O Milan vive um daqueles momentos que deixam o torcedor com a testa franzida e o celular na mão atualizando notícia a cada cinco minutos. Em pleno 19 de junho, o clube ainda não definiu um diretor esportivo nem um CEO, algo que já liga o alerta no ambiente rossonero e remete a cenários mais instáveis do passado recente.
A lembrança inevitável vai para 2018, quando o clube rossonero também atrasou decisões estruturais e acabou entrando no mercado apenas em agosto, já em desvantagem em relação aos rivais. A diferença agora é que existe um nome claro no comando técnico: Ruben Amorim, que já chegou com ideias bem definidas sobre o elenco e não parece disposto a esperar o clube “se organizar sozinho”.
Amorim chega com pressa e com lista na mão
O treinador português quer acelerar o processo de reconstrução. Mesmo sem toda a estrutura administrativa definida, já indicou ajustes importantes no elenco, tanto para chegadas quanto para saídas.
A ideia central do novo Milan é clara: reorganizar o time em cima de uma defesa de três, mas com uma filosofia mais moderna do que modelos anteriores. Nada de linha baixa passiva. Amorim quer um time que saia jogando com qualidade, velocidade e agressividade desde a primeira construção. E isso impacta diretamente o elenco atual.
Defesa: base mantida, mas com cortes e dúvidas
Na linha defensiva, alguns nomes devem permanecer como base inicial da reconstrução. Casos de Matteo Gabbia e De Winter, que entram no projeto como opções de rotação e profundidade. Mas nem tudo é estabilidade.
O futuro de Strahinja Pavlović ainda está em aberto. O defensor sérvio gostaria de continuar no clube, porém o interesse da Premier League pode mudar o cenário rapidamente, dependendo do tipo de proposta que chegar à mesa.
Já Fikayo Tomori vive situação ainda mais delicada. O zagueiro inglês aparece como possível peça de mercado, e uma saída não está descartada pela nova comissão técnica.
Para reforçar o setor, Amorim pediu pelo menos dois zagueiros. Um dos nomes monitorados é Gonçalo Inácio, jogador que o treinador conhece bem de sua passagem pelo Sporting. Além disso, o jovem Odogu deve ser emprestado para ganhar experiência.
Meio-campo: o setor que mais pode mudar
Se a defesa rossonera vai passar por ajustes, o meio-campo promete ser o setor mais transformado do Milan.
No topo da lista de desejos está Morten Hjulmand, volante dinamarquês que também atua no Sporting. É o perfil que Amorim considera ideal: físico forte, inteligência tática e capacidade de organizar o jogo desde trás.
Caso o negócio não avance, o treinador quer um nome com características semelhantes.
Enquanto isso, o clube já trabalha com uma possível limpeza no setor. Ruben Loftus-Cheek e Youssouf Fofana aparecem como jogadores disponíveis no mercado, o que reforça a ideia de reformulação profunda.
Outro nome que não seguirá no clube é Luka Modrić, que não deve renovar seu contrato. Por outro lado, alguns jogadores podem ganhar nova chance. Casos de Jashari e Ricci, ex-Torino, que entram no radar como possíveis peças de rotação.
Já Adrien Rabiot é um caso à parte: Amorim gostaria da permanência, mas a decisão final depende exclusivamente do jogador.
Laterais e ajustes pontuais
Nas laterais, as decisões também começam a desenhar o novo projeto.
O treinador não pretende seguir com Pervis Estupiñán no elenco do Milan, indicando uma mudança de perfil para a função. Em contrapartida, pediu a permanência de Davide Bartesaghi e Alexis Saelemaekers, considerados úteis dentro da estrutura tática que está sendo montada.
Ataque: Pulisic intocável, Leão em dúvida
No setor ofensivo do Milan, o cenário também mistura segurança e incerteza.
Christian Pulisic é visto como peça fundamental no novo projeto. Amorim considera o atacante norte-americano um dos pilares técnicos do time e quer sua permanência como base do ataque.
Além dele, o treinador demonstrou interesse técnico em Christopher Nkunku, que pode ganhar papel importante caso chegue ou permaneça no elenco.
A grande dúvida do setor atende pelo nome de Rafael Leão. Neste momento, o cenário aponta até maior chance de saída do que de continuidade, o que seria uma mudança enorme no projeto ofensivo do clube.
Já Santiago Giménez deve ser negociado, enquanto Niclas Füllkrug não será comprado em definitivo.
Um Milan em construção e sem tempo para erro
O ponto central de tudo isso é simples: o Milan não está apenas ajustando peças. Está redefinindo direção. E Rúben Amorim não parece disposto a esperar o clube “se encontrar sozinho”. Ele quer decisão rápida, elenco moldado ao seu estilo e um time capaz de competir em alto nível desde o início da temporada.
O torcedor do Milan, por enquanto, assiste a tudo de longe com a sensação de que o próximo capítulo pode ser tanto de reconstrução sólida quanto de mudanças profundas demais para um curto espaço de tempo.
No futebol moderno, a diferença entre os dois cenários costuma estar nos detalhes. E o Milan, neste momento, está justamente vivendo no meio deles.
Foto: REUTERS/Scott Heppell