O Real Madrid vive um momento decisivo na construção do elenco que será comandado por Xabi Alonso. Enquanto o ataque parece estar bem resolvido — com Mbappé, Vinicius Júnior e Bellingham prontos para brilhar —, e o meio-campo, embora com lacunas, ainda conta com nomes confiáveis, é na defesa que o clube realmente está em modo de reconstrução. E no centro dessa reestruturação está um nome conhecido da torcida: Éder Militão.
O brasileiro, que voltou aos gramados recentemente após duas gravíssimas lesões nos ligamentos cruzados — uma em cada joelho, em temporadas consecutivas —, é a peça que pode ditar o rumo da defesa merengue em 2025. Se estiver bem, o Real pode manter o que já tem. Se demonstrar limitações, não vai restar outra alternativa senão buscar outro zagueiro de peso no mercado.
Um setor que pede renovação
A movimentação do Real Madrid nesta janela deixa claro: a diretoria identificou a zaga como um ponto frágil. Dos quatro reforços já confirmados, três são defensores — o lateral-direito Trent Alexander-Arnold, o lateral-esquerdo Carreras e o zagueiro Dean Huijsen. E isso sem contar o jovem Mastantuono, meia ofensivo, e os garotos Asencio (promovido ao time principal) e Joan Martínez, que deve ganhar minutos mesmo sendo do Castilla.
Essas contratações miram o futuro, mas há uma preocupação com o presente. Alaba está na lista de possíveis saídas, porém seu alto salário dificulta a negociação. Rüdiger, por sua vez, não teve bom desempenho recente, especialmente no Mundial de Clubes, e também está com a saída aberta. Caso os dois realmente deixem o clube, o setor central da defesa ficaria exposto.
Tudo depende de Militão
E é aí que entra Militão. O zagueiro de 26 anos foi peça-chave na campanha vitoriosa do Real na temporada 2021/22, quando o clube conquistou Liga e Champions League. Desde sua chegada, em 2019, vindo do Porto por 50 milhões de euros, ele mostrou capacidade de crescimento, boa leitura de jogo, velocidade nas coberturas e potência no jogo aéreo.
Mas as lesões complicaram sua trajetória recente. O brasileiro rompeu os ligamentos cruzados de ambos os joelhos em temporadas consecutivas — uma raridade e um enorme desafio para qualquer atleta. A boa notícia é que ele tem se mostrado um recuperador rápido. Tanto que conseguiu atuar por 26 minutos contra o PSG, num amistoso nos Estados Unidos, durante a pré-temporada.
Retorno animador, mas cautela necessária
Contra o PSG, Militão deu sinais positivos. Foram 22 participações no jogo, 10 passes certos em 12 tentativas, duas boas ações defensivas (inclusive impedindo finalizações claras de Gonçalo Ramos) e ainda arriscou dois chutes, um deles no alvo. Para quem vinha de lesões tão sérias, o desempenho foi animador — mas ainda é cedo para se empolgar demais.
Sem ele, o Real Madrid perde velocidade na recomposição defensiva, capacidade de corte em bolas longas e poder nas bolas aéreas defensivas e ofensivas. São características que poucos zagueiros do elenco têm com o mesmo impacto. Por isso, a avaliação de sua condição física nos amistosos e nos primeiros jogos da La Liga será crucial.
Ancelotti e a gestão física
Militão se casou recentemente e está de férias, com retorno aos treinos marcado para 4 de agosto. A ideia do clube é utilizá-lo normalmente, sem restrições, mas pessoas próximas ao jogador preferem uma abordagem mais cautelosa. Há quem diga, nos bastidores, que Ancelotti teria forçado o retorno do zagueiro cedo demais na temporada passada, o que contribuiu para o segundo rompimento de ligamento.
Agora, o foco é equilíbrio. O Real quer e precisa testar o jogador, mas sem colocá-lo em risco. A comissão técnica de Xabi Alonso terá que dosar os minutos do brasileiro com sabedoria, principalmente nos três primeiros jogos da temporada, que devem servir como “teste de fogo”.
Konaté na mira: plano B de luxo
Enquanto isso, nos bastidores, o clube mantém os olhos abertos para o mercado. O nome que aparece com mais força é Ibrahima Konaté, do Liverpool. O francês tem só mais um ano de contrato com os Reds, o que pode facilitar uma possível negociação. Por enquanto, o Liverpool pede um valor alto, mas o Real aposta que, com o tempo, os valores baixem — especialmente se Militão não convencer completamente.
Militão tem a chave do sistema
Em resumo: o Real Madrid tem pressa para fechar seu elenco, mas não quer tomar decisões precipitadas. O futuro da zaga passa diretamente pelo desempenho físico e técnico de Militão. Se ele mostrar que está 100%, será titular absoluto ao lado de Huijsen, com apoio dos jovens que estão subindo. Se demonstrar fragilidade, o clube deve partir para uma nova contratação — e investir pesado para não correr riscos.
Para um elenco que pretende brigar em todas as frentes — La Liga, Champions, Supercopa, Mundial —, o sistema defensivo precisa estar em ponto de bala. E Militão, com sua experiência, talento e liderança, pode ser o pilar que falta para consolidar o novo Real Madrid de Xabi Alonso. Tudo depende dele.