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Futebol Copa do Mundo

Lionel Messi transforma a Copa de 2026 em mais um capítulo histórico e reforça debate sobre o maior da história

Quando Lionel Messi levantou a taça da Copa do Mundo em 2022, a sensação era de que o roteiro perfeito havia chegado ao fim. O próprio argentino afirmou, após a semifinal contra a Croácia, que aquele seria seu último Mundial. Aos 35 anos, campeão do mundo e dono de praticamente todos os títulos possíveis no futebol, parecia não haver mais nada a provar.

Quatro anos depois, Messi surpreendeu novamente o mundo. Aos 39 anos, o camisa 10 não apenas voltou para disputar mais uma Copa do Mundo como se tornou, mais uma vez, o principal responsável por levar a Argentina até a decisão. Em vez de participar apenas como uma liderança experiente dentro do elenco, o argentino assumiu novamente o protagonismo técnico da equipe de Lionel Scaloni, acumulando gols, assistências e recordes que reforçam seu legado.

A campanha na Copa do Mundo de 2026 mostra um Messi diferente fisicamente daquele que encantou o planeta durante seus anos de Barcelona. A velocidade já não é a mesma, mas a inteligência, a leitura de jogo e a capacidade de decidir partidas parecem ainda mais refinadas. O resultado é uma atuação que muitos consideram suficiente para encerrar qualquer discussão sobre quem foi o maior jogador da história do futebol.

Messi continua sendo o centro de tudo na seleção argentina

Argentina derrota Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026
Foto: Patrick Smith/FIFA/Getty Images

O desempenho da Argentina nesta Copa passa diretamente pelos pés de Lionel Messi. Mais do que o capitão, ele continua sendo o principal organizador das jogadas ofensivas e o jogador capaz de decidir partidas nos momentos mais importantes.

Os números mostram isso de forma clara.

Messi participou diretamente de 12 dos 19 gols marcados pela Argentina nesta Copa do Mundo. Foram oito gols e quatro assistências, além do cruzamento que originou um gol contra decisivo na vitória sobre Cabo Verde. Isso significa que o camisa 10 participou de 63% dos gols argentinos durante toda a campanha.

A influência vai muito além das participações diretas.

Messi também é o único jogador desta Copa envolvido em pelo menos metade das finalizações da própria seleção. Seja criando uma oportunidade para um companheiro ou concluindo a jogada, ele esteve presente em 52,7% das ações ofensivas da Argentina, praticamente repetindo os mesmos índices registrados na campanha do título mundial de 2022.

Ao todo, o argentino soma 59 participações em finalizações, divididas entre 34 chutes e 25 chances criadas. O segundo colocado da seleção nesse fundamento é Alexis Mac Allister, com apenas 18 participações.

Esses números ajudam a explicar por que a Argentina continua tão dependente de seu camisa 10.

Desde Diego Maradona em 1986, uma seleção não concentrava tanto seu jogo ofensivo em apenas um atleta como acontece atualmente com Messi.

Mesmo aos 39 anos, ele continua sendo o ponto de partida das principais jogadas ofensivas da equipe.

Inteligência tática substitui explosão física e mantém Messi decisivo

Se antes Messi desequilibrava principalmente pela velocidade nas arrancadas, hoje ele domina os jogos de outra maneira.

Sua principal arma passou a ser a leitura dos espaços.

Durante esta Copa, ficou evidente uma mudança importante em seu posicionamento. Em vez de permanecer centralizado durante toda a partida, Messi passou a circular muito mais pelo lado direito do campo, principalmente nos segundos tempos.

Essa movimentação tem um objetivo claro.

Quando os adversários recuam suas linhas defensivas, o argentino encontra espaços nas laterais para receber a bola sem marcação imediata e construir as jogadas ofensivas.

Foi exatamente isso que aconteceu na semifinal diante da Inglaterra.

Após um primeiro tempo discreto, Messi passou a atuar com muito mais liberdade na etapa final. Aproveitando o recuo inglês, distribuiu duas assistências decisivas para a virada argentina.

Primeiro encontrou Enzo Fernández em uma cobrança rápida de escanteio curto. Depois cruzou com precisão usando o pé direito para Lautaro Martínez marcar o gol da classificação.

Os dados mostram essa mudança de comportamento.

Nas últimas três partidas da Copa, Messi realizou 15 cruzamentos com bola rolando, sendo 13 deles após o intervalo.

Essa combinação entre mobilidade, inteligência e capacidade de encontrar espaços faz com que Messi continue sendo um dos jogadores mais difíceis de marcar do futebol mundial, mesmo sem depender tanto do físico como fazia no auge.

Uma Copa que amplia ainda mais um legado praticamente impossível de igualar

Messi Argentina
Foto: JUAN MABROMATA/AFP

Além da campanha coletiva, esta Copa do Mundo também representa mais uma coleção de recordes para Lionel Messi.

A final será sua 34ª partida em Copas do Mundo, ampliando sua vantagem como o atleta com mais jogos na história da competição.

Também existe a possibilidade de quebrar outro recorde importante.

Caso marque na decisão, Messi se tornará o jogador mais velho a fazer um gol em uma final de Copa do Mundo, superando uma marca que pertence ao sueco Nils Liedholm desde 1958.

Outro feito impressionante é sua produção ofensiva recente.

Somando as Copas de 2022 e 2026, Messi acumula 22 participações diretas em gols, com 15 gols e sete assistências em apenas 14 partidas.

Para efeito de comparação, entre as edições de 2006 e 2018, ele havia participado de apenas 11 gols em cinco Copas diferentes.

Também chama atenção seu crescimento nos mata-matas.

Antes do Mundial de 2022, Messi nunca havia marcado um gol em partidas eliminatórias de Copa do Mundo.

Desde então, disputou oito confrontos de mata-mata e acumulou sete gols e seis assistências, tornando-se decisivo justamente quando a pressão é maior.

Tudo isso acontece poucos anos depois de finalmente conquistar os títulos que faltavam por sua seleção.

Após vencer a Copa América de 2021, a Copa do Mundo de 2022 e novamente a Copa América em 2024, Messi chega à decisão de 2026 com a oportunidade de conquistar seu segundo Mundial.

Caso levante mais uma vez a taça, a Argentina alcançará uma sequência impressionante de quatro títulos consecutivos nas principais competições internacionais disputadas desde 2021.

Mais do que aumentar sua coleção de troféus, a campanha de Messi nesta Copa reforça uma característica que sempre marcou sua carreira: a capacidade de se reinventar.

Se antes encantava pela velocidade e pelos dribles em sequência, hoje domina as partidas pela inteligência, pelo posicionamento e pela precisão nas decisões.

Poucos imaginavam que um jogador atuando na Major League Soccer chegaria aos 39 anos sendo novamente protagonista de uma Copa do Mundo. Messi fez exatamente isso.

Talvez ele realmente não precisasse desta Copa para convencer o mundo de que pertence ao mais alto patamar da história do futebol. Ainda assim, transformou 2026 em mais uma demonstração de que sua genialidade continua fazendo diferença no maior palco do esporte. É justamente essa capacidade de permanecer decisivo em diferentes fases da carreira que torna seu legado cada vez mais difícil de ser igualado.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique