Faltando poucas semanas para a nova temporada da NFL, Micah Parsons ainda não renovou seu contrato, e o defensor e o Dallas Cowboys parecem longe de um acordo positivo para os dois lados. Essa história se mantém por meses, e um desfecho já poderia ter acontecido, mas, na opinião de Jerry Jones, dono dos Cowboys, Micah Parsons teria voltado atrás em um acordo que os dois teriam feito em uma reunião em março.

Diferentes versões
Jones afirma diversas vezes que Parsons “renegou” um acordo de “aperto de mão” feito há alguns meses sobre uma extensão de contrato. Apesar da fala, o próprio dirigente dos Cowboys se contradiz em outros momentos, como foi na reunião anual da NFL, realizada de 30 de março a 2 de abril.
“Sei que passei cinco, seis horas com ele (Parsons) e tive muitas discussões. A maioria das questões está em acordo, e eu discuti tudo”, disse Jones. “Obviamente, não temos um acordo em relação a um novo contrato. O Micah está sob contrato. Então, vamos ver como isso vai. Não é incomum eu conversar diretamente com os jogadores, e neste caso em particular, é isso que estou fazendo.”
Acerto ou não, Jerry Jones tem o péssimo hábito de negociar com os seus jogadores sem a presença de seus empresários, e com Micah Parsons a situação se repetiu. Em alguns momentos, o dirigente chegou a afirmar que não conhecia quem era o representante de Parsons. Não demorou para o defensor declarar nas redes sociais que só negociaria um acordo com os Cowboys com o envolvimento de seu agente, David Mulugheta.
‘Kryptonita’ de Jerry Jones
Não é de hoje que Jerry Jones desgosta de empresários, mas Mulugheta parece ser um caso especial. O dirigente fez de tudo para tirar a participação do agente Parsons das negociações — sem sucesso — até porque Mulugheta é um dos principais de sua área.
O sucesso de Mulugheta na NFL começa pelo simples fato dele ter encabeçado o famoso contrato de Deshaun Watson com o Cleveland Browns. Considerado por muitos o pior contrato assinado da história da liga, o agente foi um dos responsáveis que convenceu os Browns a pagarem US$230 milhões garantidos em cinco temporadas a um quarterback que era protagonista de denúncias sexuais. Na época, Watson ainda possuía quatro anos restantes de seu contrato com o Houston Texans, no valor de US$136 milhões. Hoje sabemos como esse acordo envelheceu mal.
Mais recentemente, Mulugheta fez Derek Stingley Jr. o primeiro cornerback na história da NFL a receber US$30 milhões por ano (três anos, US$90 milhões), com um recorde para a posição em garantias (cerca de US$ 89 milhões).
No caso de Jerry Jones, o dirigente já foi protagonista de alguns casos polêmicos ao “cortar” os representantes de um jogador na hora de negociar. Um momento conhecido foi o caso de Jimmy Smith, no draft de 1992.
Smith era considerado o terceiro melhor prospecto na posição de wide receiver disponível, e os Cowboys queriam o jogador. Jones ligou para Smith enquanto os Cowboys estavam no relógio para avisá-lo que seria escolhido na 36ª posição geral, mas só se o jogador concordasse com um contrato antes da escolha ser feita. Smith concordou com os termos.
Os Cowboys fizeram isso com outros jogadores que eles selecionaram naquele draft, sendo muito criticados na época, já que não existiam parâmetros financeiros rígidos para cada escolha. Mesmo assim, a atitude da equipe violava o protocolo convencional da NFL. No caso de Smith, o acordo verbal não foi levado em diante e os representantes do jogador negociaram um novo contrato.

O que Micah Parsons poderia ter feito?
Para evitar conflitos e problemas, Parsons, que reconheceu que havia conversado com Jones e não queria mais se comprometer com negociações a portas fechadas sem a presença de seu agente, poderia ter tomado outras atitudes.
O melhor exemplo para Parsons é Dez Bryant. Em 2024, o ex-jogador revelou que encerrou uma tentativa de Jones de negociar diretamente perguntado a Jones se ele poderia cobri-lo em campo. O dirigente admitiu que seria um desastre. Bryant então comparou a tentativa de Jones de pará-lo em um jogo de futebol americano a negociar seu próprio acordo contra Jones.

O jogador não se ajuda
Para muitos, Micah Parsons é considerado um “cliente desafiador”. O defensor já causou surpresa no ano passado ao abrir a porta para um desconto em seu contrato.
“Acho que muitas vezes vemos ‘os mais bem pagos’, e depois dizemos que eles não têm armas, ou que não têm isso”, disse Parsons. “Então, eu preferiria estar na melhor situação, sabe? Nesse ponto, não acho que haja uma grande diferença entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões aos meus olhos, sabe? E isso sou só eu falando.”
Essa fala também envelheceu mal, já que Micah Parsons busca superar o valor de US$41 milhões por temporada que T.J. Watt recebe no Pittsburgh Steelers, ao se tornar o não-quarterback mais bem pago da NFL nos últimos meses.
Nos Cowboys, a equipe descartou o pedido de troca feito por Parsons. Enquanto isso, Mulugheta e a franquia de Dallas não se comunicam desde fevereiro. Ou seja, essa história deve demorar para ter um desfecho.
(Foto principal: Cooper Neill/Getty Images)