Myles Turner
Basquete NBA

Myles Turner no banco? Entenda por que essa pode ser a melhor solução para os Bucks

Myles Turner pode estar prestes a viver um dos momentos mais diferentes de sua carreira na NBA. Depois de anos sendo titular absoluto e uma das referências no garrafão, o pivô pode encontrar um novo papel no Milwaukee Bucks: liderar a segunda unidade da equipe. A mudança parece drástica à primeira vista, mas faz sentido quando se analisa o momento da franquia e o potencial de Kel’el Ware.

A chegada do jovem pivô representa uma oportunidade para os Bucks iniciarem uma renovação gradual sem abrir mão da experiência. Nesse cenário, colocar Myles Turner no banco deixaria de ser uma punição e passaria a ser uma estratégia para acelerar o desenvolvimento do elenco, mantendo o veterano como peça importante dentro e fora das quadras.

Myles Turner pode ajudar mais como líder do que como titular

Milwaukee entra em uma temporada cercada por dúvidas. O elenco ainda busca um equilíbrio entre experiência e juventude, enquanto o técnico Taylor Jenkins tenta implementar sua filosofia de jogo.

Nesse contexto, Kel’el Ware surge como uma das principais apostas para o futuro da franquia. O pivô possui atributos físicos impressionantes, mobilidade defensiva e margem de evolução suficiente para se transformar em um dos principais nomes da posição nos próximos anos.

Mas isso dificilmente acontecerá se ele continuar limitado a poucos minutos por partida.

É justamente aí que Myles Turner entra na discussão.

Ao assumir um papel vindo do banco, o veterano abriria espaço para Ware ganhar experiência desde o início dos jogos, enquanto continuaria sendo uma presença fundamental na rotação dos Bucks.

Experiência de Myles Turner pode acelerar o crescimento de Ware

Embora muita gente associe um lugar no banco à perda de importância, essa leitura não combina com o atual momento de Milwaukee.

Myles Turner está entre os atletas mais experientes do elenco e pode exercer um papel semelhante ao de veteranos que marcaram sua própria trajetória na NBA.

Durante sua passagem pelo Indiana Pacers, o pivô destacou diversas vezes a influência de jogadores experientes no ambiente da equipe. Em um texto publicado no Players’ Tribune, Turner elogiou especialmente James Johnson, que mesmo atuando pouco conseguia impactar o grupo através da liderança, dos conselhos e da convivência diária com os atletas mais jovens.

Esse tipo de perfil pode ser exatamente o que os Bucks procuram. Ware precisa de liberdade para evoluir, mas também necessita de alguém que já tenha vivido diferentes momentos dentro da liga. Poucos jogadores do elenco conseguem oferecer isso tão bem quanto Myles Turner.

Ataque dos Bucks explica a queda de Myles Turner

Existe ainda um fator técnico que ajuda a entender por que Myles Turner teve uma queda de rendimento ofensivo.

Nos melhores anos de sua carreira em Indiana, o pivô contou com Tyrese Haliburton organizando o ataque da equipe. O armador encontrava Turner constantemente em posições favoráveis, facilitando finalizações próximas à cesta e tornando seu jogo muito mais eficiente.

O próprio jogador reconheceu essa influência ao afirmar que, finalmente, sentia ter um treinador que confiava em seu basquete e um armador capaz de potencializar suas qualidades.

Os números comprovam isso. Nas quatro temporadas anteriores à chegada aos Bucks, Myles Turner converteu pelo menos 75% dos arremessos realizados entre zero e três pés da cesta.

Em Milwaukee, esse índice despencou para apenas 67%.

A explicação passa justamente pela ausência de um armador criador no mesmo nível de Haliburton.

Outro dado reforça essa diferença. Em sua última temporada pelos Pacers, 85% de seus arremessos de dois pontos vieram após assistência. Nos Bucks, esse número caiu para 74%, mostrando que Turner precisou criar mais jogadas por conta própria ou finalizar em condições menos favoráveis.

Myles Turner pode render mais na segunda unidade

Se a troca para o banco realmente acontecer, ela pode beneficiar o próprio jogador.

Entre os reservas, Myles Turner teria mais oportunidades de atuar ao lado de Kasparas Jakučionis, jovem armador conhecido justamente pela capacidade de distribuir assistências e organizar o ataque.

Essa parceria poderia devolver parte da eficiência ofensiva que marcou os melhores momentos da carreira do pivô.

Além disso, enfrentando reservas adversários durante boa parte da partida, Turner teria condições de explorar melhor seu arremesso de média e longa distância, além de atacar a cesta em situações mais favoráveis.

Kel’el Ware oferece características diferentes

Outro argumento importante para justificar a mudança envolve os rebotes ofensivos.

Kel’el Ware mostrou grande eficiência nesse fundamento durante a última temporada, terminando entre os líderes da NBA em pontos gerados após rebotes ofensivos.

Foram 144 pontos provenientes de putbacks, número bastante superior ao de Myles Turner, que terminou com apenas 48.

Essa diferença ganha ainda mais peso considerando o histórico de Taylor Jenkins.

As equipes comandadas pelo treinador costumam priorizar intensidade, volume de rebotes ofensivos e criação de segundas oportunidades. Nesse aspecto, Ware parece encaixar-se de maneira mais natural no quinteto inicial.

Myles Turner seguiria sendo fundamental

É importante destacar que colocar Myles Turner no banco não significa reduzir sua importância na equipe.

O elenco dos Bucks continua curto na posição de pivô. Além de Turner e Ware, Jericho Sims é praticamente a única opção de origem para atuar no garrafão.

Isso significa que o veterano continuará recebendo muitos minutos e poderá dividir a quadra com Ware em diversas formações ao longo da temporada.

Aliás, essa combinação pode até fortalecer Milwaukee. Turner oferece espaçamento com seu arremesso de três pontos, enquanto Ware atua próximo ao aro, brigando por rebotes ofensivos e protegendo a cesta.

Os estilos são complementares.

Myles Turner pode ser a peça que faltava para o futuro dos Bucks

A discussão envolvendo Myles Turner vai muito além da definição de quem começa ou não uma partida.

Ela representa uma decisão estratégica sobre o futuro da franquia.

Se Milwaukee acredita que Kel’el Ware é seu pivô do futuro, faz sentido entregá-lo a responsabilidade desde já. Ao mesmo tempo, manter Myles Turner como líder da segunda unidade preserva toda a experiência de um jogador consolidado, aumenta a qualidade do banco e ainda oferece um mentor para acelerar o desenvolvimento dos jovens.

No fim das contas, Myles Turner talvez descubra que sua maior contribuição para os Bucks não será apenas protegendo o aro ou convertendo bolas de três, mas ajudando a construir a próxima geração da franquia. E, às vezes, liderar significa justamente abrir espaço para que outro talento possa crescer.