Joe Mazzulla
Basquete NBA

NBA: Como avaliar o trabalho de Joe Mazzulla nos Celtics em 2025-26?

O ano do Boston Celtics, do treinador Joe Mazzulla, pode ter terminado de forma melancólica, com um “apagão” na série contra o Philadelphia 76ers. O time liderava o confronto por 3 a 1, mas sofreu a virada em atuações ruins seguidas. Não demorou para os 76ers serem “varridos” pelo New York Knicks na rodada seguinte.

Apesar do final decepcionante, o Boston Celtics tem muito o que tirar, positivamente, da atual temporada. Primeiro, a equipe não deveria nem ter ido para os playoffs, com base nas expectativas iniciais. A ausência de Jayson Tatum durante boa parte da temporada fez com que as principais ambições da franquia fossem minimizadas. Mas isso não demorou muito.

Por conta do sistema criado por Joe Mazzulla, o Boston Celtics foi um time competitivo durante toda a temporada regular, mesmo sem o seu principal jogador em quadra. Jaylen Brown mostrou que capacidade de liderar uma equipe até os playoffs, enquanto Peyton Pritchard e Derrick White evoluíram bastante em comparação ao ano passado. Tudo isso resultou na surpreendente segunda melhor campanha da Conferência Leste (56 vitórias e 26 derrotas).

E por conta disso, Joe Mazzulla venceu o prêmio de Treinador do Ano, que foi anunciado recentemente. A NBA deu conquista individual para o técnico, mesmo sabendo da opinião dele sobre o assunto.

Joe Mazzulla (Foto: Nancy Lane/Boston Herald)
Joe Mazzulla (Foto: Nancy Lane/Boston Herald)

“Eu não preciso disso”, disse Joe Mazzulla em março. “Acho que é um prêmio estúpido. Eles não deveriam ter isso. E é mais sobre os jogadores. É mais sobre o trabalho que a comissão técnica faz. É simples assim. Eu realmente não quero mais ser questionado ou falar sobre isso. É simplesmente ridículo. Então, os jogadores jogam. É sobre eles. A comissão técnica se mata de trabalhar. Sou grato por tê-los.”

Mazzulla superou JB Bickerstaff, técnico do Detroit Pistons, e Mitch Johnson, técnico do San Antonio Spurs, para conquistar a honraria. Embora Mazzulla tenha razão ao afirmar que é preciso o melhor de todos na organização para se ter uma temporada vitoriosa na NBA, o técnico principal é o maestro da orquestra. Ele define o tom diariamente e toma as decisões estratégicas sobre como o time jogará, decisões essas que impactam todo o elenco.

Este ano, ninguém fez isso com mais eficácia do que Joe Mazzulla. Ele criou uma nova identidade para os Celtics se apoiarem após a devastadora ruptura do tendão de Aquiles sofrida por Jayson Tatum, que levou à completa desconstrução do elenco campeão da equipe . Sua comissão técnica desenvolveu os jogadores jovens e inexperientes que ficaram para substituir os talentos que saíram. Mazzulla trabalhou constantemente para mitigar as fraquezas inerentes da equipe e maximizar seus pontos fortes a cada jogo.

O resultado? Uma temporada que superou até as maiores expectativas para Boston no início do ano. Os Celtics terminaram com a segunda maior quantidade de vitórias no Leste e com o perfil estatístico de uma das cinco melhores equipes da NBA. Foi o quarto ano de Mazzulla no comando da equipe, e o melhor até agora, apesar da grande diferença de talento em comparação com seus três primeiros anos à frente do time.

O prêmio de Treinador do Ano, ele gostando ou não, coroa uma temporada marcada no fato de Joe Mazzulla ter tido muito sucesso ao extrair o melhor do elenco do Boston Celtics, apesar dos problemas.

Jayson Tatum e Joe Mazzulla (Foto: Michael Conroy/AP)
Jayson Tatum e Joe Mazzulla (Foto: Michael Conroy/AP)

Trabalho de Joe Mazzulla nos Celtics em 2025-26

De forma geral, Joe Mazzulla tirou “leite de pedra”. O elenco do Boston Celtics não era o mesmo dos últimos anos e tinha diversos jogadores inexperientes, apenas com Jaylen Brown, Derrick White, Sam Hauser e Payton Pritchard do time que foi campeão há algumas temporadas.

O time era desequilibrado, carecendo de um ala-pivô de verdade e de reboteiros fortes em todas as posições, enquanto a linha de armadores era composta principalmente por jogadores baixos e com deficiências defensivas. Todas as preocupações sobre esse tipo de formação se tornaram realidade quando os Celtics começaram a temporada com uma sequência de três derrotas. Mas, em uma demonstração de resiliência que viria a definir a temporada, os Celtics se recuperaram e não perderam três jogos seguidos no restante da temporada regular.

A forma de atuar dos Celtics era clara: Boston queria conquistar o máximo de posses de bola possível e arremessar o máximo de vezes possível. Evitando turnovers e dominando os rebotes em ambas as extremidades da quadra, os Celtics simplesmente criaram mais chances de pontuar do que seus adversários na maioria das partidas.

Os Celtics terminaram a temporada com a menor média de turnovers por jogo em toda a liga. Ficaram entre os 10 melhores em rebotes ofensivos e defensivos, além de ocuparem a quarta posição em tentativas de três pontos por jogo e a quarta em cestas de três pontos convertidas por jogo. Como unidade defensiva, nenhuma outra equipe conseguiu limitar os adversários a uma média de pontos sofridos por jogo tão baixa quanto a de Boston, com 107,2 pontos por partida. E para os especialistas em estatísticas avançadas: os Celtics terminaram em segundo lugar em eficiência ofensiva e em quarto em eficiência defensiva, sendo uma das duas únicas equipes a figurar entre as cinco melhores em ambas as categorias.

É uma campanha que merece ser eternizada e lembrada, e é exatamente isso que o prêmio de Técnico do Ano fará. Joe Mazzulla extraiu o melhor de um time que não contou com seu melhor jogador durante boa parte da temporada. Agora, com o prêmio, a temporada dos Celtics de Joe Mazzulla em 2025-26 está eternizada, apesar do desfecho decepcionante nos playoffs.

(Foto principal: Getty Images)