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NFL: O que esperar de Aaron Rodgers e dos Steelers em 2026

Depois de anos de especulações sobre o futuro de Aaron Rodgers na NFL, a resposta finalmente chegou com clareza: a temporada de 2026 será a última da carreira de um dos quarterbacks mais precisos da história do futebol americano. Com 42 anos e ainda com o braço em funcionamento, Rodgers chega ao seu segundo ano com o Pittsburgh Steelers determinado a encerrar sua trajetória da melhor forma possível, e talvez com um Super Bowl a mais no currículo.

A aposentadoria de Rodgers marcará, oficialmente, o fim de uma era dourada para a posição de quarterback na NFL. Ao lado de Tom Brady, Peyton e Eli Manning, Drew Brees, Ben Roethlisberger, Philip Rivers, Russell Wilson, Matt Ryan e Cam Newton, Rodgers foi um dos pilares de uma geração que elevou o futebol americano a patamares nunca vistos, contribuindo diretamente para o crescimento exponencial da liga ao redor do mundo. Não por acaso, muitos dos fãs que descobriram o esporte nas últimas duas décadas, seja no Brasil ou em tantos outros países, tem esses nomes como porta de entrada para o jogo.

Foram eles que tornaram a NFL irresistível para toda uma geração de novos espectadores. Antes que esse capítulo se encerre de vez, no entanto, Rodgers ainda tem mais uma temporada para escrever sua própria história. 

Um começo diferente

Um dos pontos que mais chama atenção nessa preparação para 2026 é a antecipação com que Rodgers se comprometeu com o Steelers. Na temporada passada, ele só assinou com a equipe na fase de minicamp, chegando ao primeiro dia de training camp sem ter sequer encostado em uma bola com seus novos companheiros. O resultado foi previsível: a adaptação demorou, e o time nunca conseguiu atingir seu potencial máximo de forma consistente, o que ficou evidente na derrota para o Houston Texans na rodada de wild card dos NFL playoffs. Quando perderam de 30 a 6 em casa após levar a AFC Norte por um field goal errado no fim de jogo na última partida da temporada regular.

Desta vez, Rodgers tomou sua decisão cerca de um mês antes, o que lhe permitiu participar dos OTAs e do minicamp. Esse tempo, aparentemente pequeno, pode ser determinante. O quarterback pode trabalhar diretamente com o novo treinador principal Mike McCarthy e se familiarizar com as novas peças do time, incluindo o running back Rico Dowdle, o veterano wide receiver Michael Pittman e o calouro Germie Bernard. A base foi estabelecida antes mesmo de o training camp começar, e isso não é algo comum no futebol americano profissional.

A chegada de Mike McCarthy

A contratação de Mike McCarthy como treinador principal representa uma das maiores mudanças institucionais dos Steelers em décadas. Por 19 anos, Mike Tomlin foi o único chefe da equipe, comandando a sequência mais longa sem temporadas negativas na história da NFL. A consistência tinha seu valor, mas também seu custo: Pittsburgh passou a maior parte dos últimos anos preso em um limbo competitivo, nunca ruim o suficiente para garantir escolhas altas no draft, mas também sem capacidade real de disputar um Super Bowl.

McCarthy chega com um histórico que justifica o otimismo. Ele conquistou um Super Bowl com o Green Bay Packers, teve três temporadas consecutivas com 12 vitórias no Dallas Cowboys e é amplamente reconhecido como um especialista em desenvolver quarterbacks. Não por acaso, foi exatamente sob o comando de McCarthy que Rodgers viveu seus melhores anos em Green Bay, incluindo dois de seus quatro prêmios de MVP.

A grande questão é o período de adaptação. Nas duas experiências anteriores de McCarthy como treinador principal, a primeira temporada foi difícil, Green Bay terminou 8-8, e Dallas terminou 6-10. A diferença em 2026, porém, é que Rodgers já conhece a fundo o sistema ofensivo de McCarthy, o que pode ajudar significativamente na curva de aprendizado do restante do elenco.

Um elenco mais competitivo

O Steelers não ficou parado durante a offseason. No ataque, a chegada de Michael Pittman e Germie Bernard ao lado de DK Metcalf cria um trio de wide receivers que pode ser um dos mais ameaçadores da NFL. Rodgers, que ao longo de sua carreira sempre se destacou pela precisão e pela leitura de campo, terá opções de qualidade para distribuir a bola.

No backfield, a saída de Kenneth Gainwell, favorito pessoal de Rodgers e eleito o MVP do time em 2025, foi compensada com a chegada de Rico Dowdle, que tenta se tornar o primeiro jogador da história da NFL a registrar três temporadas consecutivas com mais de 1.000 jardas corridas atuando por três franquias diferentes. Jaylen Warren também segue no elenco após estabelecer recordes pessoais na última temporada, com 958 jardas terrestres e 1.291 jardas totais.

A linha ofensiva, que é o escudo protetor de qualquer quarterback, também recebeu reforços. A assinatura de Brock Hoffman, que jogou com McCarthy em Dallas, e a chegada dos rookies Max Iheanachor e Gennings Dunker fortalecem um setor que foi alvo de críticas. O center Zach Frazier, elogiado diversas vezes por Rodgers publicamente, segue ancorando o interior da linha. 

Na defesa, os Steelers continuam sendo uma das equipes mais intimidadoras da liga. T.J. Watt, Alex Highsmith, Nick Herbig, que renovou seu contrato com extensão lucrativa nesta offseason, e o segundanista Jack Sawyer formam um front de pass rush de causar arrepios em qualquer offensive coordinator adversário. Cam Heyward segue sendo a referência na linha defensiva, enquanto Jalen Ramsey, um dos melhores cornerbacks de sua geração, retorna à sua posição natural após um período jogando como safety na temporada passada.

O calendário favorece Pittsburgh

O Steelers tem o 19o calendário mais difícil da NFL em termos de força de oponentes, com adversários que tiveram uma porcentagem de vitórias combinada de .495 (49.5%) na temporada anterior. Embora os números isolados possam parecer modestos, a composição do calendário oferece algumas armadilhas consideráveis, como um confronto logo no início da temporada contra o New England Patriots na Semana 2 em Foxborough.

Ainda assim, o consenso entre os analistas é de que Pittsburgh está bem posicionado para repetir, ou até mesmo superar, a performance da temporada passada, quando conquistou o título da divisão.

O que está em jogo

Aaron Rodgers encerra sua carreira com quatro prêmios de MVP, um Super Bowl e uma série de momentos inesquecíveis que o colocam entre os maiores da história da posição. Mas como todo grande atleta, ele sabe que a impressão final importa. Em Pittsburgh, com um treinador que conhece seu jogo de cabeça e um elenco reformulado, Rodgers tem diante de si uma janela real para disputar um campeonato.

Se tudo correr conforme o planejado, a temporada de 2026 pode ser a mais completa da passagem de Rodgers pelos Steelers. Tendo um encerramento à altura de uma carreira que poucos conseguiram igualar. Abram o olho nos Steelers! Podem surpreender em 2026 na NFL.

Foto: AP Photo/Gene J. Puskar