Argentina - Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Messi salva a Argentina, mas atuação gera preocupação para sequência da Copa do Mundo; confira

A Argentina garantiu sua vaga nas quartas de final da Copa do Mundo após uma virada emocionante por 3 a 2 sobre o Egito, mas a classificação esteve muito perto de escapar. Atual campeã do torneio, a equipe comandada por Lionel Scaloni precisou reagir nos minutos finais para evitar uma eliminação surpreendente e voltou a levantar dúvidas sobre sua campanha em busca do bicampeonato.

Depois de também sofrer para eliminar Cabo Verde na fase anterior, os argentinos novamente encontraram enormes dificuldades diante de um adversário teoricamente inferior. A reação heroica evitou o pior, mas evidenciou problemas que podem custar caro nas próximas fases da competição.

Egito executou plano quase perfeito

O Egito fez uma partida praticamente impecável durante boa parte dos 90 minutos.

A seleção africana apostou em uma marcação sólida, explorou os contra-ataques e levou muito perigo nas bolas paradas, conseguindo neutralizar boa parte das ações ofensivas da Argentina.

O primeiro gol saiu com o zagueiro Yasser Ibrahim, que venceu Lisandro Martínez pelo alto e abriu o placar ainda na primeira etapa.

Pouco depois, Lionel Messi desperdiçou uma cobrança de pênalti defendida pelo goleiro Mostafa Shobeir, ampliando uma marca negativa. O camisa 10 argentino chegou ao quarto pênalti perdido em Copas do Mundo, tendo convertido apenas quatro das oito cobranças realizadas na competição.

Mesmo após o erro de Messi, o Egito continuou criando dificuldades para a defesa argentina e foi para o intervalo com vantagem merecida.

VAR anula golaço e Egito amplia depois

Na segunda etapa, o Egito chegou a marcar um gol que poderia entrar para a história da Copa do Mundo.

Após grande jogada iniciada por Haissem Hassan e participação de Mohamed Salah, Mostafa Ziko finalizou com categoria para ampliar o placar.

No entanto, após revisão do VAR, a arbitragem anulou o lance por uma falta ocorrida no início da jogada.

Apesar da frustração, os egípcios mantiveram o mesmo nível de atuação e poucos minutos depois conseguiram marcar novamente com Ziko, fazendo 2 a 0 e deixando a classificação muito próxima.

Até aquele momento, a Argentina praticamente não conseguia criar oportunidades claras de gol.

Messi lidera reação e Argentina consegue virada histórica

Quando restavam cerca de 15 minutos para o fim da partida, a Argentina finalmente encontrou forças para reagir.

Cristian Romero diminuiu de cabeça após cruzamento de Lionel Messi, recolocando os argentinos no jogo.

Pouco depois, o próprio Messi aproveitou uma sobra dentro da área e empatou a partida, marcando em sua sexta fase eliminatória consecutiva de Copa do Mundo, um feito inédito na história da competição.

Já nos acréscimos, Enzo Fernández apareceu para marcar de cabeça o gol da vitória, completando uma das maiores viradas já registradas em Mundiais.

Segundo dados da Opta, a Argentina tinha apenas 0,6% de probabilidade de vencer o confronto quando iniciou sua reação.

Além disso, o gol de Enzo Fernández entrou para a história por ser o de número 3.000 em Copas do Mundo.

Campanha da Argentina preocupa apesar da classificação

Apesar da vaga garantida, o desempenho argentino começa a gerar preocupação.

Nas oitavas de final, a equipe já havia encontrado enormes dificuldades para superar Cabo Verde, precisando da prorrogação para vencer por 3 a 2.

Agora, diante do Egito, voltou a sofrer defensivamente e esteve muito perto da eliminação ainda no tempo regulamentar.

As duas partidas reforçam a impressão de que a seleção argentina ainda não encontrou seu melhor futebol nesta Copa do Mundo.

Embora o elenco conte com jogadores experientes e de alto nível, alguns problemas defensivos e a dificuldade para controlar determinados momentos das partidas têm ficado evidentes.

Sequência de adversários pode explicar dificuldades

Outro fator apontado por analistas é o nível dos adversários enfrentados pela Argentina antes da Copa do Mundo.

Nos últimos meses, a seleção disputou amistosos diante de equipes como Mauritânia, Zâmbia, Honduras, Islândia, Porto Rico e Angola, enfrentando poucos rivais considerados de elite.

A última derrota para uma seleção de maior peso havia acontecido nas Eliminatórias Sul-Americanas, diante do Equador.

Essa sequência de jogos contra adversários menos competitivos pode ter reduzido o nível de exigência antes do Mundial, deixando a equipe menos preparada para partidas equilibradas.

Quartas de final prometem desafio ainda maior

Agora, a Argentina enfrentará Suíça ou Colômbia nas quartas de final.

No papel, a atual campeã segue como favorita para avançar, mas o desempenho apresentado até aqui indica que a margem para erros diminuiu consideravelmente.

Caso confirme a classificação para a semifinal, a equipe poderá encontrar Inglaterra ou Noruega, seleções que vivem grande momento na competição.

A virada sobre o Egito mostrou mais uma vez o poder de reação da Argentina e o protagonismo de Lionel Messi em momentos decisivos.

Ao mesmo tempo, deixou claro que, se quiser manter vivo o sonho do bicampeonato mundial, a equipe precisará corrigir falhas que têm aparecido com frequência nesta reta decisiva da Copa do Mundo.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.