Depois de uma temporada da NFL de contrastes extremos, o Washington Commanders tenta reencontrar o caminho que os levou à final da NFC em 2024. Naquele ano, a equipe viveu o melhor momento desde 1991, última vez que conquistou um Super Bowl, mas caiu de forma dura diante do Philadelphia Eagles por 55 a 23 na decisão de conferência. Em 2025, no entanto, o time regrediu de maneira súbita, invertendo o retrospecto de 12 vitórias e 5 derrotas para 5 vitórias e 12 derrotas. Um dos fatores que estão ligados a essa queda de desempenho é o quaterback Jayden Daniels, uma das principais estrelas do time, ficar de fora por 10 jogos durante a temporada 2025 devido a lesões.
Mudanças na comissão técnica
Diante do desempenho decepcionante, a diretoria promoveu uma reformulação significativa no comando técnico. O coordenador ofensivo Kliff Kingsbury deu lugar a David Blough, ex-treinador de quarterbacks da equipe, enquanto Joe Whitt Jr., que havia perdido as atribuições de chamar as jogadas defensivas ainda durante a temporada passada, em favor do técnico principal Dan Quinn, foi substituído por Daronte Jones, ex-coordenador de defensive backs do Minnesota Vikings.
Em declarações durante as reuniões de proprietários da liga em março, Quinn destacou o otimismo renovado dentro do vestiário: “Sinto que este é um grupo mais elevado, com muita versatilidade. Gosto da velocidade que adicionamos ao time e, para mim, a coisa que mais amo é a competição que vem de montar um bom grupo”.
Jeremy Reaves, o veterano que sustenta a defesa
Um dos nomes apontados como fundamentais para a reconstrução defensiva é o do safety Jeremy Reaves. A defesa defensiva aérea de Washington em 2025 foi um dos pontos mais frágeis do time: a equipe permitiu 350 recepções em 540 tentativas (64,8% de aproveitamento), somando 4.400 jardas aéreas, 33 touchdowns sofridos e apenas oito interceptações, resultando no quinto pior QB rating entre as defesas da liga.
Em meio a esse cenário, Reaves se destacou como um dos poucos defensores capazes de superar as fragilidades coletivas. Ele permitiu apenas 29 recepções em 41 alvos, com 334 jardas concedidas, um touchdown sofrido, uma interceptação e sete passes desviados, além de acumular 57 tackles solo e cinco tackles para perda de jardas.
A trajetória de Reaves até aqui não foi linear. Não selecionado no NFL Draft, o jogador vindo de South Alabama passou por diversos times até ser efetivado no elenco de Washington apenas em 2022, ano em que foi convocado para o Pro Bowl e nomeado First-Team All-Pro como atleta de special teams. Em entrevista concedida em agosto de 2025, ele resumiu sua evolução: “O jogo desacelerou muito, mesmo do ano passado para este. Tenho instintos por um motivo, então preciso usá-los”.
K’Lavon Chaisson reforça o pass rush
Outro nome escondido é o do edge rusher K’Lavon Chaisson, contratado como parte de um pacote de reforços na linha defensiva ao lado de Odafe Oweh. Enquanto Oweh assinou um contrato de quatro anos e 96 milhões de dólares, Chaisson chegou por um acordo mais modesto, de um ano e 11 milhões de dólares.
Apesar da diferença salarial, os números de 2025 colocam os dois jogadores em patamar semelhante: Oweh somou 7,5 sacks e 51 pressões totais pelo Ravens e Chargers, enquanto Chaisson também registrou 7,5 sacks e 52 pressões, atuando pelo vice campeão do último Super Bowl, New England Patriots. A trajetória de Chaisson até chegar a esse nível também passou por instabilidade, incluindo curtas passagens por Jacksonville Jaguars e Carolina Panthers, antes de firmar-se com o Las Vegas Raiders e, posteriormente, com os Patriots.
Antonio Williams, aposta para o WR2
No ataque, a aposta recai sobre o wide receiver Antonio Williams, selecionado na terceira rodada do draft de 2026, vindo de Clemson. Na última temporada universitária, ele somou 55 recepções para 604 jardas e quatro touchdowns recebidos, mesmo lidando com uma lesão no posterior de coxa que o tirou de dois jogos.
A carência de opções no grupo de recebedores é evidente: com a saída de nomes como Deebo Samuel e do tight end Zach Ertz, e considerando as lesões recorrentes de Terry McLaurin, a equipe não possui um WR2 claramente definido para além do próprio McLaurin. Isso pesa muito na NFL moderna.
O gerente geral Adam Peters fez elogios entusiasmados ao novo reforço: “Realmente muito impressionado com o Antonio. […] É um cara de altíssimo nível, trabalhador consistente, o mesmo todos os dias. Alto QI de jogo, consegue se alinhar em múltiplas posições, entende zona, entende marcação individual, entende como vencer, e é super competitivo”
Perspectivas para a temporada de 2026 da NFL em Washington
Com as contratações de Chaisson e Oweh reforçando o pass rush, a maturidade de Reaves na secundária e a chegada de Williams para oxigenar o grupo de recebedores, os Commanders apostam em nomes menos badalados para sustentar uma reconstrução ambiciosa. Resta saber se essas peças, somadas ao retorno esperado de Jayden Daniels em condições plenas, serão suficientes para reverter o retrospecto negativo de 2025 e reaproximar a franquia da elite da conferência.
Foto: Associated Press



