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Francis Ngannou defende Jon Jones e não se arrepende de ter deixado o UFC

O peso-pesado Francis Ngannou tomou partido no entrevero entre Jon Jones e Dana White, CEO do UFC. No entendimento do camaronês, a organização não está respeitando “Bones”, considerado por muitos como um dos maiores nomes da história do MMA. A briga acontece após o presidente do Ultimate e o ex-campeão apresentarem versões distintas sobre a ausência do lutador no card do chamado “UFC Casa Branca”, evento especial ligado às comemorações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos.

Dana White afirma que Jon Jones nunca foi cogitado para integrar o card histórico, enquanto o atleta sustenta que a questão financeira foi determinante para sua não participação. A divergência expõe mais uma vez os bastidores de negociação da principal organização de MMA do mundo e levanta questionamentos sobre o tratamento dado até mesmo às suas maiores estrelas.

Foi nesse contexto que Ngannou saiu em defesa do americano, adotando um tom crítico à postura do UFC. “Se o maior de todos os tempos não é respeitado, então quem deve ser respeitado? Estou realmente preocupado se é assim que tratam o maior de todos os tempos. Então, imagine o que aqueles que não são os melhores de todos os tempos estão passando”, disse Ngannou, em entrevista ao jornalista Ariel Helwani.

A declaração não apenas reforça a tensão entre lutadores e a organização, mas também ecoa experiências pessoais do próprio Ngannou durante sua passagem pelo Ultimate. Ao questionar a forma como Jon Jones estaria sendo tratado, o camaronês amplia o debate sobre poder, valorização e autonomia dos atletas em uma indústria historicamente centralizada nas mãos das promotoras.

Ngannou também não se arrepende de sair do UFC

Ex-campeão dos pesados, Ngannou deixou o UFC no auge de sua carreira, em uma decisão rara no esporte. O rompimento aconteceu por motivos contratuais: ele buscava maior valorização financeira, liberdade para atuar no boxe e melhores condições gerais de trabalho — demandas que não foram atendidas pela organização.

Desde então, Ngannou trilhou um caminho incomum, migrando entre modalidades e organizações. Embora não tenha acumulado o mesmo nível de vitórias que no MMA, ele protagonizou lutas de grande visibilidade no boxe, enfrentando nomes de elite como Tyson Fury e Anthony Joshua. Ainda assim, os resultados esportivos foram mistos, o que gerou críticas sobre sua escolha de carreira.

Apesar disso, Ngannou mantém convicção absoluta de que tomou a decisão correta. “Essa foi a melhor decisão que talvez eu tenha tomado em toda a minha carreira, porque isso já é um legado”, afirmou em seu canal no YouTube. “Você tem que registrar isso: algo que ninguém tinha feito, e eu fiz. Eu fui lá e consegui. Foi muito bom dar esse passo, enfrentar os dois melhores boxeadores do mundo, depois ir para outra organização e conquistar o supercinturão. Então, estou muito satisfeito com isso.”

Novo rumo

Após deixar a PFL, Ngannou tomou outro rumo na carreira. Em 16 de maio, ele enfrentará Philipe Lins no evento que terá como atração principal o duelo entre Ronda Rousey e Gina Carano. A promoção é liderada pelo youtuber e boxeador Jake Paul, à frente da Most Valuable Promotions (MVP).

Mais do que uma simples luta, o evento simboliza uma nova dinâmica no universo dos esportes de combate, com figuras midiáticas ganhando protagonismo e criando alternativas fora das grandes ligas tradicionais. Nesse cenário, Ngannou surge como um dos principais exemplos de atleta que rompeu barreiras institucionais para redefinir sua própria carreira.

Ao defender Jon Jones e reafirmar suas escolhas, Ngannou reforça um discurso cada vez mais presente entre lutadores: o de que talento e legado deveriam vir acompanhados de respeito e autonomia. Independentemente dos resultados dentro do ringue ou do octógono, sua trajetória já se consolida como um dos capítulos mais emblemáticos da transformação recente nos esportes de combate.

Foto: Icon Sport