Washington Rodrigues, o Apolinho.
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Ícone do rádio brasileiro, Washington Rodrigues, o Apolinho, morre aos 87 anos de idade

Na noite desta quarta-feira (15), morreu aos 87 anos de idade o jornalista Washington Rodrigues, o Apolinho. Ele tratava um câncer estomacal e estava internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O falecimento do “Velho Apolo” foi noticiado durante a transmissão de Flamengo x Bolívar, com vitória do Fla pelo placar de 4 a 0, na Rádio Tupi, pelo narrador Luiz Penido.

Dono de clássicos jargões, como “mais feliz que pinto no lixo”, “briga de cachorro grande”, “Geraldinos e Arquibaldos”, Washington fez uma das parcerias mais lendárias do rádio brasileiro com o narrador José Carlos Araújo, o Garotinho, através das rádios Nacional, Globo e Tupi, com ela iniciando pouco depois da Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina.

Ainda que o time que torcia fosse de conhecimento público, ele nunca deixou o clubismo acima do profissionalismo, ganhando notoriedade cobrindo clubes como o arquirrival, Vasco, tendo uma boa relação com Eurico Miranda, que sempre deu preferência a ele quando o assunto era informações do clube em primeira mão. Jornalista e ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite conviveu com Washington e o convidou para ser técnico do time carioca no ano de 1995. Aos microfones da Tupi, Leite falou um pouco sobre a partida do amigo.

Os gênios não morrem. Eles são eternos. Washington continuará sendo um gênio. Arriscaria dizer que lá se foi o último dos moicanos, dos gênios do rádio. Já fomos concorrentes, trabalhamos juntos e sempre nos amamos. Ninguém na vida me fez rir tanto quanto ele. Inacreditável o bom humor, a alegria, o que saía de dentro pra fora, pra tudo e todos.”

O convite do Flamengo a Apolinho

Em entrevista ao UOL, no ano de 2015, Apolinho relembrou a passagem e o convite de Leite para estar no comando técnico do Mengão, que surgiu de uma maneira um tanto, inusitada: em um jantar com o amigo.

Estava jantando com o Vanderlei Luxemburgo, e o Kleber Leite me convidou para encontrá-lo em um restaurante. Imaginei que queria conselhos sobre o momento do time e fui preparado para sugerir a contratação do Telê Santana. Ninguém queria pegar o Flamengo. O papo varou a madrugada. Até que por volta das 3h30 havia um prato virado na mesa e sem uso.

O Kleber me disse que tinha um nome e pediu para que virasse o prato. Quando vi que era o meu tomei um susto e perguntei se ele estava brincando. Pensei rápido e aceitei, já que o Flamengo é uma convocação. Foi uma correria. Tinha que me desligar da rádio, TV, jornal. Tudo para evitar conflito.

No comando técnico do time, ele fez 26 jogos, 11 vitórias, oito empates e sete derrotas, chegando até a final da Supercopa dos Campeões da Libertadores contra o Independiente, porém perdendo o título para os argentinos. No Brasileiro, a situação não foi das melhores, com um 21° lugar.

Washington Rodrigues no Flamengo dos anos 90
Apolinho nos tempos de Flamengo nos anos 90 — Foto: Luciana Whitaker/Folhapress

Um dos grandes momentos da carreira de Washington como radialista foi na final do Campeonato Carioca do ano de 2001, na partida entre Vasco e Flamengo, transmitida com Luiz Penido pela Super Tupi. Falta para o Flamengo nos minutos finais, um gol daria o título, e ele tem uma “premonição”: e acaba de chegar São Judas Tadeu. Na cobrança, o sérvio Dejan Petkovic marca e dá o título pro Mengo, comandado por Zagallo.

Na Tupi, o comentarista estava desde o ano de 1999, e tinha seu programa próprio: o Show do Apolinho. Também tinha o seu comentário diário, dentro do Giro Esportivo, e a coluna Geraldinos e Arquibaldos (jargão de sua autoria) no Show do Clóvis Monteiro, além de participação no Show da Galera e Programa Roberto Canazio. Apolinho deixa três filhos, além de sete netos, e uma legião de amigos e fãs do seu tremendo legado para o jornalismo esportivo do Rio de Janeiro e do Brasil.

Foto: Reprodução/Super Rádio Tupi

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