Neymar está de volta à Seleção Brasileira. E, como quase tudo que envolve o camisa 10 ao longo de sua trajetória com a amarelinha, o retorno veio acompanhado de expectativa, debate, esperança e uma boa dose de polêmica.
Quando Carlo Ancelotti anunciou a convocação do atacante para a Copa do Mundo de 2026, a decisão rapidamente se transformou em um dos assuntos mais discutidos do futebol brasileiro. Afinal, o maior artilheiro da história da Seleção não veste a camisa do Brasil desde 2023 e chega ao Mundial cercado por dúvidas físicas, questionamentos sobre seu momento técnico e a inevitável discussão sobre sua idade.
Por outro lado, estamos falando de Neymar. E esse detalhe, por si só, costuma ser suficiente para mudar qualquer conversa.
A última dança de Neymar?
Existe um sentimento quase cinematográfico envolvendo esta Copa do Mundo para o atacante.
Desde que surgiu como fenômeno no Santos, ainda adolescente, Neymar foi tratado como o jogador destinado a devolver o Brasil ao topo do futebol mundial. Em alguns momentos, pareceu muito próximo disso.
Em 2014, disputando o Mundial em casa, era a principal esperança da torcida até sofrer a lesão que o tirou das semifinais. O resultado daquela história todo brasileiro conhece: a traumática derrota por 7 a 1 para a Alemanha.
Em 2018, novamente problemas físicos atrapalharam sua preparação. Em 2022, no Catar, Neymar brilhou contra a Croácia nas quartas de final ao marcar um golaço na prorrogação, mas viu os europeus empatarem nos minutos finais antes de eliminarem o Brasil nos pênaltis.
Agora, aos 34 anos, surge uma nova oportunidade. Talvez a última.
A aposta de Carlo Ancelotti
Quando assumiu a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti deixou claro que convocaria jogadores que estivessem em condições físicas adequadas para competir no mais alto nível.
Por isso, muita gente se surpreendeu quando o treinador incluiu Neymar na lista final.
Afinal, o atacante disputou apenas algumas partidas pelo Santos nesta temporada e ainda busca recuperar plenamente seu ritmo após uma sequência de lesões que marcou os últimos anos de sua carreira.
O próprio Ancelotti reconhece que a situação exige cautela. Tanto que Neymar sequer estará disponível para a estreia do Brasil diante do Marrocos.
Mesmo assim, o treinador acredita que vale a pena correr o risco. E há motivos para isso.
O talento que ninguém esqueceu
Se existe uma característica que sempre acompanhou Ancelotti ao longo da carreira, é sua capacidade de administrar estrelas.
O italiano trabalhou com alguns dos maiores jogadores da história recente do futebol e costuma apostar no talento quando percebe que ainda existe algo especial para oferecer.
No caso de Neymar, a lógica parece ser exatamente essa.
Mesmo longe do auge físico, poucos atletas brasileiros possuem a capacidade de decidir jogos importantes como ele.
A questão não é apenas o que Neymar produz atualmente, mas o que ele ainda pode produzir em um torneio curto.
Uma assistência decisiva. Um passe improvável. Um lance genial em uma partida equilibrada. São detalhes que podem mudar completamente o rumo de uma Copa do Mundo.
O peso da história
A decisão também carrega um componente emocional.
O futebol brasileiro tem um histórico de viver grandes novelas envolvendo ídolos veteranos às vésperas dos Mundiais.
Romário passou por algo parecido em diferentes momentos da carreira. Em 1994, sua convocação foi decisiva para a classificação brasileira e posteriormente para a conquista do tetracampeonato.
Em 2002, Luiz Felipe Scolari ignorou os pedidos populares para levar o Baixinho e acabou sendo recompensado com o pentacampeonato.
Agora, a discussão gira em torno de Neymar. A diferença é que, desta vez, não existe consenso. Enquanto parte da torcida acredita que sua experiência pode ser fundamental para o grupo, outros defendem uma renovação mais agressiva da equipe.
Neymar é muito mais do que números
Analisar Neymar apenas pelos números atuais talvez seja um erro.
É evidente que o jogador já não apresenta a mesma explosão física dos tempos de Barcelona ou dos primeiros anos de Paris Saint-Germain. Mas sua influência dentro da Seleção vai além das estatísticas.
Estamos falando de um atleta que disputou grandes competições durante mais de uma década, enfrentou momentos de pressão extrema e continua sendo uma das figuras mais reconhecidas do futebol mundial.
Em um elenco que mistura juventude e experiência, essa bagagem pode ter valor importante dentro e fora de campo.
Entre a esperança e a realidade
A verdade é que ninguém sabe exatamente qual Neymar aparecerá nesta Copa.
O craque capaz de desequilibrar qualquer partida? Ou o veterano tentando superar as limitações impostas pelo próprio corpo?
Talvez nem Carlo Ancelotti tenha essa resposta neste momento. O que existe é uma aposta.
Uma aposta baseada menos no que Neymar apresentou recentemente e mais naquilo que ele representa para o futebol brasileiro. E é justamente aí que mora o fascínio dessa história.
Porque, apesar das dúvidas, das lesões e dos questionamentos, milhões de torcedores continuam acreditando que o camisa 10 ainda pode escrever um último capítulo inesquecível com a camisa da Seleção.
Se vai acontecer ou não, ninguém sabe. Mas enquanto houver uma Copa do Mundo pela frente e Neymar estiver disponível, o sonho continuará vivo. E o Brasil, como tantas vezes aconteceu ao longo das últimas duas décadas, continuará sonhando junto.
Foto: Getty Images