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Neymar convocado: decisão técnica ou simbólica?

O Brasil conheceu nesta segunda-feira (18), os 26 nomes que defenderão a seleção brasileira na próxima Copa do Mundo, e entre eles, está o astro Neymar, para a comemoração de uns, para a decepção de outros. Respaldado pelo legado de quando despontou para o futebol na década de 2010 e com apoio maciço de colegas, amigos e da própria mídia, o atacante do Santos foi chamado por Carlo Ancelotti sob um cenário de muita incerteza, e a partir de agora, terá de correr contra o tempo para recuperar sua melhor forma e dar motivos para ter ganho uma nova chance de brilhar com a Amarelinha.

Com um histórico recente de lesões em sequência e problemas extracampo que o fizeram não ter recebido sequer uma oportunidade concreta de estar no ciclo para este Mundial, Neymar levanta a seguinte pergunta sobre esta nova oportunidade pela seleção: sua convocação foi uma decisão técnica ou simbólica? É o que pretendemos destrinchar neste texto a partir de agora, e saber se a escolha do craque realmente foi um acerto de Carlo Ancelotti.

Neymar convocado: decisão técnica ou simbólica?

Para concretizar o ponto de vista defendido por mim e por boa parte da imprensa (e porque não até da torcida) de que Neymar foi chamado de modo simbólico, aqui vão alguns argumentos válidos sobre a ida do camisa 10 do Peixe para a próxima Copa do Mundo. Fatos como o peso do nome e a chance de fazer a diferença em seu ‘último ato’ estão na lista, e serão detalhados a partir de agora:

O escudo midiático de Ancelotti

Tido como um técnico tranquilo nos bastidores e enérgico apenas na beira do campo, Ancelotti é considerado um mestre na condução de elencos, e ao chamar Neymar, deixou muito claro que o atacante não está mais em seu melhor momento da carreira, não seria o protagonista técnico do time, mas atrairia holofotes para o Brasil. Com ele no elenco, a grande pressão sofrida nos últimos tempos por Vini Jr. (atual protagonista da seleção) e também por Endrick (revelação sob alta expectativa), se desviaria para o craque, e os dois estariam mais livres para jogar sem tamanha responsabilidade.

A romantização do ‘último ato’ e a fragilidade física

De volta ao Santos depois de uma catastrófica passagem pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, Neymar retornou para o futebol brasileiro criando uma narrativa midiática muito comprável de redenção e reencontro com as origens, apesar de ainda não ter empolgado o suficiente com a camisa do Peixe. Mesmo tendo sido decisivo na campanha da equipe na reta final do último Brasileirão, quando arrancou da zona de rebaixamento para uma vaga na Copa Sul-Americana, o craque teve poucos momentos de sequência na atual temporada que o credenciassem a ocupar uma vaga entre os 26 convocados para a Copa.

Com quinze partidas nesse ano, e sem ultrapassar sequências de dois jogos seguidos, Neymar chega ao seu quarto mundial totalmente defasado daquele que se apresentou em 2014, 2018 e 2022, sendo esta edição de 2026 ainda mais decisiva por fatos como viagens desgastantes e o forte verão da América do Norte.

Se nos últimos anos, o atacante de 34 anos mal suportou a marca de quatro jogos seguidos no calendário de clubes sem demonstrar extremo cansaço ou não sendo relacionado, não é possível dizer se ele estará apto para resistir ao ritmo de uma Copa com uma seleção que visa o título e poderá enfrentar sete duelos em um espaço de um mês, podendo comprometer toda uma engrenagem de ataque do time de Ancelotti.

A carteirada e a exigência do futebol moderno

Reforçando o fato inicial de que Neymar foi convocado simbolicamente, contando com uma força-tarefa de apoio de colegas da própria seleção, da imprensa e da torcida que ainda espera o ver jogando em alto nível com a camisa do Brasil, há de se dizer que houve sim uma ‘carteirada’ para que o craque viesse a ser chamado para esta Copa. Entretanto, é preciso lembrar principalmente que em Copas, o passado não joga, e sim a qualidade técnica e física.

Sendo assim, nomes que ficaram de fora da lista final de Ancelotti para dar lugar a Neymar, como o atacante João Pedro, do Chelsea, nos levam a fazer um novo questionamento: um jogador de 34 anos, com um histórico clínico complexo, terá capacidade de acompanhar o ritmo de um time que enfrentará seleções europeias da primeira prateleira, ou forçará o elenco a correr por ele?

Embora a volta ao Brasil e ao Santos tenha sido um acerto e o futebol brasileiro também tenha seu devido valor, o camisa 10 do Peixe vive uma situação totalmente oposta daquela vivida pelos jogadores que estão na Europa e encaram uma intensidade de reta final de temporada, levando a compreender que a discrepância em relação aos adversários pode ser fatal. O futebol moderno não comporta mais aquele atleta que joga apenas com a bola no pé, mas não agrega sem ela. A comissão técnica apostou alto, agora, é acompanhar como a seleção se sairá contando com ele em meio a um cenário desafiador.

Foto: Pedro Vilela/Getty Images