Apesar da calmaria no calendário da NFL, as atividades de pré-temporada são fundamentais para as franquias estabelecerem os pilares de um ano produtivo. Este período marca o primeiro contato com potenciais revelações e permite que veteranos reafirmem seu valor perante a torcida. Diante disso, selecionamos um atleta de cada franquia da AFC que tem potencial para ser determinante, abrangendo desde calouros e jogadores em seu segundo ano até profissionais já consolidados na liga.
Fique de olho nesses nomes.
Norte
Steelers – Michael Pittman Jr., WR
Com tantas trocas de jogadores de elite na NFL recentemente, as pessoas podem ter esquecido que Pittman foi trocado para Pittsburgh. Ele chega para ser a tão desejada segunda opção de passes que a torcida dos Steelers queriam. A diferença de produção entre os recebedores do time foi gritante ano passado. DK Metcalf liderou o time com 850 jardas. Quase 500 a mais que o segundo lugar da lista, que foi Calvin Austin, com 372. Pittman teve 784 jardas com os Colts ano passado e chega para complementar esse ataque.
Ravens – Mark Andrews, TE
Seria compreensível notar que Andrews já estivesse fora do seu radar para 2026. Prestes a completar 31 anos, o tight end veterano vem de um 2025 abaixo das expectativas, acumulando apenas 422 jardas, sua pior marca na NFL, mesmo sem ter perdido jogos por lesão. Contudo, esse cenário de baixa é justamente o que o torna um nome a ser monitorado em Baltimore. Com a saída de Isaiah Likely para os Giants na free agency, abriu-se uma lacuna no ataque aéreo, e os Ravens foram conservadores na reposição.
Durham Smythe, aposta veterana para o setor, soma apenas 13 recepções nos últimos 2 anos, enquanto os calouros Matt Hibner e Josh Cuevas foram selecionados apenas nas rodadas finais do Draft. Em suma: Andrews recuperará o status de porto seguro absoluto para Lamar Jackson, pavimentando o caminho para uma temporada de redenção técnica na franquia.
Bengals – Shemar Stewart, EDGE
Com o intuito de elevar o patamar de sua unidade defensiva, Cincinnati fez movimentações agressivas, destacando a aquisição do defensive tackle Dexter Lawrence e o forte investimento no pass rusher Boye Mafe. Embora a experiência desses veteranos seja vital, o verdadeiro diferencial para equilibrar o potente ataque da franquia reside no potencial de Shemar Stewart. O edge rusher, selecionado na primeira rodada de 2025, acabou relegado a um segundo plano após um ano de estreia pouco expressivo, limitado a apenas um sack em oito partidas.
Entretanto, Stewart ressurgiu como um nome de destaque nos treinamentos iniciais, angariando elogios consistentes da comissão técnica e de novos companheiros, como o próprio Mafe. Caso consiga transpor essa evolução para a temporada de 2026, o segundanista tem tudo para redefinir a pressão sobre os quarterbacks adversários e elevar drasticamente o teto competitivo dos Bengals.
Browns – Dylan Sampson, RB
Enquanto as atenções se voltam para Quinshon Judkins como o motor principal do ataque terrestre em Cleveland, o potencial de Dylan Sampson merece uma atenção maior. O running back selecionado em 2025 no NFL Draft detém as características ideais para atuar como o contraponto perfeito no backfield dos Browns, sobressaindo-se notavelmente como uma válvula de escape no jogo aéreo. No último ano, Sampson exibiu grande competência ao transformar 33 passes em 271 jardas e dois touchdowns.
Tal versatilidade encontra apoio no sistema de Todd Monken; em 2019, durante sua passagem anterior pela franquia, ele obteve 563 jardas aéreas com a parceria entre Nick Chubb e Kareem Hunt. Dada a inclinação de Monken em utilizar corredores em terceiras descidas e passes de segurança, Sampson posiciona-se como o herdeiro natural desse papel tático, prometendo impacto constante mesmo com o alto volume de toques destinados a Judkins.
Sul
Jaguars – Brian Thomas Jr., WR
Após uma estreia avassaladora com 87 recepções, 1.282 jardas e 10 touchdowns, Brian Thomas Jr. parecia destinado ao estrelato imediato na liga. Contudo, o ano de 2025 reservou um cenário de estagnação para o produto de LSU, cuja produção sofreu um declínio, tendo apenas 48 recepções, 707 jardas e apenas dois touchdowns. Com os holofotes agora divididos entre o segundanista Travis Hunter, o veterano Jakobi Meyers e a evolução de Parker Washington, Thomas acabou sendo relegado a um segundo plano nas análises.
Embora a famigerada “crise do segundo anista” tenha cobrado seu preço, seria um erro subestimar seu teto técnico. O recebedor ainda tem as ferramentas para figurar na elite da posição e desponta como um dos principais candidatos a uma temporada de redenção em Jacksonville, figurando como um nome estratégico que muitos analistas podem estar negligenciando.
Texans – Jayden Higgins, WR
O wide receiver Jayden Higgins desponta como uma peça-chave e subestimada no ataque dos Texans para a temporada de 2026, após uma sólida campanha de calouro marcada por uma evolução acentuada na reta final. Apesar do foco da franquia estar voltado para outras movimentações, a consolidação de Higgins como a segunda opção de passes, atrás de Nico Collins, é um fator estratégico crucial para elevar o teto competitivo da equipe e sustentar o desempenho de C.J. Stroud na elite dos quarterbacks.
Colts – Josh Downs, WR
Com a saída de Michael Pittman Jr. para os Steelers, o ataque dos Colts abriu uma lacuna considerável em seu plano de jogo. Embora Alec Pierce surja como a face desta renovação após garantir uma extensão contratual de 114 milhões de dólares, o potencial de Josh Downs não deve ser descontado nessa transição. Tendo registrado 88 alvos no último ano, o recebedor está posicionado para ultrapassar a marca dos 100 passes em sua direção em 2026, consolidando o cenário para um salto de produção definitivo. Downs tem exibido uma consistência notável em seus 3 anos na NFL, culminando em uma sólida campanha de 803 jardas e cinco touchdowns em 2024.
Apesar do talento técnico, o atleta de 24 anos permanece voando baixo no radar do grande público. Essa percepção tende a evaporar na próxima temporada, aliada por um volume de jogo ampliado e pela maior sintonia com Daniel Jones, que entra em seu segundo ano liderando a organização.
Titans – Elic Ayomanor, WR
O produto de Stanford exibiu lampejos de dominância em seu ano de calouro, acumulando 515 jardas e quatro touchdowns. No entanto, o barulho em torno do segundo anista permanece tímido, ofuscado por movimentações agressivas da franquia no corpo de recebedores. Os Titans investiram a quarta escolha geral em Carnell Tate, vindo de Ohio State e garantiram o veterano Wan’Dale Robinson mediante um acordo de 70 milhões de dólares por quatro temporadas.
Com a presença de Calvin Ridley, o ceticismo sobre o volume de jogo destinado a Ayomanor é compreensível. Porém, Ridley entra na temporada aos 31 anos e, após renegociar seu vínculo em março, parece não ser mais intocável no planejamento de longo prazo. Uma ascensão meteórica de Ayomanor no training camp pode acelerar uma eventual saída do veterano, posicionando o jovem talento como titular absoluto ao lado de Tate, com Robinson operando no slot.
Leste
Patriots – Kyle Williams, WR
Se tem uma posição que os Patriots mexeram nessa offseason, foi a de wide receiver. Stefon Diggs saiu, Romeo Doubs e AJ Brown chegaram. Kyle Williams ficou. Após um ano de calouro discreto, somente 10 recepções e 209 jardas na temporada regular, o atleta selecionado na 3a rodada do NFL Draft de 2025, deverá ser usado como ameaça em rotas longas e junto de Mack Hollins como opções quando AJ Brown estiver bem marcado.
Bills – T.J. Parker, EDGE
Embora a troca que envolveu a escolha de primeira rodada de 2026 tenha ofuscado parte das ações dos Bills no NFL Draft, o potencial de T.J. Parker não pode ser ignorado. Escolhido na segunda rodada, o edge rusher chega para suprir uma carência nítida: em 2025, Buffalo figurou na parte inferior da tabela em sacks. Com a chegada do veterano Bradley Chubb, que assinou um grande contrato nesta offseason (3 anos e 43.5 milhões de dólares), a pressão pelos lados ganha um novo protagonista
Parker surge como o complemento ideal. Vindo de uma temporada dominante em Clemson, com 11 sacks e impressionantes 19,5 tackles para perda de jardas, o calouro possui o arsenal necessário para causar impacto imediato. Se conseguir traduzir esse vigor para o nível profissional, ele será peça-chave nas pretensões da franquia de finalmente alcançar o Super Bowl.
Dolphins – Malik Washington, WR
Em meio à profunda reformulação do corpo de recebedores de Miami, que incluiu a saída de Tyreek Hill e a troca de Jaylen Waddle para o Denver Broncos, Malik Washington surge como um remanescente estratégico. Sob o comando do novo quarterback titular, Malik Willis, a expectativa é que seu volume de jogo sofra um salto considerável. Na última temporada, Washington registrou 46 recepções para 317 jardas, figurando entre os principais alvos do elenco.
Agora, ele terá o desafio de competir por espaço com os recém-chegados Jalen Tolbert e Tutu Atwell, além dos promissores calouros Chris Bell e Caleb Douglas. Com a hierarquia do ataque em aberto, Washington possui as ferramentas necessárias para se consolidar como o alvo seguro de Willis e estabelecer as melhores marcas de sua carreira profissional.
Jets – Mason Taylor, TE
A reformulação em Nova York, que contou com a adição de dois recebedores de topo do NFL Draft na primeira rodada, incluindo o promissor tight end Kenyon Sadiq, vindo de Oregon, acabou diminuindo o alvoroço sobre Mason Taylor para 2026. Entretanto, o jogador selecionado na segunda rodada de 2025 permanece como um pilar fundamental no jogo tático dos Jets. Durante a última temporada, enquanto Garrett Wilson enfrentava problemas físicos, Taylor se provou como o porto seguro do ataque, liderando o elenco em recepções (44) e garantindo a segunda melhor marca em jardas (369).
Com a chegada do veterano Geno Smith para assumir o posto que era de Justin Fields, a expectativa é de uma maior estabilidade no jogo aéreo. Além disso, a tendência é que a comissão técnica explore intensamente as formações em 12-personnel, permitindo que Taylor e Sadiq atuem simultaneamente, o que deve potencializar as oportunidades do segundanista como alvo de segurança em rotas intermediárias.
Oeste
Broncos – Jonah Coleman, RB
Selecionado por Denver na quarta rodada do NFL Draft de 2026, com a 108ª escolha geral, Jonah Coleman surge como um nome que desafia o habitual anonimato das escolhas de terceiro dia. Embora a organização tenha renovado com o veterano J.K. Dobbins por mais duas temporadas, a durabilidade do running back permanece sob forte desconfiança, especialmente após lesão sofrida em 2025. Somado a isso, o segundo anista RJ Harvey, aposta de segunda rodada no ano anterior, ainda busca provar que consegue sustentar um alto volume de carregadas após lidar com seus próprios problemas físicos.
Diante de um backfield marcado por incertezas médicas, Coleman possui a oportunidade de capitalizar sobre qualquer instabilidade de Dobbins. Se o cenário de lesões persistir, o calouro pode rapidamente escalar a hierarquia e garantir um papel determinante no ataque dos Broncos, superando as expectativas iniciais de sua posição no recrutamento.
Chargers – Oronde Gadsden II, TE
Oronde Gadsden II surgiu como uma grata surpresa vindo da quinta rodada do Draft, exibindo flashes de dominância técnica em seu ano de estreia. Embora sua atuação de 164 jardas na semana 7 contra os Colts tenha capturado a atenção, sua campanha de calouro foi sólida, acumulando 49 recepções para 664 jardas e três touchdowns. Contudo, uma certa incerteza paira sobre seu segundo ano, motivada por uma reta final de temporada discreta, com apenas 12 recepções nos últimos seis jogos, e pela contratação do veterano David Njoku.
No entanto, o vínculo de Njoku com Los Angeles é válido por apenas uma temporada, sinalizando que Gadsden permanece como o pilar de longo prazo para o setor. Sob a batuta do novo coordenador ofensivo Mike McDaniel, que potencializou nomes como Jonnu Smith e Darren Waller em passagens anteriores, o segundanista desponta como o próximo “projeto especial” do sistema, possuindo todas as ferramentas para se consolidar como um alvo de segurança no ataque dos Chargers.
Chiefs – R Mason Thomas, EDGE
A defesa de Kansas City enfrentou sérios problemas na última temporada, figurando entre as cinco piores da liga com apenas 35 sacks registrados. Para corrigir essa vulnerabilidade, a franquia investiu agressivamente no Draft de 2026, com R Mason Thomas, edge rusher vindo de Oklahoma, surge como um nome de enorme potencial. Embora as atenções estejam voltadas para os selecionados de primeira rodada Mansoor Delane e Peter Woods, Thomas possui as ferramentas necessárias para causar um impacto imediato na rotação defensiva.
Sua chegada coloca Felix Anudike-Uzomah em uma posição delicada, especialmente após os Chiefs optarem por não exercer sua cláusula de renovação automática. Com uma produção tímida de 2,5 sacks em 17 partidas, a titularidade de Anudike-Uzomah ao lado de George Karlaftis está sob ameaça real. Caso Thomas mantenha o vigor demonstrado no nível universitário durante o training camp, ele terá o caminho livre para desbancar o veterano e se consolidar como a nova força na pressão aos quarterbacks adversários logo em seu ano de estreia na NFL.
Raiders – Jack Bech, WR
A offseason em Las Vegas foi marcada por transformações profundas sob o comando do novo head coach Klint Kubiak. Com a chegada de Fernando Mendoza, primeira escolha geral vinda de Indiana, e o reforço massivo na linha ofensiva, simbolizado pela contratação do center Tyler Linderbaum, os Raiders estabeleceram novas bases. No entanto, o corpo de recebedores recebeu poucas adições externas, além de Jalen Nailor, o que projeta um cenário ideal para a ascensão de Jack Bech. Selecionado na segunda rodada do NFL Draft de 2025, o atleta teve um ano de calouro econômico, convertendo 20 recepções para 224 jardas.
Agora, beneficiado pela maior precisão aérea esperada de Mendoza ou da experiência de Kirk Cousins, Bech deve florescer no sistema ofensivo dinâmico de Kubiak. Vale lembrar que o treinador foi o mentor de Jaxon Smith-Njigba em sua jornada rumo ao prêmio de Jogador Ofensivo do Ano, evidenciando sua capacidade de lapidar talentos no setor. Embora Bech deva dividir alvos com o tight end Brock Bowers e o versátil running back Ashton Jeanty (ambos escolhidos na 1a rodada do NFL Draft), sua consolidação como alvo principal no perímetro é uma aposta estratégica para 2026.
Foto: NFL



