Carlo Ancelotti, Seleção Brasileira
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Como Ancelotti tenta recolocar o Brasil no topo do futebol mundial após anos de turbulência

Quando Carlo Ancelotti aceitou o desafio de comandar a Seleção Brasileira, sabia que estava entrando em um território completamente novo. Embora tivesse trabalhado com dezenas de jogadores brasileiros ao longo de sua carreira vitoriosa na Europa, sua experiência direta no país era bastante limitada. Ainda assim, o italiano entendeu rapidamente que, para conquistar a confiança dos torcedores e dos profissionais que cercam a Seleção, precisaria fazer muito mais do que apenas apresentar resultados dentro de campo.

Desde sua chegada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ancelotti demonstrou uma postura que chamou atenção nos bastidores. Em vez de esperar que todos se adaptassem à sua presença, o treinador decidiu ser o primeiro a se adaptar ao ambiente brasileiro. Um dos exemplos mais claros foi sua dedicação ao aprendizado da língua portuguesa.

Enquanto muitos integrantes da CBF tentavam se comunicar em espanhol ou italiano durante os primeiros encontros, Ancelotti fez questão de inverter a lógica. O treinador deixou claro que seria ele quem faria o esforço para falar português, iniciando imediatamente uma rotina intensa de estudos que chegou a incluir quatro aulas semanais.

Essa atitude foi vista como um sinal importante de respeito à cultura brasileira e ajudou a diminuir parte da resistência inicial que existia em relação à sua contratação.

Desafio histórico e pressão por resultados acompanham o treinador

A missão de Ancelotti está longe de ser simples.

O Brasil chega à Copa do Mundo de 2026 pressionado por um longo período sem conquistas. A última vez que a Seleção levantou o troféu mais importante do futebol foi em 2002, na campanha liderada por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Desde então, passaram-se mais de duas décadas sem títulos mundiais, algo incomum para uma seleção que construiu sua identidade baseada em vitórias e protagonismo internacional.

Caso não conquiste a Copa de 2026, o Brasil alcançará uma marca inédita e indesejada: seis edições consecutivas sem levantar a taça.

Por isso, a chegada de Ancelotti representa uma tentativa de mudar os rumos de uma geração que convive há anos com a pressão de interromper esse jejum.

A goleada por 6 a 2 sobre o Panamá em um dos últimos amistosos antes do Mundial trouxe sinais positivos. Jogadores como Rayan, Igor Thiago, Vinicius Júnior, Casemiro, Lucas Paquetá e Danilo participaram diretamente do resultado, aumentando o otimismo em torno da equipe.

Mesmo assim, todos sabem que os desafios encontrados na Copa do Mundo serão muito maiores.

Contratação rompe tradição centenária do futebol brasileiro

A escolha de Ancelotti também representou uma ruptura histórica dentro do futebol brasileiro.

Pela primeira vez, a Seleção disputará uma Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro.

A decisão dividiu opiniões desde o primeiro momento.

Diversos ex-jogadores e profissionais ligados ao futebol nacional defenderam que o comando da Seleção deveria permanecer nas mãos de treinadores brasileiros. Para muitos, o histórico vencedor do país seria suficiente para justificar essa preferência.

Mesmo diante das críticas, a CBF manteve sua convicção.

O currículo de Ancelotti fala por si só. O italiano conquistou cinco títulos da Liga dos Campeões, venceu campeonatos nacionais nas cinco principais ligas da Europa e trabalhou com algumas das maiores estrelas da história recente do futebol.

Esse histórico ajudou a reduzir gradualmente as desconfianças.

Pesquisas recentes indicam que boa parte dos brasileiros aprova o trabalho realizado até aqui. O apoio crescente foi tão significativo que a CBF decidiu renovar seu contrato até 2030 antes mesmo da disputa da Copa do Mundo.

Ancelotti

Capacidade de adaptação se transforma em grande trunfo

Se existe uma característica frequentemente associada a Carlo Ancelotti, é sua habilidade para se adaptar a diferentes ambientes.

Ao longo da carreira, o treinador comandou clubes gigantes em países completamente distintos, convivendo com culturas, idiomas e estilos de futebol variados.

Essa flexibilidade também tem sido fundamental em sua trajetória na Seleção Brasileira.

Pessoas próximas ao treinador destacam que ele faz questão de construir relações próximas com jogadores, dirigentes e funcionários. Sua maneira tranquila de lidar com situações de pressão contribui para criar um ambiente de trabalho mais leve e produtivo.

Essa postura ficou evidente até mesmo durante as negociações de renovação contratual.

Antes de assinar a extensão de vínculo com a CBF, Ancelotti teria solicitado que outros profissionais da entidade, considerados importantes em seu processo de adaptação ao Brasil, também recebessem garantias de permanência até 2030.

O gesto reforçou sua preocupação em valorizar as pessoas que trabalham ao seu redor.

Não por acaso, diversos nomes importantes do futebol mundial costumam destacar justamente sua capacidade de criar conexões humanas dentro dos grupos que lidera.

Vinicius Júnior e Raphinha são apostas para o hexacampeonato

Dentro de campo, Ancelotti acredita que possui material suficiente para lutar pelo título mundial.

O treinador costuma repetir que o Brasil conta com dois dos melhores jogadores do planeta na atualidade: Vinicius Júnior e Raphinha.

O desafio, porém, não está apenas em escalar os dois.

A grande missão é fazer com que ambos reproduzam na Seleção o mesmo desempenho que apresentam semanalmente por Real Madrid e Barcelona.

Até agora, essa parceria ainda busca sua melhor versão.

Lesões e problemas físicos de outros jogadores importantes, como Rodrygo e Estêvão, aumentam ainda mais a necessidade de que os dois assumam protagonismo durante a Copa.

Ancelotti aposta em um sistema ofensivo que busca explorar a velocidade, a criatividade e a capacidade de decisão de seus principais talentos. Contudo, o encaixe ideal ainda está em construção.

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Liderança tranquila conquista o elenco brasileiro

Se a parte tática continua evoluindo, a gestão de grupo parece já estar consolidada.

Relatos de jogadores apontam que Ancelotti rapidamente conquistou o respeito do elenco através de sua personalidade simples e direta.

Casemiro contou recentemente um episódio que exemplifica bem a forma como o treinador conduz o vestiário.

Durante o intervalo de uma partida decisiva das Eliminatórias, vários atletas discutiam estratégias e tentavam organizar a equipe. Em meio ao debate, Ancelotti pediu apenas alguns minutos para fumar um cigarro antes de retornar e conversar com o grupo.

Quando voltou, falou de maneira calma e objetiva.

Segundo Casemiro, aquele momento fez muitos jogadores perceberem que estavam diante de alguém diferente.

Essa capacidade de transmitir confiança sem recorrer a discursos exagerados é uma das marcas registradas do treinador italiano.

Experiência pode ser diferencial na busca pelo hexa

O Brasil chega à Copa do Mundo cercado por dúvidas, expectativas e uma enorme pressão por resultados.

Foram anos marcados por trocas de treinadores, mudanças administrativas e desempenhos abaixo do esperado em competições importantes.

Nesse cenário, Carlo Ancelotti surge como uma figura capaz de oferecer estabilidade, experiência e liderança.

Sua dedicação para compreender a cultura brasileira, seu histórico vencedor e sua habilidade de administrar grandes estrelas fazem com que muitos enxerguem no italiano a melhor oportunidade de recolocar a Seleção no caminho das conquistas.

Agora, resta saber se toda essa construção será suficiente para encerrar uma espera que já dura 24 anos.

Caso consiga conduzir Vinicius Júnior, Raphinha, Neymar e companhia até o tão sonhado hexacampeonato, Ancelotti não apenas quebrará um tabu histórico, mas também escreverá um dos capítulos mais marcantes da história da Seleção Brasileira.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF