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NFL: A chegada de DJ Moore pode mudar a filosofia dos Bills em 2026

Um dos times mais badalados da NFL recentemente, os Bills entram na temporada de 2026 com uma pergunta interessante pairando sobre sua identidade ofensiva: será que a adição do wide receiver DJ Moore, combinada com a saída do ex-head coach Sean McDermott, vai empurrar o time para um estilo mais desequilibrado nas formações em campo?

O perfil ofensivo em 2025 e o equílibrio como marca registrada

Na temporada de 2025, a tendência de formação do ataque de Buffalo poderia ser resumida como perfeitamente equilibrada. Os números comprovam essa característica. Os Bills utilizaram a formação 2×2 (dois recebedores elegíveis à esquerda do tackle esquerdo e dois à direita do tackle direito) em 40,67% de suas jogadas ofensivas na temporada regular, o que representou a maioria absoluta entre as 1.082 jogadas catalogadas pela SumerSports.

Em contrapartida, as formações desequilibradas, conhecidas como 1×3 e 3×1, somaram apenas 33,54% das jogadas ofensivas do time. Esse percentual colocou Buffalo nas posições 23a e 31a, respectivamente, entre todas as equipes da NFL no uso dessas formações. Ou seja, os Bills estavam entre os times menos propensos a romper com o equilíbrio simétrico em seu ataque, uma escolha que pode ter raízes tanto filosóficas quanto práticas.

Duas mudanças cruciais para 2026

Dois fatores podem alterar significativamente esse cenário na próxima temporada. O primeiro é a saída de Sean McDermott do cargo de head coach. Embora seja impossível determinar com precisão o quanto o próprio McDermott influenciava diretamente o desenho ofensivo, já que como técnico principal ele naturalmente tinha voz em todos os aspectos do time, a incerteza permanece sobre se ele definia especificamente as decisões situacionais e a proporção de corrida/passe, ou se também opinava sobre a filosofia de formações equilibradas versus desequilibradas.

O segundo fator, talvez mais concreto, é a contratação do wide receiver DJ Moore. Ele representa o recebedor X mais genuíno que os Bills têm desde a saída de Stefon Diggs, atualmente free agent. Essa distinção é importante porque times costumam hesitar em usar formações desequilibradas quando não possuem um jogador isolado no lado contrário da jogada capaz de vencer disputas individuais, especialmente nas áreas intermediárias e profundas do campo.

Por que o recebedor X importa tanto

Há um detalhe técnico relevante sobre como as formações 3×1 ou 1×3 costumam funcionar na prática. Nesses esquemas, os times frequentemente iniciam a progressão de leitura pela combinação de rotas do lado com mais recebedores, antes de voltar o olhar para o lado oposto da formação, onde geralmente há uma rota de “dig” (corte horizontal) esperando o quarterback. Sem um recebedor confiável para vencer essa rota horizontal intermediária no lado isolado, a tendência natural é que o time evite montar esse tipo de formação com mais frequência.

Ainda que o ataque aéreo de Buffalo tenha sido uma das unidades de destaque da NFL em 2025, mesmo os defensores mais fervorosos do elenco reconheceriam a ausência de um recebedor X de alta qualidade e confiança. A esperança do time era que Keon Coleman evoluísse para esse papel, mas agora, com Moore no elenco, essa expectativa perde relevância. A avaliação é que Moore deve assumir essa função praticamente de imediato, embora certamente também seja utilizado em outras posições dentro da formação ofensiva.

A influência de Joe Brady e o paralelo com Sean Payton

Outro elemento central envolve Joe Brady, que segue no comando ofensivo dos Bills, agora como head coach, após ter sido coordenador ofensivo. Brady já se autodenominou publicamente como um “discípulo de Sean Payton”, uma referência direta ao renomado técnico conhecido por esquemas ofensivos criativos e agressivos.

Como ponto de comparação, o Denver Broncos, atualmente comandado por Payton, utilizou formações desequilibradas em 40,02% de suas jogadas em 2025. Esse número serve como uma espécie de referência ou “teto” hipotético para o que os Bills poderiam alcançar caso Brady realmente aplique influências semelhantes às de seu mentor. 

O que esperar para a próxima temporada da NFL

A grande pergunta que fica no ar é se Buffalo conseguirá atingir esse patamar de 40% de formações desequilibradas e apresentar um aumento perceptível nessa métrica ao longo da temporada de 2026 da NFL. Trata-se de um aspecto que promete ser acompanhado de perto conforme a temporada avança, à medida que tanto Brady quanto Moore imprimem suas respectivas marcas no ataque da equipe.

Vale destacar que essa é uma análise especulativa baseada em tendências e no perfil dos jogadores e treinadores envolvidos, não uma confirmação de mudança estratégica definitiva. Ainda assim, a combinação entre a saída de uma figura influente como McDermott e a chegada de um recebedor com o perfil de Moore oferece motivos concretos para acreditar que o ataque de Buffalo pode, sim, se tornar menos simétrico e mais imprevisível na próxima temporada, algo que fãs e analistas da NFL certamente vão monitorar assim que os jogos da pré-temporada e da fase regular começarem.

Foto: Kara Durrette/Getty Images