O Miami Heat recentemente renovou o contrato de Pelle Larsson por US$ 60 milhões em quatro anos, após também estender o vínculo com Andrew Wiggins por US$ 64 milhões em três temporadas. Os movimentos fazem parte de uma estratégia financeira que vem sendo executada pela franquia e que já foi utilizada durante a grande fase da equipe entre 2010 e 2014.
Confira como é a estratégia adotada pelo Miami Heat

O modus operandi da estratégia financeira do Miami Heat é simples de entender. A franquia concentra o máximo possível de sua folha salarial nos jogadores considerados mais importantes, oferecendo contratos longos, enquanto monta o restante do elenco com acordos de baixo custo, que mantêm um bom valor de troca caso seja necessário remodelar o time.
Essa foi a estratégia utilizada na montagem do elenco do ‘Big Three’ formado por LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. A ideia é ter um núcleo forte para que o restante do elenco seja construído ao redor dos principais jogadores, tornando mais difícil uma queda acentuada de desempenho durante um processo de remontagem.
A grande diferença entre o cenário atual e o anterior é que, em vez de serem três protagonistas, atualmente são dois: Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo. A dupla custará cerca de US$ 116 milhões nesta temporada, e Giannis ainda deve assinar uma extensão contratual pelo valor máximo no futuro.
Andrew Wiggins, que atualmente possui o 3º maior salário do Miami Heat, receberá US$ 30 milhões em 2026/27, mas seu salário cairá significativamente a partir de 2027/28. Isso significa que, no 2º ano de seu contrato vigente, ele passará a receber um valor mais próximo do que geralmente é destinado a reservas ou titulares de menor destaque na equipe.
A estrutura do contrato de Wiggins permitiu que o Heat fizesse mais um movimento: a renovação de Pelle Larsson. O novo vínculo do sueco entrará em vigor a partir de 2027/28 e, mesmo com um aumento gradual no salário ao longo dos anos, os US$ 60 milhões em quatro anos representam um custo-benefício interessante para a franquia.
Na prática, a franquia pagará os dois jogadores a partir de 2027/28 por um valor próximo ao que desembolsará somente com Wiggins nesta temporada. Essa estrutura também abre espaço para que o Miami Heat possa fechar um novo acordo com Davion Mitchell, que entrará no último ano de seu contrato atual.
A franquia poderá oferecer um aumento salarial ao armador sem aumentar significativamente sua exposição à luxury tax. Sendo assim, a partir da temporada 2027/28, o Heat poderá ter Andrew Wiggins, Pelle Larsson, Davion Mitchell, Nikola Jovic e Bobby Portis com salários na faixa dos US$ 12 milhões aos US$ 19 milhões, caso Mitchell permaneça na equipe com um novo contrato.
Isso os torna boas moedas de troca no futuro, podendo ser envolvidos em uma negociação por outra estrela, caso a franquia tenha interesse em fazer um movimento desse tipo. A estrutura também permitiu que o Miami Heat fizesse dois movimentos importantes nesta offseason, contratando Klay Thompson e Tim Hardaway Jr para reforçar o perímetro da equipe.
Porém, há uma pequena brecha na estratégia financeira do Miami Heat

O contrato de Nikola Jovic é o único entre os atuais jogadores do Miami Heat que pode parecer um pouco problemático. O sérvio ainda é um jovem de 23 anos que pode seguir evoluindo, mas sua disponibilidade e produção em quadra não parecem condizer com um jogador que receberá cerca de US$ 16 milhões em 2026/27.
Caso Jovic tenha um desempenho convincente nesta temporada, poderá se tornar um nome importante do elenco, mesmo sem atuar como titular. Porém, caso isso não aconteça, ainda não seria um grande desastre para o Heat, que recentemente teve um compromisso de cerca de US$ 26 milhões com Terry Rozier, jogador que ficou afastado da equipe na última temporada.
A franquia também pagava a Tyler Herro o triplo do salário que Pelle Larsson irá receber a partir de 2027/28. A estratégia adotada pelo Miami Heat a partir de agora remete aos grandes momentos da franquia e mostra uma estrutura financeira mais planejada, que permite concentrar os maiores salários em seus principais jogadores sem comprometer completamente a flexibilidade do elenco.
O resultado é uma equipe que já chega para a temporada com um grupo competitivo e, ao mesmo tempo, mantém margem para novos movimentos no futuro. Isso é ainda mais interessante porque permite ao Miami Heat recalcular sua rota caso o projeto não funcione como esperado dentro de quadra.
FOTO: Wilfredo Lee/AP Photo



