México voltou a chamar a atenção do futebol mundial durante a Copa do Mundo de 2026. Mesmo eliminado pela Inglaterra nas oitavas de final em uma derrota por 3 a 2, o El Tri deixou o torneio de cabeça erguida depois de protagonizar sua melhor campanha em décadas. Além do desempenho coletivo, vários jogadores aproveitaram o maior palco do futebol para valorizar seus nomes e despertar o interesse de clubes das principais ligas da Europa.
Foram quatro vitórias, uma classificação inédita ao mata-mata desde 1986 e atuações que devolveram o entusiasmo ao torcedor mexicano. Agora, o grande desafio da federação é transformar esse bom momento em crescimento a longo prazo. E isso passa, inevitavelmente, por exportar talentos para campeonatos mais competitivos.
Entre jovens promessas e atletas mais experientes, seis nomes aparecem como fortes candidatos a trocar a Liga MX ou outras ligas fora da Europa pelo Velho Continente nos próximos meses.
Israel Reyes está pronto para o próximo passo
Nem sempre é preciso ser titular absoluto para chamar atenção do mercado.
Israel Reyes perdeu a disputa pela lateral direita para Jorge Sánchez durante a Copa do Mundo, mas continua sendo um dos defensores mais valorizados do futebol mexicano. Aos 25 anos, o jogador vive o auge físico da carreira e reúne características bastante procuradas por equipes europeias.
Capaz de atuar tanto como zagueiro quanto como lateral, Reyes oferece versatilidade, força física e boa saída de bola. Nos últimos anos, foi peça importante na sequência de títulos nacionais do Club América, consolidando-se como um dos defensores mais consistentes da Liga MX.
Antes mesmo do Mundial, diversos veículos mexicanos já apontavam um possível acerto com clubes da Serie A italiana. A Roma apareceu como principal interessada, embora outras equipes do país também tenham monitorado sua situação.
Caso a negociação se concretize, Reyes terá a oportunidade de mostrar que seu futebol pode render ainda mais em um ambiente de maior exigência técnica e tática.
Raúl Rangel vive ascensão meteórica
Poucos jogadores cresceram tanto em tão pouco tempo quanto Raúl Rangel.
Há menos de três anos, o goleiro ainda atuava na segunda divisão mexicana. Hoje, é titular da seleção em uma Copa do Mundo e um dos atletas mais cobiçados do elenco.
O arqueiro do Chivas iniciou o Mundial sem sofrer gols durante impressionantes 438 minutos. Embora a defesa mexicana tenha funcionado muito bem coletivamente, Rangel apareceu quando foi exigido, especialmente na vitória sobre a Coreia do Sul, quando protagonizou uma defesa dupla espetacular nos minutos finais.
Além das boas intervenções debaixo das traves, outro ponto chama atenção.
Seu jogo com os pés evoluiu significativamente, característica que pesa cada vez mais no futebol europeu. A capacidade para iniciar jogadas e participar da construção ofensiva foi um dos fatores que fizeram Javier Aguirre escolhê-lo como titular da seleção.
Clubes de Portugal e da Bélgica acompanham sua evolução, e o próprio goleiro já confirmou que seu empresário mantém conversas com equipes do continente europeu.
Brian Gutiérrez ganhou espaço rapidamente
Se alguém dissesse no início de 2026 que Brian Gutiérrez seria um dos jogadores mais utilizados por Javier Aguirre durante a preparação para a Copa do Mundo, muita gente provavelmente duvidaria. Mas foi exatamente isso que aconteceu.
Depois de trocar o Chicago Fire pelo Chivas e optar por defender o México em vez dos Estados Unidos, o meio-campista rapidamente conquistou espaço na seleção.
Embora sua participação durante o Mundial tenha diminuído conforme a competição avançava, Gutiérrez mostrou qualidade suficiente para despertar interesse internacional.
O camisa 23 reúne características muito valorizadas no futebol moderno.
É um meio-campista que percorre grandes distâncias durante os jogos, ajuda na marcação, conduz bem a bola e ainda possui boa finalização de média distância.
Clubes da Ligue 1 e da Eredivisie aparecem como possíveis destinos. A única dificuldade pode ser convencer o Chivas a negociar um atleta contratado há poucos meses.
Julián Quiñones viveu a Copa da vida
Entre todos os jogadores mexicanos, ninguém brilhou tanto no ataque quanto Julián Quiñones.
Autor de quatro gols em cinco partidas, o atacante terminou a Copa como o maior artilheiro do México em uma única edição do torneio neste século.
A trajetória do camisa 11 é bastante diferente da maioria.
Nascido na Colômbia, Quiñones construiu praticamente toda sua carreira na Liga MX antes de seguir para o futebol saudita, onde defende o Al Qadsiah.
A mudança não diminuiu seu rendimento. Muito pelo contrário.
Depois de conquistar a Chuteira de Ouro da Saudi Pro League, superando nomes como Cristiano Ronaldo e Ivan Toney, o atacante chegou embalado ao Mundial e confirmou sua excelente fase.
A idade, porém, pode ser um obstáculo. Aos 29 anos, dificilmente será tratado como um investimento para o futuro. Ainda assim, seu desempenho recente mostra que pode oferecer impacto imediato para clubes que buscam reforços experientes no setor ofensivo.
Erik Lira foi um dos grandes vencedores da Copa
Talvez nenhum jogador tenha valorizado tanto seu passe durante a competição quanto Erik Lira.
O volante do Cruz Azul realizou um Mundial praticamente impecável pelo México. Incansável na marcação, agressivo na recuperação da posse e extremamente disciplinado taticamente, Lira tornou-se um dos pilares do sistema montado por Javier Aguirre.
Apesar da baixa estatura, compensa qualquer desvantagem física com excelente posicionamento e intensidade durante os 90 minutos.
Além disso, demonstra maturidade ao distribuir passes simples e evitar riscos desnecessários, permitindo que jogadores mais criativos assumam a responsabilidade ofensiva.
Clubes como Girona, Lens, Real Betis, Feyenoord e Ajax aparecem entre os interessados no volante.
Após a eliminação para a Inglaterra, o próprio atleta admitiu que considera ter chegado o momento de realizar o sonho de atuar no futebol europeu.
Tudo indica que essa mudança está cada vez mais próxima.
Gilberto Mora é a joia mais valiosa da nova geração
Se existe um nome capaz de simbolizar o futuro do futebol mexicano, esse nome é Gilberto Mora.
Apenas 17 anos, enorme personalidade e talento suficiente para despertar interesse das maiores potências do futebol europeu.
Durante a Copa do Mundo pelo México, o meia mostrou lampejos da qualidade que já vinha exibindo pelo Tijuana desde sua estreia profissional, ainda aos 15 anos.
Contra o Equador, nas oitavas de final, entrou para a história ao se tornar o jogador mais jovem a disputar um mata-mata de Copa do Mundo desde Pelé, em 1958.
Sua leitura de jogo impressiona. A facilidade para encontrar espaços, a precisão nos passes e a tranquilidade com a bola nos pés fazem muitos especialistas apontarem Mora como o maior talento produzido pelo México em uma geração.
Naturalmente, os gigantes europeus passaram a observá-lo ainda mais de perto.
Liverpool e Arsenal surgem entre os principais interessados, enquanto o próprio jogador nunca escondeu que sonha, um dia, em vestir a camisa do Real Madrid. Fã declarado de Jude Bellingham, Mora revelou recentemente que gostaria de atuar ao lado do inglês no futuro.
Por questões envolvendo as regras de transferências internacionais de menores de idade, ele só poderá atuar na Europa quando completar 18 anos, em outubro. Mesmo assim, nada impede que um acordo seja fechado ainda nesta janela para que a transferência seja concluída no início de 2027.
O futuro do México passa pela Europa
A campanha do México na Copa do Mundo mostrou que o país voltou a produzir jogadores capazes de competir em alto nível internacional. Mais do que resultados, o torneio serviu como uma vitrine para atletas que agora despertam interesse em mercados muito mais competitivos.
Se boa parte desses nomes realmente desembarcar nas principais ligas da Europa, o futebol mexicano poderá colher frutos importantes já no próximo ciclo mundial. Afinal, enfrentar semanalmente adversários de elite acelera o desenvolvimento técnico, tático e mental dos jogadores.
O Mundial de 2026 pode ter terminado para o El Tri, mas a sensação é de que a competição marcou apenas o início de uma nova geração. E, para esses seis jogadores, a próxima parada pode ser justamente o palco onde tantos atletas sonham em atuar: os maiores campeonatos da Europa.
Foto: David Ramos/Getty Images