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Futebol Copa do Mundo

Messi explica por que campanha da Argentina na Copa do Mundo é “anormal”

A Argentina está na semifinal da Copa do Mundo, mas a caminhada até aqui passou longe de ser tranquila. Depois de uma fase de grupos praticamente perfeita, a equipe de Lionel Scaloni transformou cada duelo do mata-mata em um teste para o coração do torcedor. Não por acaso, Lionel Messi definiu a trajetória da seleção como “não normal”, resumindo em poucas palavras tudo o que aconteceu nas últimas partidas.

Agora, os argentinos terão pela frente a Inglaterra, em um confronto que promete reunir duas das seleções mais fortes do torneio. De um lado, Messi vive mais uma campanha histórica. Do outro, Jude Bellingham lidera uma geração inglesa que também aprendeu a sobreviver sob pressão.

Da tranquilidade ao sofrimento: a mudança de roteiro da Argentina

A fase de grupos deu a impressão de que a Argentina caminharia com relativa tranquilidade rumo às fases decisivas. A equipe venceu Argélia, Áustria e Jordânia, terminou com 100% de aproveitamento e mostrou equilíbrio entre defesa sólida e ataque eficiente.

Só que o mata-mata resolveu mudar completamente o roteiro.

Nas oitavas de final, contra Cabo Verde, os argentinos precisaram disputar a prorrogação para confirmar a classificação. A dificuldade serviu como um primeiro alerta de que a caminhada até o bicampeonato mundial dificilmente seria simples.

O verdadeiro drama, porém, aconteceu diante do Egito. A Argentina perdia por 2 a 0 quando restavam pouco mais de dez minutos para o fim do tempo regulamentar. Parecia o fim da linha.

Foi então que apareceu a força de reação que virou marca registrada desta campanha. Cristian Romero diminuiu, Messi empatou e Enzo Fernández completou uma virada improvável para fechar o placar em 3 a 2, em uma sequência de minutos que entrou para os momentos mais emocionantes desta edição da Copa do Mundo.

Se o torcedor argentino já estava acostumado a sofrer, as quartas de final conseguiram elevar ainda mais o nível da tensão.

Vitória contra a Suíça demorou, mas foi merecida

Diante da Suíça, Alexis Mac Allister abriu o placar cedo, dando a impressão de que finalmente haveria uma classificação mais tranquila.

Não houve.

Os suíços empataram aos 67 minutos e, pouco depois, ficaram com um jogador a menos. Mesmo enfrentando um adversário reduzido a dez atletas durante boa parte da prorrogação, a Argentina encontrou enormes dificuldades para furar a defesa rival.

A insistência só foi premiada aos 112 minutos, quando Julián Álvarez acertou um belo chute de fora da área para garantir a classificação.

Apesar do placar apertado, os números mostram que os argentinos produziram muito mais. O time terminou a partida com 2,0 gols esperados (xG), contra apenas 0,53 da Suíça, demonstrando que criou oportunidades suficientes para vencer. Ainda assim, foi daqueles jogos em que ninguém respirou aliviado até o apito final.

Scaloni admite que esta Argentina é diferente da campeã de 2022

Após a vitória, Lionel Scaloni fez uma observação curiosa ao comparar o atual elenco com aquele que conquistou a Copa do Mundo no Catar.

Segundo o treinador, esta equipe aprendeu a manter a calma e continuar lutando mesmo quando tudo parece dar errado. Para ele, essa capacidade de reagir sob pressão é uma característica muito mais presente agora do que há quatro anos.

A declaração chama atenção justamente porque todas as partidas eliminatórias exigiram doses enormes de resiliência.

Em nenhuma delas a Argentina encontrou facilidade. Mesmo assim, continua invicta.

É justamente esse espírito competitivo que chega como principal arma para enfrentar uma Inglaterra que também precisou superar momentos delicados durante o torneio.

Messi segue reescrevendo a história da Copa do Mundo

Enquanto a Argentina sofre coletivamente, Lionel Messi continua produzindo números que parecem saídos de um videogame.

Aos 39 anos, o camisa 10 lidera a artilharia da Copa do Mundo com oito gols e abriu sua campanha marcando o primeiro hat-trick de sua carreira em Mundiais.

Contra Cabo Verde, alcançou outro feito histórico: tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo e também o primeiro jogador a marcar gols em oito partidas consecutivas da competição.

Como se isso não bastasse, Messi chegou a 30 partidas disputadas em Copas, ampliando ainda mais o recorde absoluto de aparições no torneio.

É difícil encontrar novos adjetivos para definir sua trajetória. Mesmo perto dos 40 anos, ele continua sendo o principal protagonista do maior palco do futebol mundial.

Inglaterra também chega acostumada ao drama

Quem pensa que apenas a Argentina sofreu nesta Copa pode olhar para o caminho inglês.

A equipe comandada por Thomas Tuchel também precisou buscar resultados em situações complicadas.

A Inglaterra saiu atrás do placar contra a República Democrática do Congo, viu o México abrir vantagem duas vezes nas oitavas de final e também começou perdendo para a Noruega nas quartas.

Em todas essas ocasiões conseguiu reagir.

A diferença está na maneira como cada seleção chega até aqui.

Enquanto os argentinos marcaram nove gols durante os três confrontos eliminatórios, os ingleses vêm convivendo com dificuldades defensivas maiores, já que sofreram quatro gols nesse período.

Ainda assim, a força mental virou uma característica comum entre os dois semifinalistas.

Messi contra Bellingham promete ser um dos grandes duelos do Mundial

Embora futebol nunca seja um esporte decidido apenas por dois jogadores, é impossível ignorar o peso de Lionel Messi e Jude Bellingham nesta semifinal.

O argentino lidera a artilharia da Copa do Mundo e continua sendo o cérebro ofensivo da equipe de Scaloni. Já Bellingham assumiu o protagonismo inglês em momentos decisivos, acumulando atuações importantes sempre que sua seleção precisou buscar o resultado.

Os dois representam gerações completamente diferentes.

Messi disputa provavelmente sua última Copa do Mundo tentando conquistar o bicampeonato consecutivo para a Argentina. Bellingham, por sua vez, lidera uma Inglaterra que sonha voltar ao topo do futebol mundial e iniciar uma nova era.

Argentina busca mais um passo rumo ao bicampeonato

Além da campanha emocionante, a Argentina chega embalada por uma sequência de 12 partidas sem derrota em Copas do Mundo.

Outro dado curioso aumenta ainda mais o peso desta reta final: é a primeira vez, desde a criação do ranking da FIFA em 1992, que as quatro seleções mais bem colocadas da classificação, Argentina, Inglaterra, França e Espanha alcançam juntas as semifinais do torneio.

Isso ajuda a explicar por que muitos consideram esta uma das fases finais mais equilibradas da história recente da competição.

Agora, restam apenas dois jogos para que a seleção argentina transforme uma campanha marcada pelo sofrimento em mais um capítulo inesquecível. Como disse Messi, realmente não tem sido uma trajetória “normal”. Para os torcedores, talvez ainda bem. Afinal, se existe algo que esta Copa do Mundo tem entregado, é emoção até o último minuto.

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli