Mirassol x LDU, Libertadores 2026. Foto: Rapha Marques/AFP.
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Mirassol perde chance de ouro em casa e se complica: eliminação seria tão ruim assim para o Leão?

O Mirassol tinha uma oportunidade que talvez não apareça novamente tão cedo. Diante de sua torcida, o Leão recebeu a LDU pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores e saiu na frente. Mais do que isso: teve momentos para ampliar a vantagem e transformar a partida em um cenário muito mais confortável para a viagem ao Equador. Não conseguiu.

O 1 a 1 no Maião deixa o confronto completamente aberto e obriga o Mirassol a vencer em Quito para avançar às quartas de final. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis. A partida de volta será no dia 20 de agosto, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, a aproximadamente 2.850 metros de altitude.

O resultado, portanto, tem gosto amargo. Principalmente porque o Mirassol já havia mostrado, na fase de grupos, que era capaz de vencer a LDU em casa. Em maio, o time de Rafael Guanaes fez 2 a 0 no mesmo Maião e chegou a controlar o confronto depois de abrir vantagem.

Desta vez, porém, o roteiro foi diferente. E o Leão deixou escapar uma vantagem que poderia mudar completamente o confronto.

Mirassol saiu na frente, teve chances, mas não matou o jogo

O início foi exatamente o que o Mirassol queria. Aos 14 minutos, Eduardo aproveitou um erro da defesa equatoriana, com Luis Segovia, para abrir o placar e colocar o Leão em vantagem. O gol fez o estádio acreditar que a equipe poderia repetir o resultado da fase de grupos e construir uma vantagem importante para a viagem a Quito.

Só que a LDU não desapareceu do jogo. Ainda no primeiro tempo, os azucenas acertaram a trave duas vezes e mostraram que o empate não seria uma missão impossível. O Mirassol conseguiu levar a vantagem para o intervalo, mas sem transformar o domínio inicial em uma margem segura.

E aí está talvez o principal pecado da equipe. Em um mata-mata, principalmente quando você joga em casa contra um adversário que terá a altitude a seu favor na volta, as oportunidades precisam valer ouro.

O Mirassol teve chances para ampliar no segundo tempo, mas não conseguiu marcar o segundo gol. Aos 36 minutos, veio a punição: Michael Estrada aproveitou uma falha defensiva e deixou tudo igual.

De repente, aquilo que poderia ser uma vitória por 2 a 0 ou até uma vantagem maior virou um empate que coloca o Leão em uma situação bem mais complicada.

E existe uma diferença enorme entre viajar para Quito precisando administrar uma vantagem e viajar precisando obrigatoriamente vencer.

A altitude transforma o empate em um resultado ainda mais pesado

O problema não é apenas o resultado. É onde será o segundo jogo. O Mirassol já sabe o que significa enfrentar a LDU no Rodrigo Paz Delgado. Na fase de grupos, o time paulista perdeu por 2 a 0 em Quito e sofreu bastante para conseguir produzir ofensivamente. Naquela partida, o Leão terminou com apenas cinco finalizações e foi pressionado desde o começo.

Agora, a situação é ainda mais delicada. O empate no Maião significa que o Mirassol não poderá simplesmente jogar por uma igualdade. Precisará vencer para avançar diretamente. E fará isso diante de uma LDU que já demonstrou ser muito mais confortável atuando em casa.

É claro que o cenário não elimina as possibilidades do Leão. O futebol do Mirassol já mostrou capacidade de competir longe de casa. Foi justamente como visitante que a equipe conseguiu uma das vitórias mais importantes de sua campanha na fase de grupos, contra o Always Ready, em Assunção, resultado que garantiu a classificação antecipada às oitavas.

Mas existe uma diferença entre jogar por um resultado que mantém vivo um objetivo e precisar vencer uma equipe forte em seu estádio, na altitude e em um confronto de mata-mata.

Nesse sentido, a margem de erro diminuiu consideravelmente. Mas uma eliminação seria tão ruim assim?

Seria uma frustração. Mas não necessariamente um desastre

O Mirassol já alcançou um resultado histórico nesta Libertadores. Em sua primeira participação na competição, o clube conseguiu chegar às oitavas de final. A própria Conmebol classificou a campanha como histórica e destacou a rápida ascensão do time, que foi campeão da Série D em 2020, subiu toda a pirâmide do futebol brasileiro e terminou o Brasileirão de 2025 na quarta colocação.

Além do aspecto esportivo, a Libertadores também já produziu um impacto financeiro importante. Antes mesmo das oitavas, o Mirassol havia acumulado mais de R$ 18 milhões em premiações na competição, somando participação, vitórias na fase de grupos e classificação ao mata-mata.

Portanto, cair para a LDU não apagaria a campanha. Pelo contrário: seria o fim de uma trajetória inédita, mas depois de o clube já ter ultrapassado todas as expectativas razoáveis para sua primeira Libertadores.

O outro fator que não pode ser ignorado: o Brasileirão

O Mirassol passou boa parte do primeiro turno dentro da zona de rebaixamento. Foram 129 dias consecutivos no Z-4 antes de a equipe finalmente escapar com a vitória sobre o Remo. Depois da retomada do campeonato, porém, o time conseguiu reagir e somou sete pontos em nove possíveis naquele período.

Ainda assim, a situação está longe de estar resolvida. O próprio Rafael Guanaes fez questão de manter o discurso de cautela depois da saída da zona de rebaixamento, afirmando que a luta contra a queda seria mantida até dezembro.

É aí que uma eventual eliminação da Libertadores pode ganhar outro significado.

Sem a Copa do Brasil, da qual o Mirassol já foi eliminado nas oitavas pelo Grêmio, o clube ficaria com apenas o Brasileirão como competição nacional e poderia concentrar o calendário na permanência na Série A. A queda para o Grêmio também encerrou a participação do Leão no torneio após uma campanha inédita até as oitavas, garantindo R$ 5 milhões em premiações.

O sonho continental contra a realidade do Brasileirão

É justamente esse equilíbrio que torna a decisão contra a LDU tão interessante. O Mirassol tem todo o direito de sonhar com as quartas de final. Depois de eliminar adversários na fase de grupos e construir uma campanha histórica, seria incoerente tratar a Libertadores como algo secundário.

Mas o clube também não pode esquecer que a prioridade estrutural continua sendo a consolidação na Série A.

O time que chegou à Libertadores pela primeira vez ainda está tentando se estabelecer definitivamente entre os grandes do futebol brasileiro. O próprio ge destacou, antes da retomada da temporada, que o Mirassol passou por uma reformulação profunda, com 14 contratações após a saída de jogadores importantes do elenco de 2025.

Por isso, uma eliminação para a LDU seria dolorosa, mas poderia oferecer algo que o calendário atual não permite: tempo e energia para concentrar esforços no Brasileirão.

Por outro lado, se conseguir superar a altitude e vencer em Quito, o Mirassol alcançará as quartas de final de sua primeira Libertadores. E aí a história ganha outra dimensão.

O adversário seguinte sairia do confronto entre Palmeiras e Cerro Porteño, que também terminou empatado por 1 a 1 na ida.

Ou seja, o Leão está diante de uma escolha que, na verdade, não existe. Ele precisa tentar.

A eliminação não seria o fim do mundo para um clube que já fez história. Mas, depois de deixar escapar uma vantagem importante no Maião, o Mirassol terá de encarar a LDU em um cenário muito mais complicado do que poderia ter sido.

A primeira Libertadores já é histórica. A permanência na Série A continua sendo fundamental. Mas, quando se chega às oitavas de final de um torneio continental ninguém quer parar por aí.

Créditos da foto de capa: Rapha Marques/AFP