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Serie A

Milan busca novo treinador e avalia quatro perfis para iniciar um novo ciclo

O Milan vive mais um momento decisivo em sua reconstrução esportiva. Depois de passagens sem grande sucesso de Paulo Fonseca, Sérgio Conceição e Massimiliano Allegri, a diretoria rossonera procura um treinador capaz de iniciar um projeto duradouro e devolver estabilidade ao clube. A busca não se limita apenas a encontrar um técnico competente. O objetivo é contratar um profissional que chegue respaldado pela direção, tenha força perante o elenco e seja capaz de implementar uma identidade de jogo clara.

Segundo as informações divulgadas na Itália, quatro nomes aparecem como principais candidatos: Oliver Glasner, Matthias Jaissle, Rúben Amorim e Mauricio Pochettino. Apesar das diferenças entre eles, existe um ponto em comum. O Milan quer abandonar modelos mais conservadores e apostar em um futebol ofensivo, agressivo e moderno, inspirado em conceitos semelhantes aos defendidos por Cesc Fàbregas, atual treinador do Como.

A análise da diretoria passa tanto por aspectos técnicos quanto por questões de liderança, personalidade e capacidade de gestão de grupo. Por isso, a escolha vai muito além dos resultados recentes de cada candidato.

Glasner e Jaissle representam a influência da escola Red Bull

Glasner
Foto: Getty Images

Entre os quatro nomes analisados, Oliver Glasner e Matthias Jaissle possuem uma característica em comum: ambos foram formados dentro do universo futebolístico ligado ao grupo Red Bull.

Essa escola de jogo ganhou notoriedade nas últimas décadas por priorizar intensidade, pressão alta, recuperação rápida da posse de bola e ataques verticais. O objetivo é simples: recuperar a bola o mais próximo possível do gol adversário e transformar rapidamente a posse em oportunidades de ataque.

Glasner é considerado um dos candidatos mais experientes do grupo. O treinador austríaco utiliza normalmente um sistema 3-4-2-1 que pode se transformar em um 4-4-2 durante as partidas. Seu modelo valoriza muito a participação dos alas e dos meias ofensivos que atuam entre as linhas rivais.

Pensando no atual elenco do Milan, essa proposta poderia favorecer jogadores criativos e móveis. A ideia de utilizar atletas como Christian Pulisic e Christopher Nkunku atrás do centroavante se encaixaria perfeitamente em seu sistema.

Além disso, Glasner apresenta um currículo internacional relevante. Entre os quatro candidatos, é apontado como o treinador com maior experiência vencedora em competições continentais, fator que pesa positivamente em uma equipe que pretende voltar a disputar títulos de expressão.

Já Matthias Jaissle surge como a alternativa mais inovadora. O alemão prefere trabalhar com uma linha defensiva de quatro jogadores, utilizando principalmente os sistemas 4-3-3 e 4-3-1-2.

Seu futebol é extremamente vertical. Diferentemente de equipes que valorizam longas trocas de passes, Jaissle busca acelerar as jogadas e atacar rapidamente os espaços deixados pelos adversários.

Os números de suas equipes costumam refletir essa proposta. Em seus trabalhos anteriores, os times frequentemente apresentaram elevado volume de pressão no campo ofensivo e recuperação de posse em zonas avançadas.

O grande desafio desse modelo é o risco defensivo. Quando a primeira linha de pressão é superada, surgem espaços consideráveis nas costas da equipe. Por isso, sua implementação exige jogadores fisicamente preparados e com alto nível de disciplina tática.

Rúben Amorim e Pochettino oferecem experiência em grandes mercados

Mauricio Pochettino, Estados Unidos. Foto: Reuters/Daniel Cole
Mauricio Pochettino, Estados Unidos. Foto: Reuters/Daniel Cole

Se Glasner e Jaissle representam a modernidade da escola Red Bull, Rúben Amorim e Mauricio Pochettino oferecem trajetórias construídas em ambientes de grande pressão.

Amorim entrou na lista do Milan apesar do desempenho decepcionante no Manchester United. A diretoria italiana procura analisar sua carreira de forma mais ampla, levando em consideração principalmente o excelente trabalho realizado anteriormente no Sporting.

O português utiliza sistemas baseados em três defensores, normalmente variando entre o 3-4-2-1 e o 3-4-1-2. Seu futebol combina intensidade, agressividade e recuperação imediata da bola.

Uma das características mais marcantes de suas equipes é a importância atribuída aos alas. Eles são fundamentais tanto para criar superioridade ofensiva quanto para recompor defensivamente.

No entanto, existe um fator que pode influenciar a avaliação do Milan. O modelo de Amorim exige jogadores tecnicamente muito qualificados, capazes de tomar decisões rápidas sob pressão. Considerando as limitações técnicas demonstradas por parte do elenco rossonero nas últimas temporadas, essa adaptação poderia demandar tempo.

Pochettino apresenta um perfil diferente.

O argentino utiliza preferencialmente o 4-2-3-1 ou o 4-3-3, sistemas mais familiares para muitos jogadores do atual grupo. Embora sua filosofia seja menos revolucionária do que a de alguns concorrentes, ela continua baseada em intensidade, movimentação constante e pressão coordenada.

A principal diferença está no equilíbrio.

Entre todos os candidatos, Pochettino é considerado o treinador mais preocupado em manter a organização coletiva. Suas equipes atacam de forma agressiva, mas sem abrir mão da proteção defensiva.

Outro aspecto valorizado pela diretoria é a liberdade criativa que costuma oferecer aos jogadores ofensivos. Em um elenco que conta com atletas talentosos no setor de criação, essa característica pode representar um diferencial importante.

Além disso, Pochettino possui vasta experiência em clubes de elite e em grandes competições internacionais. Passagens por Tottenham, PSG e Chelsea fizeram com que se acostumasse à pressão de trabalhar em ambientes de alta exigência.

O desafio do Milan vai além da escolha do treinador

A busca por um novo técnico acontece em um contexto delicado para o clube. Nas últimas temporadas, o Milan enfrentou dificuldades para estabelecer uma identidade esportiva consistente e construir um projeto de longo prazo.

Por isso, a decisão não será baseada apenas em aspectos táticos.

A diretoria quer evitar erros recentes, como a contratação de treinadores que chegaram sem apoio total da estrutura do clube ou sem uma convicção clara por parte dos dirigentes.

O escolhido precisará reunir qualidades de líder, gestor e estrategista. Também deverá ser capaz de convencer um elenco que passou por mudanças constantes e diferentes ideias de jogo em um curto espaço de tempo.

Glasner oferece experiência internacional e uma proposta ofensiva consolidada. Jaissle representa juventude e inovação. Amorim traz intensidade e conceitos modernos de pressão. Pochettino adiciona equilíbrio e experiência em grandes palcos.

Independentemente do nome escolhido, a mensagem transmitida pela diretoria é clara: o Milan pretende iniciar uma nova fase baseada em um futebol mais agressivo, ofensivo e moderno. Agora, resta saber qual dos quatro candidatos será considerado o homem ideal para liderar essa transformação e recolocar o clube entre os protagonistas do futebol europeu.

(Foto de capa: AP)

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Kaique