A seleção dos Estados Unidos começou seu novo ciclo para a Copa do Mundo com uma vitória convincente por 4 a 1 sobre o Peru, em Orlando. Mauricio Pochettino aproveitou a partida para apresentar uma nova geração de talentos e deu oportunidade para 11 dos 13 jogadores convocados que ainda não haviam estreado pela equipe principal.
Entre os estreantes estava Neil Pierre, zagueiro de apenas 18 anos do Philadelphia Union. Ele disputou poucos minutos, mas sua presença na seleção principal representa mais uma etapa de uma ascensão que começa a chamar atenção não apenas nos Estados Unidos, mas também na Europa.
Pierre faz parte de uma geração considerada uma das mais talentosas já produzidas pelo futebol norte-americano. O principal nome do grupo é Cavan Sullivan, que já tem transferência encaminhada para o Manchester City, mas o jovem defensor do Philadelphia aparece logo atrás quando o assunto é potencial.
Os dois, inclusive, cresceram dentro da mesma estrutura de formação. Pierre, Sullivan e Frenkie Westfield foram os três jogadores do Philadelphia Union que estrearam pelos Estados Unidos na vitória sobre o Peru.
Neil Pierre cresce após empréstimo que mudou sua carreira
Natural da Pensilvânia e também elegível para defender o Haiti por causa de seus pais, Pierre conquistou espaço como titular do Philadelphia Union aos 18 anos. Para muitos, porém, essa oportunidade deveria ter aparecido bem antes.
O zagueiro sempre foi tratado como uma das grandes promessas da academia do clube ao lado de Sullivan. Mesmo assim, o antigo treinador Bradley Carnell demonstrou resistência em utilizar os dois jovens durante os primeiros meses da temporada.
A situação ficou ainda mais curiosa depois da saída de Jakob Glesnes para o Los Angeles Galaxy. Mesmo precisando reconstruir sua defesa, o Philadelphia decidiu emprestar Pierre ao Lyngby, da segunda divisão dinamarquesa, porque o treinador não pretendia utilizá-lo regularmente.
O empréstimo acabou funcionando para o jogador. Enquanto o Philadelphia enfrentava dificuldades na MLS, Pierre ajudou o Lyngby a conquistar o acesso à primeira divisão da Dinamarca. Quando retornou aos Estados Unidos durante o verão, encontrou um clube completamente diferente.
Mudança de técnico abre espaço para joias do Philadelphia
Carnell havia deixado o cargo e Ryan Richter, anteriormente treinador da equipe reserva, assumiu interinamente o Philadelphia. Por já conhecer vários dos jovens formados no clube, Richter rapidamente aumentou o espaço das promessas no time principal.
Pierre começou praticamente todas as partidas desde seu retorno em julho, ficando fora do time titular em apenas um jogo da MLS. Sullivan também ganhou protagonismo e passou a ser um dos jogadores de maior destaque da liga a partir de agosto.
Os resultados acompanharam a mudança. Richter venceu dez das primeiras 12 partidas que comandou na MLS e permaneceu invicto nesse período. Mesmo quando os jovens estavam defendendo a seleção norte-americana, o Philadelphia conseguiu manter o bom momento.
Pierre também começou a chamar atenção ofensivamente. Desde o retorno, o defensor marcou quatro gols pelo clube. Com cerca de 2,01 metros de altura, ele se transformou naturalmente em uma das principais referências da equipe nas cobranças de escanteio e faltas laterais.
Altura impressiona, mas Neil Pierre oferece muito mais
O tamanho é provavelmente a primeira característica que chama atenção em Neil Pierre, mas não é o principal motivo para existir tanta expectativa em torno de seu futuro. Apesar da altura, o norte-americano apresenta ótima mobilidade e capacidade atlética.
O zagueiro também demonstra muita qualidade com a bola nos pés, algo cada vez mais importante para defensores em equipes que pretendem construir suas jogadas desde a defesa. Ainda existem pontos a desenvolver, especialmente na leitura de algumas situações defensivas, algo natural para um jogador de apenas 18 anos.
Seu potencial também aparece nos dados. A empresa de análise SciSports coloca Pierre entre os jogadores sub-21 com maior projeção de todo o futebol mundial, independentemente da posição. Apenas Lamine Yamal e Pau Cubarsí, do Barcelona, aparecem acima dele na avaliação de potencial.
Isso significa que, não fosse a projeção extraordinária de Cubarsí, Pierre apareceria como o zagueiro jovem com maior potencial do ranking. A análise também indica uma evolução muito rápida nos últimos seis meses e já o coloca entre os defensores de melhor desempenho da MLS.
Europa aparece como próximo destino de Neil Pierre
A evolução naturalmente começou a atrair interesse do futebol europeu. O Philadelphia Union já parece se preparar para uma possível saída ao acertar antecipadamente o retorno de Mark McKenzie para janeiro de 2027, após algumas temporadas atuando na Europa.
McKenzie pode assumir o espaço de Pierre imediatamente ou dividir o elenco com ele até o verão europeu, quando uma transferência parece ainda mais provável. A sensação é que a ida do jovem para a Europa será apenas uma questão de tempo.
Mesmo assim, uma mudança direta para um dos maiores clubes do continente talvez não seja a melhor escolha neste momento. Segundo a análise da SciSports, Pierre possui potencial para chegar ao mais alto nível, mas ainda precisa desenvolver seu jogo antes de competir regularmente em equipes de elite da Premier League ou de LaLiga.
Clubes intermediários aparecem como destinos mais adequados. O Bournemouth lidera a lista com avaliação de encaixe de 82 pontos em 100, seguido pela Real Sociedad. Aston Villa, Leeds, Crystal Palace, Everton, Fulham e Newcastle também aparecem entre possíveis opções.
Neil Pierre ainda tem apenas 18 anos, mas já reúne praticamente todas as características procuradas em um zagueiro moderno: tamanho, velocidade, força física e qualidade com a bola. Depois de conquistar espaço no Philadelphia e estrear pela seleção dos Estados Unidos, o próximo passo pode ser justamente mostrar se todo esse potencial também pode ser confirmado no futebol europeu.
Kyle Ross-Imagn Images



