O México começou sua caminhada na Copa do Mundo da melhor forma possível. Diante de um Estádio Azteca lotado e empurrado por uma torcida que transformou a estreia em uma verdadeira festa nacional, o time comandado por Javier Aguirre controlou a África do Sul durante a maior parte dos 90 minutos e venceu por 2 a 0. Os gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez garantiram os primeiros três pontos dos anfitriões no Grupo A e confirmaram o favoritismo mexicano diante de um adversário que encontrou muitas dificuldades para competir em igualdade de condições.
Os mexicanos agora chegam à sua quarta vitória seguida e voltam à campo no dia 18, no estádio Akron, em Guadalajara, quando enfrentam a Coreia do Sul. Os sul-africanos, por sua vez, têm mais uma oportunidade de conquistar seus primeiros pontos na Copa ao enfrentar a Tchéquia, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
O jogo
A vitória foi construída com autoridade. Desde os primeiros minutos, o México mostrou intensidade na pressão, organização na posse de bola e superioridade técnica em praticamente todos os setores do campo. A África do Sul até tentou resistir nos instantes iniciais, mas não conseguiu escapar da pressão imposta pelos donos da casa e acabou sendo castigada por erros na saída de bola e pela perda de controle emocional na segunda etapa.
Empurrado por mais de 80 mil torcedores, o México começou a partida em ritmo acelerado. A estratégia de Aguirre era clara: pressionar a saída de bola sul-africana e recuperar a posse o mais próximo possível da área adversária. A tática deu resultado rapidamente. Aos nove minutos, Érik Lira roubou a bola de Sithole na intermediária ofensiva e iniciou uma jogada que terminou nos pés de Julián Quiñones. O atacante avançou em velocidade, invadiu a área e finalizou rasteiro para vencer o goleiro Williams e marcar o primeiro gol desta edição da Copa do Mundo.
O gol trouxe ainda mais tranquilidade para os mexicanos, que passaram a controlar completamente a partida. Com boa circulação de bola e movimentação constante dos homens de frente, o México encontrou espaços com facilidade e criou novas oportunidades para ampliar a vantagem. Raúl Jiménez apareceu com perigo em finalizações dentro da área, enquanto o próprio Quiñones voltou a assustar ao acertar a trave em uma das melhores jogadas da primeira etapa.
A África do Sul teve enormes dificuldades para responder. Sem conseguir manter a posse de bola por longos períodos, a seleção africana passou a maior parte do primeiro tempo correndo atrás dos mexicanos. Quando conseguia avançar ao campo ofensivo, encontrava uma defesa bem posicionada e pouco vulnerável. O goleiro mexicano praticamente não foi exigido antes do intervalo.
Mesmo sem ampliar o placar nos primeiros 45 minutos, a sensação era de que o México tinha total controle do confronto. A equipe anfitriã terminava a etapa inicial com maior posse de bola, mais finalizações e muito mais presença ofensiva, enquanto a África do Sul dependia de erros adversários para criar algum tipo de perigo.
Se a situação já era complicada para os sul-africanos, ela ficou ainda pior logo nos primeiros minutos da segunda etapa. Aos cinco minutos, Sithole voltou a ser protagonista negativamente. O jogador cometeu falta dura sobre Brian Gutiérrez, que avançava em velocidade em direção à área, e recebeu cartão vermelho direto. Com um jogador a mais, o México passou a dominar completamente o campo ofensivo e transformou a partida em um ataque contra defesa.
A vantagem numérica permitiu que os mexicanos trabalhassem a bola com ainda mais paciência. Sem pressa, a equipe rodava a posse de um lado para o outro até encontrar espaços na defesa adversária. A África do Sul, cada vez mais recuada, tentava sobreviver ao bombardeio constante.
O segundo gol parecia apenas uma questão de tempo e acabou saindo aos 22 minutos. Roberto Alvarado recebeu aberto pela direita, puxou a bola para a perna esquerda e levantou na medida para Raúl Jiménez. Livre na segunda trave, o experiente atacante subiu mais alto que a defesa e cabeceou para o fundo das redes, ampliando a vantagem mexicana e praticamente definindo o resultado da partida.
A partir daquele momento, a confiança mexicana cresceu ainda mais, enquanto a África do Sul demonstrava sinais claros de abatimento. Sem conseguir reagir tecnicamente, a equipe africana passou a cometer erros cada vez mais frequentes e perdeu o equilíbrio emocional.
A situação ficou definitiva aos 36 minutos, quando Zwane se envolveu em uma disputa com Roberto Alvarado e acertou o rosto do adversário. Após revisão do VAR, o árbitro mostrou o cartão vermelho direto. Com apenas nove jogadores em campo, a África do Sul passou a administrar os minutos finais enquanto o México controlava a posse de bola e evitava qualquer tipo de desgaste desnecessário.
Mesmo com dois jogadores a mais, os anfitriões não aceleraram o ritmo em busca de uma goleada. Pelo contrário. A equipe administrou a vantagem, valorizou a posse e conduziu os minutos finais sem correr riscos, garantindo uma estreia tranquila diante de sua torcida.
Final: México 2-0 África do Sul
México controla o jogo e conquista uma vitória contundente em casa
A estreia do México deixou uma impressão extremamente positiva. Mais do que o resultado, chamou atenção a forma como a equipe conseguiu controlar todos os aspectos do jogo. A pressão alta funcionou desde os primeiros minutos, o meio-campo venceu praticamente todos os duelos e o sistema defensivo mostrou segurança quando foi exigido.
Érik Lira foi um dos grandes destaques da partida. Além de participar diretamente do lance do primeiro gol, o volante teve papel fundamental na recuperação de bola e no controle das transições defensivas. Sua atuação permitiu que os jogadores mais criativos atuassem com liberdade e encontrassem espaços entre as linhas adversárias.
Julián Quiñones também teve atuação de destaque. O atacante foi agressivo, atacou os espaços constantemente e premiou sua movimentação com o gol que abriu o placar. Ao lado dele, Raúl Jiménez mostrou mais uma vez sua importância como referência ofensiva, participando da construção das jogadas e sendo decisivo ao marcar o segundo gol da partida.
Outro aspecto positivo foi a maturidade demonstrada pela equipe após abrir vantagem. Em vez de se lançar de maneira desorganizada ao ataque, o México manteve o controle emocional e soube administrar os diferentes momentos do jogo. Essa capacidade de alternar intensidade e paciência pode ser um diferencial importante ao longo da competição.
Pelo lado sul-africano, a partida evidenciou problemas preocupantes. A equipe sofreu muito com a pressão adversária, apresentou dificuldades na saída de bola e mostrou pouca capacidade de reação quando ficou atrás no placar. As expulsões de Sithole e Zwane refletem também uma falta de controle emocional que pode custar caro em um torneio de tiro curto como a Copa do Mundo.
O México larga na competição com três pontos, confiança elevada e a sensação de que possui recursos suficientes para competir em alto nível. Ainda é cedo para apontar até onde os anfitriões podem chegar, mas a estreia mostrou uma seleção organizada, intensa e capaz de impor seu estilo de jogo. Para uma equipe que sonha em fazer história diante de sua torcida, o primeiro passo foi dado de forma convincente.
(Foto: Yuri Cortez/AFP)