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Ngannou x Jon Jones ganha força entre os fãs, mas obstáculos são claros

A possibilidade de uma superluta entre Francis Ngannou e Jon Jones voltou a ganhar enorme força nos bastidores do MMA mundial. E desta vez, o cenário parece diferente dos últimos anos.

Durante o primeiro evento de MMA da Most Valuable Promotions transmitido pela Netflix, Ngannou voltou a falar publicamente sobre o desejo de enfrentar Jon Jones. O próprio Jones respondeu de maneira positiva durante a transmissão, afirmando inclusive que gostaria de deixar seu contrato com o UFC para finalmente fazer a luta acontecer.

O detalhe que transformou tudo isso em algo ainda mais sério foi o posicionamento de Nakisa Bidarian, cofundador da MVP. O dirigente deixou claro que a organização estaria “mais do que disposta” a trabalhar diretamente com Dana White e o UFC em uma copromoção para realizar o confronto.

E justamente aí começa a parte mais complexa, e talvez mais interessante dessa história.

Porque esportivamente a luta parece inevitável há anos. Mas politicamente, ela continua extremamente difícil.

A luta que o MMA espera há anos

Poucos confrontos geraram tanta expectativa na divisão dos pesados quanto Jon Jones contra Francis Ngannou.

Durante muito tempo, os dois foram vistos como os lutadores mais perigosos do planeta em estilos completamente diferentes. Ngannou virou símbolo de força bruta e poder de nocaute quase absurdo. Já Jon Jones construiu carreira baseada em inteligência tática, controle de distância, criatividade e domínio técnico praticamente sem precedentes no MMA.

O auge da discussão aconteceu em 2022.

Naquele momento, Ngannou ainda era campeão peso-pesado do UFC e Jon Jones se preparava para subir oficialmente da divisão dos meio-pesados. A organização chegou a negociar a luta e ofereceu cerca de 8 milhões de dólares para Ngannou aceitar o combate.

Mas as conversas nunca avançaram da forma esperada.

O camaronês passou a exigir mudanças importantes em seu contrato, principalmente liberdade para competir também no boxe profissional. Esse ponto se tornou fundamental porque Ngannou entendia que o UFC restringia demais as possibilidades financeiras e esportivas de seus atletas.

Dana White e o UFC não aceitaram as condições.

O resultado foi histórico: Ngannou deixou a organização em 2023 mesmo sendo campeão linear dos pesados, algo extremamente raro dentro da história do UFC.

Desde então, o confronto contra Jon Jones virou praticamente uma obsessão para parte dos fãs de MMA.

Porque existe uma sensação coletiva de “luta inacabada”.

UFC e Dana White seguem como principal obstáculo

Foto: Getty Images

Apesar do interesse público dos lutadores e da disposição da MVP para negociar, o principal problema continua sendo político e empresarial.

Nakisa Bidarian deixou isso muito claro ao admitir que não acredita que Dana White aceite facilmente uma copromoção.

E o histórico ajuda a explicar isso.

O UFC tradicionalmente evita dividir protagonismo comercial com outras organizações de MMA. Diferente do boxe, onde copromoções acontecem constantemente entre empresas rivais, o UFC construiu sua marca justamente controlando praticamente sozinho seus grandes eventos.

Por isso, o exemplo citado por Bidarian chama tanta atenção.

O dirigente relembrou que o maior evento comercial já ligado ao UFC foi justamente uma copromoção: Floyd Mayweather Jr. contra Conor McGregor em 2017. Aquela luta movimentou centenas de milhões de dólares e se tornou um fenômeno global de audiência.

A diferença é que aquele evento aconteceu em um contexto muito específico.

Agora, o UFC teria que aceitar trabalhar diretamente com uma organização rival em uma luta de MMA envolvendo o principal campeão peso-pesado da história recente da empresa.

E existe outro fator importante: controle de narrativa.

Trazer Ngannou de volta para uma superluta contra Jon Jones também significaria admitir, ainda que indiretamente, que o ex-campeão conseguiu manter enorme relevância mundial mesmo após sair do UFC.

Isso talvez explique por que Dana White continua demonstrando pouco interesse público em reabrir negociações com o camaronês.

O peso histórico da luta vai além do cinturão

Outro ponto importante é que essa luta provavelmente já ultrapassou a questão esportiva.

Ela virou um confronto simbólico entre dois modelos diferentes de carreira no MMA moderno.

Jon Jones representa o auge do sistema tradicional do UFC. Um lutador moldado inteiramente dentro da organização, multicampeão e tratado durante anos como o maior talento técnico da história da empresa.

Já Ngannou representa quase o movimento oposto.

Depois de deixar o UFC, o camaronês conseguiu contratos milionários no boxe, lutou contra Tyson Fury e Anthony Joshua, aumentou enormemente seu valor de mercado e mostrou que um lutador de MMA pode buscar caminhos fora do controle tradicional do UFC.

Isso transformou Ngannou em uma figura quase política dentro do esporte.

E justamente por isso a luta contra Jon Jones ganhou dimensão ainda maior.

Esportivamente, a luta talvez nunca tenha parecido tão possível quanto agora.

Mas politicamente, talvez continue sendo uma das negociações mais difíceis da história recente do MMA.

E justamente por isso ela continua fascinando tanto os fãs do esporte.

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Kaique