Tudo indica que esta seja a última Copa do Mundo de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Mas, se depender do desempenho apresentado até aqui, os dois maiores jogadores de sua geração parecem determinados a desafiar qualquer limite imposto pela idade.
Nesta terça-feira, Cristiano Ronaldo voltou aos holofotes ao marcar dois gols na vitória de Portugal sobre o Uzbequistão. Um dia antes, Messi havia balançado as redes duas vezes contra a Áustria.
Mais recordes, mais capítulos históricos e a sensação de que a rivalidade que definiu o futebol das últimas duas décadas continua mais viva do que nunca.
Messi chegou aos 18 gols em Copas do Mundo e ampliou sua vantagem como maior artilheiro da história do torneio. Já Cristiano se tornou o primeiro jogador a marcar em seis edições diferentes do Mundial: 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.
Cristiano Ronaldo responde às críticas em grande estilo

A pressão sobre Cristiano Ronaldo era evidente. Após a atuação discreta no empate por 1 a 1 com a República Democrática do Congo, o astro português virou alvo de críticas e viu crescerem rumores sobre desgastes internos na seleção. Bastaram seis minutos contra o Uzbequistão para que a resposta viesse da forma que ele mais gosta: com gols.
Ao balançar as redes logo no início da partida, Cristiano encerrou um jejum de 11 jogos sem marcar em Copas do Mundo, sequência que durava desde a estreia de Portugal no Mundial de 2022.
Depois do apito final, o camisa 7 olhou para uma câmera e disparou:
“Estou de volta.”
A frase resumiu bem a noite de um jogador que, aos 41 anos, continua encontrando maneiras de permanecer relevante no mais alto nível.
O português agora é o segundo artilheiro mais velho da história das Copas, atrás apenas do camaronês Roger Milla, que marcou aos 42 anos no Mundial de 1994.
Messi vive sua fase mais goleadora em Mundiais

Se Cristiano respondeu à pressão, Messi segue acumulando números impressionantes. O camisa 10 da Argentina marcou cinco gols apenas nos dois primeiros jogos da Copa de 2026 — incluindo um hat-trick contra a Argélia e dois gols diante da Áustria — e atravessa o período mais produtivo de sua carreira em Mundiais.
Desde que completou 35 anos, Messi soma 12 gols em apenas nove partidas de Copa do Mundo. Para efeito de comparação, ele havia marcado apenas seis vezes em seus 19 jogos anteriores no torneio.
A transformação coincide com uma nova fase de sua trajetória, marcada por maior protagonismo na seleção argentina. Hoje, o camisa 10 atua com menos explosão física, mas compensa com leitura de jogo, posicionamento e eficiência cada vez maiores.
A rivalidade que nunca termina
Mesmo longe do auge físico e já atuando fora das principais ligas europeias, Messi e Cristiano continuam impulsionando um ao outro.
Questionado sobre os cinco gols do argentino na competição, Ronaldo desconversou:
“Não me importo nem um pouco com os outros. Mbappé também marcou.” — expôs, CR7
Mas é difícil imaginar que o desempenho do velho rival não funcione como combustível. O técnico de Portugal, Roberto Martínez, reconheceu a importância dessa disputa histórica.
A rivalidade entre eles foi importante para que ambos evoluíssem. Cristiano sempre quer ser o melhor naquilo que faz. — pontuou, o treinador
A mesma percepção é compartilhada por Wayne Rooney, ex-companheiro de Cristiano no Manchester United.
“Quando os outros grandes jogadores marcam, ele quer responder. É impressionante ver o que Messi e Ronaldo ainda conseguem fazer na idade que têm.” — encerrou.
E o destino pode reservar um último encontro
Cristiano já soma 975 gols na carreira e continua perseguindo a marca simbólica dos 1.000. Messi, por sua vez, segue ampliando uma coleção de recordes que parece não ter fim.
Nenhum dos dois domina o futebol como fazia há uma década. Ainda assim, seguem sendo protagonistas quando o assunto é Copa do Mundo.
Caso Argentina e Portugal confirmem a liderança de seus grupos e avancem no mata-mata, as seleções poderão se enfrentar nas quartas de final, em Kansas City. Seria o capítulo perfeito para uma rivalidade que moldou uma geração inteira de torcedores.
Mas, conhecendo Messi e Cristiano, talvez seja precipitado falar em despedida. Afinal, ao longo dos últimos 20 anos, ambos transformaram o impossível em rotina. E continuam fazendo isso.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Getty Images via AFP