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NFL: O que esperar das 12 novas duplas treinador-quarterback

A temporada de 2026 da NFL promete ser repleta de experimentos e apostas arriscadas. Nada menos do que 12 das 32 franquias da liga entram no ano com uma combinação nova entre head coach e quarterback titular, seja pela chegada de um novo comandante no banco, seja pela contratação de um novo jogador para o posto mais importante do futebol americano.

Para compor a lista, os critérios foram claros: qualquer time com um treinador principal ou um quarterback novo na função conta como uma “nova dupla”. O objetivo não é classificar as equipes em si, mas sim avaliar o potencial da relação entre o homem que comanda o time e o jogador que carrega a bola no bolso. Tanto que optamos por fazer patamares entre elas. Dito isso, o desempenho dessa dupla tende a ser um indicador razoável de até onde um time pode chegar na temporada.

As piores apostas

O Cleveland Browns abre o patamar mais baixo e é difícil discordar. Deshaun Watson retorna ao campo depois de dois rompimentos de tendão de Aquiles, um em cada pé. Antes de se machucar, ele já era considerado o pior quarterback da NFL em termos de pontos esperados adicionados por tentativa de passe. O técnico Todd Monken é um nome respeitado como arquiteto do jogo aéreo, mas parece pouco para salvar uma situação que beira o caótico. Algo comum para quem acompanha a NFL e os Browns a mais tempo. Shedeur Sanders também não é o reserva ideal nessa situação

Ainda nesse patamar estão o New York Jets, com Geno Smith no comando do ataque. Smith, que terá 36 anos nesta temporada, vem de uma de suas piores temporadas na carreira, liderando a liga em interceptações. O head coach Aaron Glenn, por sua vez, parece ainda estar aprendendo o ofício no nível mais alto: precisou reformular inteiro o seu corpo técnico após apenas um ano no cargo.

O Arizona Cardinals aparecem para fechar o patamar com Jacoby Brissett sob centro da mídia em meio a negociações de contrato e o head coach novato Mike LaFleur. Brissett teve números que chamam atenção, mas muito por conta do volume de tentativas de passe por jogo, não necessariamente pela qualidade. A situação pode mudar rapidamente se o time decidir colocar Carson Beck em campo para avaliar o que tem nas mãos antes do próximo draft.

O meio do caminho – Famoso o que vier é lucro

Miami Dolphins e Atlanta Falcons ocupam o patamar intermediário. Os Dolphins apostam em Malik Willis, que tem talento mas uma amostragem absurdamente pequena de passes na NFL, além de um ambiente em Miami que está longe da estrutura favorável que ele tinha em Green Bay ao lado de Matt LaFleur. Já os Falcons recebem Tua Tagovailoa, que funcionava muito bem num sistema muito específico criado por Mike McDaniel. Sob o comando de Kevin Stefanski, as coisas prometem ser bastante diferentes, e a adaptação pode ser dolorosa.

O Pittsburgh Steelers entra na lista com Aaron Rodgers e o técnico Mike McCarthy, uma parceria que já foi dominante mas que hoje soa como nostalgia. Rodgers tem 43 anos e McCarthy foi uma contratação que não entusiasmou a torcida. Os números do quarterback na última temporada até foram razoáveis, mas a sensação geral é de declínio lento.

As duplas que empolgam

O New York Giants abre o patamar das duplas que empolgam com Jaxson Dart, quarterback jovem com capacidade atlética notável, ao lado de John Harbaugh, um treinador experiente e vencedor. O problema fica na parte do coordenador ofensivo, Matt Nagy é um nome que não inspira confiança após seus resultados anteriores como head coach nos Bears.

O Tennessee Titans entra nesse patamar com Cam Ward e o novato Robert Saleh no comando. Ward teve uma estreia irregular, mas o teto é alto e o sistema ao redor dele melhorou com boas contratações e a chegada do coordenador ofensivo Brian Daboll, que tem histórico de extrair o melhor de seus quarterbacks.

O patamar ainda tem o Las Vegas Raiders e o jovem Fernando Mendoza, um encaixe praticamente perfeito para o estilo de jogo que o head coach Klint Kubiak quer implementar. É de se esperar que Kirk Cousins deve começar a temporada como titular, mas a expectativa é de que Mendoza entre em campo antes que o ano acabe.

O Minnesota Vikings aparece para fechar esse patamar de que empolga mas falta algo com Kyler Murray, contratação que representa uma melhora significativa em relação a J.J. McCarthy, e o técnico Kevin O’Connell, que já mostrou capacidade de tirar bom desempenho de diferentes quarterbacks. Murray traz velocidade, improviso e capacidade como corredor que os Vikings simplesmente não tinham antes.

A elite

A elite começa com o Baltimore Ravens, que irá jogar no Brasil esse ano, com Lamar Jackson pronto para voltar 100% depois de uma temporada marcada por lesões, ao lado do novo head coach Jesse Minter. O fato de Minter ter um passado mais defensivo prejudica a comparação com seu colega de patamar, que fecha o texto.

Fechando a lista está o Buffalo Bills, com Josh Allen e o head coach Joe Brady. Allen é um dos melhores quarterbacks do mundo, e Brady chega com credibilidade ofensiva suficiente para mantê-lo no alto nível que os Bills exigem. Brady vem de um passado onde esteve treinando quarterbacks e recebedores em LSU na temporada 2019, considerada uma das melhores da história do futebol americano universitário. Além de escalar a pirâmide de treinadores do Buffalo Bills. Ou seja, ele conhece o time que vai trabalhar.

No fim das contas, 2026 se desenha como um ano de renovação para quase metade da liga. Algumas apostas vão pagar, outras vão decepcionar. Mas o que não faltará é material para debate a cada domingo.

Foto: AP Photo/Gene J. Puskar