Mirassol
Futebol Brasileirão

Mirassol mostra poder de reação e ganha uma arma importante para a reta final do Brasileirão

O Mirassol encontrou uma forma importante de sobreviver

Para um time que está brigando na parte de baixo da tabela, saber reagir a um cenário adverso pode ser tão importante quanto conseguir controlar uma partida desde o início. O Mirassol mostrou isso no empate por 2 a 2 com o Vitória, no Maião, ao transformar um começo desastroso em uma reação que terminou com um ponto conquistado nos acréscimos.

O resultado pode ser interpretado de duas maneiras. Por um lado, o Leão deixou escapar a oportunidade de vencer em casa um adversário que também luta para se afastar da zona de rebaixamento. Por outro, a maneira como a equipe respondeu depois de sofrer dois gols nos primeiros 12 minutos oferece um sinal importante para Rafael Guanaes na reta final do Campeonato Brasileiro.

O Mirassol não simplesmente se lançou ao ataque e apostou no desespero. Depois de perder suas referências no primeiro tempo, conseguiu reorganizar o jogo, aumentou a presença no campo ofensivo e passou a encontrar espaços com mais frequência. A equipe terminou a partida pressionando e criou oportunidades suficientes para tornar o empate um resultado justo diante do que apresentou na segunda etapa.

Mais do que um ponto, o Mirassol mostrou que tem capacidade para mudar o roteiro de uma partida.

A reação começou pela mudança de comportamento

O início da partida foi praticamente tudo que Guanaes não poderia querer. Alex Muralha falhou em dois lances nos primeiros minutos e o Vitória aproveitou para abrir 2 a 0. O cenário ficou ainda mais complicado porque o Mirassol perdeu, naquele momento, os padrões que normalmente dão organização à equipe.

Em uma situação como essa, o risco é o time se desorganizar completamente. Quando existe a obrigação de buscar o resultado, a pressa costuma aparecer antes da construção das jogadas, e isso pode abrir ainda mais espaços para o adversário.

O Mirassol conseguiu fazer o movimento contrário no segundo tempo.

A equipe passou a circular a bola com mais qualidade, encontrou melhor os corredores e deu maior profundidade às jogadas. O passe deixou de ser apenas uma ferramenta para manter a posse e passou a servir para fazer o time avançar. Com isso, o Vitória foi sendo empurrado para trás e começou a ter cada vez mais dificuldade para sair da própria defesa.

Essa mudança é importante porque mostra que a reação não aconteceu somente pela disposição dos jogadores. Houve uma evolução no comportamento coletivo.

O banco também virou uma alternativa

Outro aspecto que pode fazer diferença até o fim da competição é a capacidade de Guanaes encontrar soluções durante os jogos.

Contra o Vitória, isso ficou evidente. Shaylon participou diretamente do gol de empate ao dar a assistência para Edson Carioca, que apareceu como um dos principais nomes da reação e marcou nos acréscimos. Bruno Santos também teve participação importante, enquanto Reinaldo e Chico Kim cresceram durante a segunda etapa e ajudaram o time a ganhar controle territorial.

Ter jogadores capazes de alterar o ritmo de uma partida saindo do banco oferece ao treinador uma possibilidade que pode ser decisiva em uma sequência tão pesada.

Isso não significa que o Mirassol tenha um elenco sem problemas. Pelo contrário: a equipe ainda precisa corrigir falhas defensivas e encontrar mais regularidade ao longo dos 90 minutos. Mas agora existe uma evidência de que Guanaes não depende exclusivamente dos 11 que começam as partidas para buscar uma mudança de cenário.

Na luta contra o rebaixamento, essa profundidade pode representar pontos.

A resiliência deixou de ser apenas discurso

Existe ainda um componente mental que merece ser valorizado.

Sofrer dois gols tão cedo, dentro de casa, poderia ter desmontado o Mirassol. O adversário passou a ter uma vantagem confortável e o relógio trabalhava contra o time de Guanaes. Mesmo assim, a equipe conseguiu manter a cabeça no lugar e, principalmente, não abandonou a tentativa de jogar futebol.

A reação foi construída aos poucos.

O Mirassol aumentou a pressão, ocupou mais o campo de ataque e começou a criar situações cada vez mais perigosas. A equipe chegou a acertar a trave e continuou insistindo até encontrar o empate no último lance relevante da partida.

Esse comportamento tem valor em uma competição na qual a pressão aumenta a cada rodada. Um time que acredita ser capaz de recuperar uma partida depois de sofrer um golpe tão cedo passa a carregar uma confiança diferente para os jogos seguintes.

Não é garantia de permanência na Série A. Mas é uma característica competitiva que pode ajudar muito.

Cada ponto pesa ainda mais na tabela

O empate teve importância direta na classificação. Com 29 pontos, o Mirassol permanece na 15ª posição e fora da zona de rebaixamento, mas ainda está inserido em uma disputa extremamente apertada na parte inferior da tabela.

Nesse cenário, a diferença entre conquistar um ponto e terminar uma partida sem pontuar pode ser enorme quando chegar a reta final. Por isso, o empate nos acréscimos não deve ser tratado apenas como uma vitória moral.

Ao mesmo tempo, o resultado também deixa claro que o Mirassol não pode se acomodar. Estar fora do Z-4 é positivo, mas a margem é pequena e a equipe precisa aproveitar cada oportunidade para aumentar sua distância dos concorrentes diretos.

E a próxima oportunidade será novamente no Maião.

No sábado, às 17h, o Mirassol recebe o Botafogo em uma partida que pode ter peso significativo na luta pela permanência. Depois de demonstrar poder de reação contra o Vitória, o desafio agora é mostrar que consegue transformar essa energia em três pontos.

O próximo passo é reagir menos e controlar mais

A capacidade de reação pode ser uma arma importante para o Mirassol, mas existe um cuidado necessário: ela não pode se transformar em dependência.

A equipe não pode esperar sair perdendo para começar a apresentar seu melhor futebol. Contra o Vitória, as falhas de Muralha colocaram o time em uma situação que poderia ter terminado em derrota. A boa reação não apaga a necessidade de reduzir esse tipo de erro.

O trabalho de Guanaes, portanto, passa por preservar o que funcionou no segundo tempo e acrescentar maior controle ao jogo desde os primeiros minutos.

Se o Mirassol conseguir unir a organização que já apresenta em determinados momentos com a capacidade de mudar uma partida quando o plano inicial não funciona, terá um repertório muito mais completo para as últimas rodadas.

Essa é a diferença entre simplesmente sobreviver aos problemas e estar preparado para enfrentá-los.

O empate pode valer mais do que parece

O 2 a 2 com o Vitória não resolve a situação do Mirassol no Brasileirão, mas pode representar um ponto de virada no aspecto competitivo.

O Leão mostrou que consegue suportar um golpe forte, reorganizar o próprio jogo, encontrar soluções no banco e manter a concentração até os minutos finais. Em uma disputa tão equilibrada contra o rebaixamento, reunir essas características pode fazer diferença quando cada rodada tiver peso ainda maior.

Agora, a missão é transformar essa reação em consistência.

O Mirassol ganhou uma arma que não estava necessariamente relacionada ao placar: a certeza de que consegue encontrar caminhos mesmo quando as coisas começam a dar errado. Se conseguir acrescentar a isso mais controle e menos erros, terá motivos para olhar para a reta final com um pouco mais de confiança.

Contra o Vitória, o time mostrou que sabe reagir. Nos próximos jogos, precisará provar que também sabe evitar que o adversário tenha motivos para comemorar primeiro.

Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol/Divulgação