Mourinho Real Madrid 2
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Mourinho vê Real Madrid repetir erros e pressão aumenta após derrota; confira

O segundo ciclo de José Mourinho no Real Madrid começa a mostrar problemas que lembram bastante a primeira passagem do português pelo clube. O mais novo capítulo dessa fase aconteceu justamente em um dos jogos mais pesados da temporada: o clássico contra o Atlético de Madrid.

O Real Madrid perdeu por 2 a 1 no primeiro dérbi de Madri da temporada e deixou o Metropolitano sem conseguir somar pontos. A situação ficou ainda mais complicada depois da expulsão de Dean Huijsen, aos 52 minutos, quando a equipe de Mourinho passou a atuar com um jogador a menos.

Com vantagem numérica, o Atlético de Madrid abriu 2 a 0 e controlou boa parte da partida. O Real só conseguiu diminuir aos 89 minutos, em cabeçada de Antonio Rüdiger, mas já era tarde para buscar qualquer reação. Além do resultado negativo, o clássico também ficou marcado por reclamações com a arbitragem e por problemas antigos que voltaram a aparecer.

Velhos problemas voltam a assombrar o Real Madrid

A derrota trouxe de volta lembranças da temporada passada. No ano anterior, o Real Madrid também havia saído derrotado do Metropolitano, naquela ocasião por 5 a 2. O mais curioso é que algumas escolhas de escalação foram praticamente as mesmas.

Naquele confronto, Xabi Alonso utilizou Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni como dupla de meio-campo, enquanto Arda Güler apareceu pelo lado direito do ataque ao lado de Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Jude Bellingham.

Agora, um ano depois, com seis novas contratações e Mourinho no comando, a estrutura foi praticamente repetida. Valverde e Tchouaméni voltaram a formar a dupla de meio, enquanto Güler atuou novamente pela direita, completando um setor ofensivo com Mbappé, Vinícius Jr e Bellingham.

O resultado também foi semelhante: mais uma derrota. É verdade que os dois jogos tiveram contextos diferentes, mas os problemas centrais do Real Madrid continuam bastante parecidos.

Valverde e Tchouaméni não conseguiram controlar o ritmo do jogo nem sustentar longos períodos de posse. A ausência de Toni Kroos ainda é sentida de forma clara. Falta ao Real Madrid um jogador capaz de organizar o meio-campo, controlar a velocidade da partida e conectar os setores com mais naturalidade.

Real Madrid sofre para criar e controlar o jogo

Sem esse organizador, o time frequentemente fica quebrado. O meio-campo tem dificuldades para se aproximar do ataque, e jogadores como Mbappé acabam recuando muito para tentar participar da construção.

Durante o primeiro tempo, o francês apareceu várias vezes em regiões mais distantes da área, tentando receber a bola e iniciar jogadas. Esse movimento mostrou justamente a dificuldade do Real em encontrar caminhos de maneira mais organizada.

Vinícius Júnior também teve uma atuação dentro de um padrão já conhecido. O brasileiro tentou muitos duelos individuais e buscou resolver as jogadas sozinho em diversos momentos, mas encontrou uma defesa do Atlético bem preparada.

Arda Güler, por sua vez, tomou decisões ruins em algumas transições. O posicionamento do turco também acabou abrindo espaço pelo lado direito, permitindo que Denzel Dumfries avançasse com liberdade e funcionasse quase como um ponta em alguns momentos.

Os problemas da temporada passada, portanto, não desapareceram simplesmente com a troca no comando técnico. A chegada de Mourinho trouxe uma nova liderança, mas ainda não foi suficiente para corrigir questões estruturais que continuam aparecendo nos grandes jogos.

Atlético mostra mais intensidade no clássico

Outro ponto que chamou atenção foi a diferença de intensidade entre as duas equipes. O Atlético de Madrid entrou em campo com uma postura muito mais agressiva, especialmente sem a bola.

O Real Madrid teve dificuldades para pressionar a saída adversária e, em vários momentos, simplesmente recuou sem apresentar grande movimentação. Vinícius Jr pouco ajudou defensivamente pelo lado esquerdo, enquanto Mbappé também teve participação limitada na marcação.

Do outro lado, o Atlético apresentou uma postura completamente diferente. A equipe da casa disputou cada bola como se fosse decisiva e pressionou constantemente a saída de jogo do Real Madrid.

Os jogadores do Atlético fecharam os espaços rapidamente e impediram que os visitantes tivessem tempo para pensar. Sempre que o Real conseguia manter a posse, surgiam rapidamente dois ou três adversários para pressionar.

Em algumas transições, Mbappé chegou a tentar avançar contra três ou quatro marcadores praticamente sozinho. Sem opções próximas de passe, o atacante francês teve enormes dificuldades para dar sequência às jogadas.

Mesmo antes da expulsão de Huijsen, o Real Madrid já encontrava dificuldades para competir em igualdade com o Atlético. A expulsão apenas tornou um cenário complicado ainda mais difícil.

Disputa por La Liga começa a preocupar o Real Madrid

A derrota também tem impacto direto na briga pelo título do Campeonato Espanhol. Mourinho já havia deixado claro anteriormente que empates não seriam suficientes para uma equipe que pretende conquistar La Liga.

Apesar de a temporada ainda estar no começo, cada tropeço ganha peso diante do momento vivido pelo Barcelona. O rival catalão começou a competição em grande ritmo e praticamente não vem dando espaço para os adversários se aproximarem.

Na rodada anterior, o Real Madrid havia conseguido escapar com uma vitória no fim contra o Elche. Desta vez, porém, nem mesmo um empate foi possível.

Após sete partidas disputadas, o Real está seis pontos atrás do Barcelona e ocupa apenas a quarta colocação na tabela de La Liga. A diferença ainda pode ser recuperada, mas aumenta a pressão sobre Mourinho e seus jogadores.

El Clásico pode aumentar ainda mais a pressão

O cenário fica ainda mais delicado porque o primeiro El Clásico da temporada acontece dentro de aproximadamente um mês. Caso o Real Madrid seja derrotado pelo Barcelona, a diferença pode chegar a nove pontos, considerando que nenhuma das duas equipes tropece antes do confronto.

Uma distância desse tamanho tão cedo na temporada poderia deixar o Barcelona em uma situação extremamente confortável na disputa pelo terceiro título consecutivo de La Liga.

Em outras temporadas, o Real Madrid já mostrou capacidade de reagir depois de momentos difíceis. O problema é que a equipe atual ainda não mostrou a mesma força nos grandes jogos.

A derrota para o Atlético de Madrid reforça justamente essa preocupação. O Real possui jogadores de enorme qualidade individual, mas ainda apresenta dificuldades para transformar esse talento em uma equipe consistente.

Mourinho terá agora a pausa internacional para analisar os erros e tentar encontrar soluções. O português precisa melhorar principalmente o funcionamento do meio-campo, aumentar a intensidade sem a bola e fazer com que seu ataque participe mais coletivamente.

O clássico no Metropolitano deixou três sinais claros: antigos problemas continuam presentes, o time ainda sofre para competir em intensidade contra adversários fortes e a margem de erro na disputa por La Liga já começa a diminuir.

O Real Madrid ainda está no começo da temporada, mas a derrota para o Atlético mostra que simplesmente trocar o treinador não foi suficiente para mudar completamente a equipe. Se Mourinho quiser alterar a narrativa nos próximos meses, terá que corrigir questões que acompanham o clube há mais tempo do que sua atual passagem pelo Santiago Bernabéu.

Foto: Getty Images