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NFL: Mac Jones como moeda de troca: os 49ers e o xadrez do mercado da NFL

A reta final dos OTAs dos San Francisco 49ers terminou com Mac Jones no centro das atenções. O quarterback escolhido na 15a escolha do Draft da NFL de 2021 foi o último jogador do elenco a falar com a imprensa antes do encerramento dos treinos, e suas declarações foram cuidadosamente equilibradas entre a lealdade ao time e a consciência de sua própria situação no mercado. “É o time do Brock”, disse Jones, referindo-se ao titular Brock Purdy. “Não estou no negócio de abandonar boas pessoas. Também amo estar aqui.” Palavras escolhidas a dedo, mas que não apagam o que circula nos bastidores da liga.

Segundo o jornalista e insider da NFL Jason La Canfora, os 49ers nunca tiveram intenção real de negociar Jones nesta offseason. Fontes ligadas ao time e à liga foram unânimes em afirmar isso durante o inverno. No entanto, o contrato remodelado do quarterback não contém nenhuma cláusula que impeça outras franquias de manifestar interesse até o prazo de negociações no meio da temporada. E é exatamente isso que está acontecendo.

Executivos de times rivais enxergam Jones como um potencial luxo para os 49ers caso Purdy se mantenha saudável. Com um salário de apenas 3,15 milhões de dólares para 2026, o último ano de seu vínculo com os 49ers, Jones representa um negócio tentador para qualquer equipe que esteja enfrentando uma crise no setor mais importante do futebol americano: o quarterback. O problema, claro, é que as circunstâncias precisam se alinhar. Seria necessária uma lesão significativa no quarterback titular de um time que já está no radar dos playoffs para que os 49ers cogitem abrir mão de seu reserva mais qualificado.

Os cenários mais prováveis para uma saída durante a temporada da NFL

Os cenários mais óbvios já estão mapeados. Kyler Murray, recém-contratado pelo Minnesota Vikings, é apontado como o caso mais emblemático: a franquia claramente não confia em J.J. McCarthy para carregar o time caso Murray fique de fora. O Cincinnati Bengals, dependentes do talento de Joe Burrow, e o Los Angeles Chargers, com Justin Herbert sob pressão constante, também surgem como destinos plausíveis para Jones caso o azar chegue.

Mas há uma segunda probabilidade nessa história que vai além da simples negociação de um reserva. Os 49ers estão sendo pressionados pela evolução do NFC Oeste, hoje considerada a divisão mais competitiva da NFL. O Seattle Seahawks chega como atual campeão do Super Bowl. O Los Angeles Rams se transformou em uma superpotência ao contratar o EDGE Myles Garrett e o cornerback Trent McDuffie, dois dos melhores jogadores de suas posições na liga. O clima de “corrida armamentista” dentro da divisão é real.

Nesse contexto, múltiplos gerentes gerais identificaram os 49ers como um time propenso a buscar um pass rusher de elite no mercado. Mac Jones, nessa equação, serviria menos como peça direta de troca e mais como gerador de capital em escolhas do draft, moeda que poderia compor um pacote para trazer um defensor de impacto. A lógica é simples: se alguém quer Jones, os Niners pegam as escolhas, usam essas escolhas para ir atrás de um edge rusher, e Kyle Shanahan encontra seu próximo projeto de recuperação de carreira — algo que o treinador faz com uma consistência quase irritante.

“Você acha que o Kyle vai ficar sentado vendo seu amigo [Sean McVay, dos Rams] se divertir assim?”, disse um veterano executivo. “Eles vão precisar ser criativos. Os Rams continuam elevando as apostas. Você tem um quarterback reserva que não te ajuda a ganhar jogos, e alguém quer ele, é hora de vender.”

O que parece certo é que a janela de negociações em outubro pode ser o momento decisivo. O futuro de Mac Jones em San Francisco está menos nas suas palavras durante os OTAs e mais nos boletins médicos que vão circular por toda a NFL ao longo da temporada.

Foto: Getty Images