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Moicano e o “easy money” perfeito: por que Paddy Pimblett é a luta ideal

A vitória de Renato Moicano sobre Chris Duncan no UFC Vegas 115 não foi apenas mais um triunfo no cartel, ele serviu como uma declaração. Depois de um período turbulento, o brasileiro voltou ao octógono como um lutador completo, agressivo e, acima de tudo, perigoso.

E mais do que isso: Moicano saiu da luta com um recado claro: quer um adversário ranqueado, ou pode até considerar encerrar a carreira. E isso não pareceu blefe, pois é perceptível que mesmo tendo duas derrotas consecutivas antes da vitória diante de Duncan, ele ainda não está na condição de “porteiro” do Top 10 da divisão.

A atuação de Moicano foi brutal. O brasileiro dominou desde o início, conectando golpes limpos na trocação, derrubando Duncan e finalizando com um mata-leão no segundo round. Não foi apenas vitória, foi controle absoluto. A luta escancarou aquilo que sempre acompanhou o brasileiro: um nível técnico acima da média, tanto em pé quanto no chão.

Técnica e “hype” alinhados

Paddy Pimblett é o adversário ideal para Renato Moicano
Paddy Pimblett é o adversário ideal para Renato Moicano (Imagem: @theufcbaddy and @renato_moicano_ufc on Instagram)

Se existe um confronto que pode recolocar Moicano nos holofotes de vez, é contra Pimblett. E o motivo é simples: trata-se de um choque entre realidade técnica e força midiática. E olha que o brasileiro sabe muito bem usar a mídia.

Pimblett é, sem dúvida, um dos lutadores mais populares do UFC atual. Seu carisma, conexão com o público britânico e presença nas redes sociais o transformaram em um fenômeno. Porém, quando analisamos friamente o aspecto técnico, a diferença entre ele e Moicano é gritante.

Moicano é um grappler de elite, com finalizações afiadas e um jiu-jítsu que já decidiu diversas lutas no mais alto nível. Além disso, sua trocação evoluiu. Contra Duncan, mostrou precisão, timing e potência suficiente para derrubar antes mesmo de levar a luta ao solo.

Já Pimblett, apesar de eficiente, apresenta brechas claras. Em pé, costuma se expor mais do que deveria, confiando muito na própria resistência e no ataque tem um boxe muito ruim e sem potência.

No chão, embora seja perigoso, não possui o mesmo refinamento técnico de Moicano. Contra um lutador cerebral, experiente e oportunista como o brasileiro, essas falhas podem ser fatais. E é aqui que entra o ponto central: para Moicano, essa luta é “easy money”.

Não apenas no sentido financeiro, embora o apelo comercial de enfrentar Pimblett seja enorme, mas também no aspecto competitivo. É o tipo de confronto em que o brasileiro teria vantagem em praticamente todas as áreas: striking mais técnico, grappling mais sólido e experiência contra adversários de elite.

Além disso, o contexto atual favorece essa narrativa. Moicano vinha de derrotas contra Islam Makhachev, pelo cinturão, e Beneil Dariush, por falta de gás. Mas mostrou contra Duncan que continua sendo um lutador de alto nível, digno do top 10 e podendo entrar no Top 5. Já Pimblett ainda busca se provar contra a elite da divisão.

A luta perfeita para o UFC e Moicano

Ou seja, é a luta perfeita: um quer afirmação, o outro quer visibilidade. Do ponto de vista do UFC, faz todo sentido. Pimblett vende. Moicano também. E ambos entregam performances que vão de acordo com o que o público quero ver. Juntos, formam um pacote ideal com uma potencial enorme de “hype” para esse combate.

E para o brasileiro, vencer Pimblett significaria mais do que subir no ranking, seria um salto direto para o radar das grandes lutas novamente. Afinal, derrotar um nome midiático costuma ter mais impacto do que vencer adversários menos populares, mesmo que tecnicamente mais duros.

Moicano sabe disso. E por isso seu discurso pós-luta não foi aleatório. Ao pedir um ranqueado, ou cogitar parar, ele colocou pressão no UFC. Está claro: ele quer lutas que valham a pena, tanto esportivo quanto financeiramente. E poucas fazem tanto sentido quanto Paddy Pimblett.

Essa possível luta resume bem o momento da divisão dos leves: de um lado, um lutador técnico, experiente,  subestimado e carismático; do outro, uma estrela em ascensão, impulsionada mais pelo carisma do que pela técnica, alçando vôos altos por conta do mercado britânico.

Se o combate acontecer, Moicano entrará com uma missão clara, provar que, no MMA de verdade, habilidade ainda fala mais alto que o hype. E, se depender do que vimos no último sábado, isso pode acabar exatamente como ele gosta de dizer: “easy money”.

(Imagem de capa: Jeff Bottari/Zuffa LLC)