e capaz de encontrar diferentes caminhos para vencer. Sem depender exclusivamente do brilho individual, o time de Luis de la Fuente alia controle coletivo, profundidade de elenco e boa capacidade de decisão nos momentos mais importantes. Contra a França, terá seu desafio mais complexo até aqui, mas chega credenciada por uma campanha consistente e por mostrar, mais uma vez, força para decidir partidas equilibradas.

(Foto: Paul Ellis/AFP)