Michael Page deixou o UFC com cinco vitórias em seis lutas, mas o fim da passagem pela organização não aconteceu da maneira que o lutador esperava. Depois de vencer Nursulton Ruziboev no UFC Paris, o inglês descobriu que não teria seu contrato renovado e agora revelou que ficou incomodado principalmente com a forma como a decisão foi conduzida.
A saída de Michael Page chamou atenção justamente pelo contraste entre seu retrospecto e a maneira como terminou sua passagem pelo UFC. O lutador venceu quatro combates consecutivos antes de deixar a organização, mas Dana White confirmou que não havia intenção de oferecer um novo contrato. Para Page, porém, a questão não foi apenas ser liberado: foi a falta de uma conversa mais clara sobre seu futuro.
O inglês chegou ao UFC em 2024 carregando uma reputação construída durante sua passagem pelo Bellator, onde ficou conhecido pelo estilo pouco convencional, movimentação rápida e golpes que frequentemente pareciam sair de um videogame. No UFC, entretanto, a história acabou sendo bem diferente. Michael Page conseguiu resultados importantes, mas também recebeu críticas por apresentações consideradas cautelosas demais.
Michael Page terminou passagem com 5-1
O retrospecto de Michael Page no UFC ajuda a entender por que a saída gerou discussão. O inglês venceu cinco de suas seis lutas na organização, com a única derrota acontecendo contra Ian Machado Garry, em junho de 2024. Depois daquele resultado, ele emendou quatro vitórias consecutivas.
A sequência começou com uma vitória sobre Sharabutdin Magomedov, em fevereiro de 2025, resultado que chamou bastante atenção porque representou a primeira derrota da carreira de Shara. Depois, Page superou Jared Cannonier, ex-desafiante ao cinturão dos médios, e posteriormente venceu Sam Patterson no retorno aos meio-médios.
A última luta veio contra Nursulton Ruziboev no UFC Paris. Michael Page venceu por decisão unânime, com os três juízes marcando 29-28, mas o combate acabou recebendo muitas vaias da torcida presente na Accor Arena. A vitória, portanto, veio acompanhada de uma atuação que não empolgou o público.
Mesmo assim, o resultado fez Page terminar sua passagem pelo UFC com cinco triunfos em seis apresentações. No cartel profissional, ele chegou a 26 vitórias e apenas três derrotas.
Problema foi a forma da saída
A principal reclamação de Michael Page não parece estar relacionada exclusivamente ao fato de não ter recebido uma renovação. O lutador afirmou que esperava ao menos uma conversa com a organização para entender o que poderia fazer diferente.
Segundo Page, ele sabia que poderia receber uma proposta financeira abaixo do que gostaria e estava preparado para negociar. O que o surpreendeu foi a falta de comunicação e a maneira como a situação terminou.
O inglês também citou um episódio ocorrido após sua vitória em Paris. Page afirmou que não teve a oportunidade de fazer uma entrevista pós-luta diante dos torcedores. Para ele, aquele momento teria sido importante para conversar com os fãs e fechar o ciclo dentro da organização de uma maneira diferente.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque Dana White confirmou publicamente que o UFC não pretendia renovar o contrato. O dirigente tratou a situação como algo que já estava definido e afirmou que não havia confusão sobre a saída do lutador.
Para Michael Page, porém, a questão era justamente essa: se a decisão já estava tomada, ele gostaria de ter recebido uma comunicação mais direta antes de descobrir que seu vínculo com o UFC havia terminado.
Críticas ao estilo também pesaram
É impossível falar sobre a saída de Michael Page sem mencionar um dos principais pontos de discussão durante sua passagem pelo UFC: suas performances nem sempre combinaram com a imagem que construiu no Bellator.
Page chegou à organização com a fama de ser um dos lutadores mais criativos do MMA. Seu estilo baseado em movimentação, distância, reflexos e ataques pouco ortodoxos fez dele uma figura bastante popular antes mesmo de chegar ao UFC.
O problema é que, na maior organização de MMA do mundo, Page passou a priorizar em muitos momentos uma abordagem mais segura. As cinco vitórias no UFC foram por decisão, e isso contribuiu para uma percepção de que ele não estava aproveitando todo o potencial ofensivo que havia apresentado anteriormente.
Robert Whittaker, ex-campeão dos médios, foi um dos nomes que criticaram a apresentação de Page contra Ruziboev. Ao mesmo tempo, Whittaker reconheceu a habilidade do inglês e destacou como sua movimentação e capacidade de controlar a distância são difíceis de enfrentar.
Esse talvez seja o ponto mais curioso da história. Michael Page conseguiu fazer aquilo que qualquer lutador precisa fazer para vencer: encontrou maneiras de ganhar. O problema é que, no UFC, vencer nem sempre é suficiente para garantir que o público, os dirigentes e os matchmakers fiquem convencidos de que vale a pena investir novamente naquele atleta.
Michael Page agora está no mercado
Com o contrato encerrado, Michael Page passa a ser um dos nomes mais conhecidos disponíveis no mercado do MMA. Aos 39 anos, ele ainda possui um cartel profissional de 26-3 e vem de quatro vitórias consecutivas.
E interesse não parece faltar. Jake Paul, por exemplo, já manifestou publicamente interesse em levar Page para sua organização, a MVP MMA. A mensagem foi curta e bastante sugestiva: Paul indicou que seria hora de levar “MVP para MVP”.
Outras possibilidades também podem aparecer. A saída do UFC abre espaço para que Page escolha um novo caminho e, principalmente, tente recuperar um pouco da identidade que o tornou famoso no Bellator.
O próprio lutador parece interessado em mostrar que ainda pode entregar performances diferentes das últimas apresentações no UFC. Se conseguir encontrar uma organização disposta a colocar sua habilidade ofensiva novamente no centro do projeto, Michael Page pode transformar uma saída frustrante em uma nova fase da carreira.
Fim frustrante, mas não necessariamente o fim
A história de Michael Page no UFC termina com uma espécie de paradoxo. Por um lado, ele não conseguiu chegar à disputa pelo cinturão e teve apresentações que deixaram parte do público insatisfeita. Por outro, deixou a organização com cinco vitórias em seis lutas, quatro triunfos consecutivos e apenas uma derrota.
É justamente essa combinação que torna sua saída tão interessante. O UFC não costuma tomar decisões apenas olhando para o cartel, e o caso de Page mostra como desempenho, estilo, idade, categoria e interesse comercial podem pesar simultaneamente na trajetória de um atleta.
Agora, Michael Page terá a oportunidade de escolher onde continuar sua carreira. A passagem pelo UFC não terminou com o cinturão que ele buscava, mas também está longe de representar um fracasso esportivo pelo simples fato de não ter conseguido uma renovação.
O inglês saiu com um retrospecto vencedor e, principalmente, com uma questão que parece estar incomodando mais do que a própria decisão: por que a organização não conversou com ele antes de fechar a porta?
A resposta do UFC já está dada. A de Michael Page, pelo visto, ainda será construída dentro do cage.
Foto: Getty Images



