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NBA: Boston Celtics acertou ao trocar Jaylen Brown?

O Boston Celtics ganhou notoriedade nesta offseason da NBA, infelizmente por questões negativas. A franquia se tornou um dos assuntos mais comentados da liga ao aceitar negociar Jaylen Brown para o rival de divisão e conferência, o Philadelphia 76ers. Por sinal, os Sixers foram o time que eliminou os Celtics nos playoffs da temporada passada.

A troca envolvendo Boston Celtics e Philadelphia 76ers pegou a todos de surpresa, mesmo que o destino de Jaylen Brown fosse longe de Boston. Nas últimas semanas, o jogador foi protagonista de falas polêmicas, o que levou a criação de diversos rumores sobre seu futuro como jogador dos Celtics. Não demorou muito para Brown ser negociado.

Uma sequência de polêmicas resultou na saída de Jaylen Brown do Boston Celtics, encerrando assim sua passagem na equipe após tantos anos. E o jogador foi trocado por Paul George, duas escolhas de primeira rodada e duas escolhas de segunda rodada (valor inferior a ida de Walker Kessler para o Los Angeles Lakers).

O Boston Celtics está sendo criticado por abrir mão de um de seus principais jogadores do seu elenco, ao mesmo tempo que reforça um rival da mesma conferência. O retorno para os Celtics também é algo que chama a atenção, de forma negativa. Contudo, podemos ver o lado no qual o Boston Celtics acertou ao trocar Jaylen Brown.

Jaylen Brown (Foto: Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)
Jaylen Brown (Foto: Nathaniel S. Butler/NBAE via Getty Images)

Boston Celtics acertou ao trocar Jaylen Brown?

Jaylen Brown foi MVP das Finais na conquista do título mais recente do Boston Celtics e terminou na sexta colocação na disputa pelo MVP na temporada passada. Além disso, assumiu o protagonismo no momento em que a franquia mais precisava, quando Jayson Tatum estava fora por lesão. Em um ano que os Celtics deveriam ter uma temporada negativa, Brown foi um dos responsáveis por liderar o time até os playoffs com a segunda melhor campanha do Leste. E tudo isso resultou na troca de Jaylen Brown para o Philadelphia 76ers.

No quesito basquete, não há como defender o Boston Celtics, ainda mais por reforçar o Philadelphia 76ers, que se tornou um dos favoritos para bater de frente com o New York Knicks na disputa pelo Leste. Contudo, quando expandimos a nossa visão, algo muito importante surge nessa história toda: o lado financeiro.

Se Brown ganhasse US$40 milhões por ano, provavelmente ainda estaria nos Celtics. Mas não está. Na próxima temporada, ele receberá US$57 milhões. Somando isso aos US$58,5 milhões de Jayson Tatum, temos US$115,5 milhões do teto salarial de US$165 milhões da próxima temporada destinados a dois jogadores. Esses números continuam até 2029, e a situação piora ainda mais quando consideramos um teto salarial que não está crescendo tão rápido quanto o esperado e que começa a ser superado pelos aumentos anuais de 8% de um contrato supermáximo.

Se Brown e Tatum estão ganhando cerca de US$115 milhões, isso deixa US$ 50 milhões para mais 12 jogadores antes de ultrapassar o limite do imposto de luxo. Agora, adicione Derrick White , que tem um contrato de US$30 milhões para a próxima temporada, e de repente você fica com US$20 milhões para 11 jogadores.

A questão é que é extremamente difícil, senão quase impossível, montar um time minimamente competitivo com dois jogadores com contratos supermáximos no topo da hierarquia sem ultrapassar não apenas o limite da taxa de luxo, mas também os limites salariais, o que sabemos que acarreta restrições punitivas na montagem do elenco, que, em última análise, impedem um cara como Stevens de fazer seu trabalho de forma eficaz. E a NBA adora punir esse tipo de time.

Quando os Celtics conquistaram o título em 2024, Brown e Tatum representavam apenas 47% do teto salarial da equipe. Isso deixou espaço para Al Horford , Jrue Holiday e Kristaps Porzingis . Foi por isso que eles venceram. Mas essa profundidade no elenco se tornou um luxo impossível de manter quando as extensões de contrato de Brown e Tatum entraram em vigor em 2025-26, quando os Celtics se tornaram o único time da liga com dois jogadores com contratos supermáximos.

Entre Jayson Tatum e Jaylen Brown, o Boston Celtics resolveu negociar o que prejudicava mais, ao menos no papel. Sabemos que Brown dribla muito e que, em alguns momentos, compromete a atuação dos Celtics. Junte isso com o desejo de Jaylen Brown ser o número 1 do time, algo que não aconteceria se permanecesse em Boston. E é aí que entra Paul George.

Paul George (Foto: David Dow / NBAE via Getty Images)
Paul George (Foto: David Dow / NBAE via Getty Images)

Mesmo problema, jogador diferente?

Paul George é mais velho que Brown e tem problemas para se manter saudável, mas é mais eficiente em quadra do que Jaylen, ao menos em pouco volume. Mas o que podemos destacar é que o contrato de George é pior do que Brown, porém mais curto.

George receberá US$54,1 milhões nesta temporada e tem uma opção de jogador de US$56,6 milhões para 2027-28. Por outro lado, Brown tem três anos restantes em seu contrato atual e vai querer, e provavelmente conseguirá, outro contrato milionário depois deste. No mínimo, os Celtics receberam duas escolhas de draft para se livrar de um futuro contrato que não queriam fazer.

Mesmo que George exerça sua opção para a temporada 2027-28, Boston poderia negociá-lo, já que seu contrato está expirando. Agora, eles têm duas escolhas extras no draft para usar como moeda de troca.

Quando paramos para analisar, o Boston Celtics não ficou mais barato, porém ganhou uma “saída” por conta do contrato de Paul George. Por sinal, o veterano tem tudo para encaixar muito bem no estilo de jogo dos Celtics. A presença de Jaylen Brown ainda será sentida, mas os Celtics não perdem tanto em fator de qualidade. Jogadores como Payton Pritchard devem ganhar mais importância no time.

O Boston Celtics deve se manter competitivo na temporada passada, mesmo perdendo um de seus principais jogadores. E à longo prazo, a franquia pode se beneficiar muito da saída de Jaylen Brown, enquanto o Philadelphia 76ers terá que lidar com o contrato de Brown e sua renovação, que não será nada barata.

(Foto principal: Matt Blewett/Imagn Images)