Foto: Buda Mendes/Getty Images
Copa do Mundo Futebol

Messi lidera a Copa com uma receita improvável: menos esforço físico, mais impacto em campo

Em uma Copa do Mundo marcada pela intensidade física, pressão alta e jogadores cada vez mais atléticos, Lionel Messi continua desafiando qualquer lógica. Aos 39 anos, o camisa 10 da Argentina mostra que ainda existe espaço para um futebol em que a inteligência supera a força e o talento vale mais do que quilômetros percorridos.

Os números ajudam a explicar esse paradoxo. Mesmo sendo o jogador que menos corre entre os principais destaques do torneio, Messi lidera praticamente todos os indicadores ofensivos da Copa do Mundo. Atualmente, ele possui a maior nota média da competição (8,7) e também ocupa a liderança da artilharia, com oito gols.

Enquanto boa parte dos atletas vive em função da intensidade, o argentino administra cada movimento dentro de campo.

Nos cinco jogos disputados até aqui, Messi percorreu apenas 35,87 quilômetros, uma média de 6,88 km por partida — uma das menores entre os jogadores de linha da competição. Desse total, cerca de 4,41 km por jogo foram caminhando, marca que o coloca como o atleta que mais anda durante as partidas.

A diferença também aparece nas ações de alta intensidade. Messi registra apenas 23 sprints por jogo, percorreu somente 631 metros em velocidade máxima durante toda a Copa e soma pouco mais de 1,4 km em corrida contínua. Para os padrões do futebol atual, são números extremamente baixos. Mas é justamente aí que mora sua genialidade.

O esforço acontece quando a bola chega

Lionel Messi, Argentina. Foto: Foto: Reprodução/Reuters
Lionel Messi, Argentina. Foto: Foto: Reprodução/Reuters

 

Messi praticamente eliminou do seu jogo tudo aquilo que considera desnecessário. Ele economiza energia, escolhe os momentos certos para acelerar e permanece “desligado” durante boa parte da partida apenas para estar completamente conectado quando a bola passa por seus pés.

Após a classificação da Argentina diante do Egito, o camisa 10 reconheceu que esse estilo de jogo só é possível graças ao trabalho coletivo.

“Graças aos meus companheiros, eu consigo estar em campo. Sei que eles fazem um esforço extra e correm também por mim. Eles fazem isso naturalmente, porque acreditam no que podemos conquistar juntos.”

A declaração sintetiza o equilíbrio encontrado pela Argentina. Enquanto os companheiros compensam a menor participação defensiva do capitão, Messi concentra sua energia naquilo que faz melhor: decidir partidas.

Quando participa, quase sempre cria perigo

messi argentina
Foto: Elsa/Getty Images

 

Se os números físicos impressionam pela baixa intensidade, os ofensivos seguem em um patamar praticamente inalcançável.

Além dos oito gols marcados, Messi lidera a Copa em gols de fora da área, cobranças de falta convertidas e gols esperados por partida (1,09). Também figura entre os líderes em passes decisivos, cruzamentos certos, sequências ofensivas e participação direta nas principais ações de ataque da Argentina.

Cada toque na bola costuma produzir algum tipo de vantagem para a equipe. É justamente por isso que sua influência permanece gigantesca mesmo participando menos do jogo sem a posse.

Um jogador de outra época

Lionel Messi, Argentina. Foto: Ryan Pierse/FIFA via Getty Images
Lionel Messi, Argentina. Foto: Ryan Pierse/FIFA via Getty Images

 

O futebol moderno exige pressão constante, recomposição defensiva e alta intensidade durante praticamente os 90 minutos. Messi faz exatamente o contrário.

Ele anda quando todos correm, observa quando todos pressionam e espera quando todos aceleram. Ainda assim, continua sendo o jogador mais decisivo da Copa do Mundo.

Talvez essa seja a maior prova de sua grandeza. Em uma era dominada pelos dados físicos, o argentino mostra que o recurso mais valioso do futebol continua sendo impossível de medir com GPS: a capacidade de entender o jogo antes de todo mundo.

Messi corre menos do que quase todos os adversários. Mas, quando resolve acelerar, normalmente já é tarde demais para quem tenta pará-lo.

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