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Nico Paz e a nova luz no Lago de Como

Na noite de Como x Genoa (1 a 1), pela terceira rodada da Serie A, o cenário não era iluminado apenas pelas luzes das vilas suspensas nos pré-Alpes lombardos ou pelo reflexo do lago logo atrás do escanteio. Havia outro foco, mais intenso e chamativo para os 12 mil torcedores presentes: a luz de Nico Paz. O meia argentino de 20 anos, revelado pelo Real Madrid, transformou-se no protagonista absoluto de um dos estádios mais singulares do mundo.

O cartão de visitas veio já na estreia do campeonato, quando o Como atropelou a Lazio por 2 a 0. Naquele jogo, ficou evidente que o meio-campista criativo está em um patamar superior nesta temporada. Se no primeiro ano de adaptação à exigente Serie A ele já mostrara lampejos com seis gols e oito assistências, agora parece ter dado um salto que o coloca na mira dos gigantes – inclusive do Tottenham, disposto a pagar até 70 milhões de euros no verão europeu. Para Nico, porém, o foco está claro: se quer voltar ao Real Madrid, precisa evoluir mais um degrau.

Nico Paz: de promessa a protagonista

No ano passado, por vezes, o argentino dava sinais de desconexão, alternando momentos brilhantes com períodos de apagão nos 90 minutos. Neste início de temporada, a história é outra. Em três partidas, ele soma dois golaços, uma assistência espetacular e dois prêmios de melhor em campo. O talento, todos sabiam que ele tinha; o diferencial agora é a força física, a regularidade e os números.

Contra a Lazio, por exemplo, deu uma assistência genial para Douvikas e cobrou uma falta “à la Messi”. O próprio Nico admitiu que vê vídeos de Lionel antes de cada partida para se inspirar. E diante do Genoa, em apenas 13 minutos, deixou outra obra de arte: recebeu passe de Morata com Masina na marcação, fez uma verónica com a perna esquerda para escapar, preparou o disparo e soltou um foguete no ângulo, sem defesa possível.

Um jogador mais completo

Ficou para trás o garoto franzino que saiu de Valdebebas. O jogo contra o Genoa, empatado pelo Como no fim, mostrou os detalhes de sua transformação. A equipe de Vieira, como muitas na Itália após a revolução de Gasperini com a Atalanta, defende homem a homem em todo o campo, exigindo duelos físicos em cada controle de bola. Um ano atrás, Nico talvez tivesse sumido na batalha. Desta vez, aceitou as pancadas de Vázquez – que o marcou de perto o tempo todo – e respondeu à altura no confronto físico.

Além da evolução corporal, seu crescimento tático é evidente. Sob a orientação de Cesc Fàbregas, peça-chave fora do campo para moldar sua leitura de jogo, Nico tem aprendido a se movimentar sem a bola. Com a pressão intensa do Genoa bloqueando os passes aos atacantes, seus desmarques horizontais arrastaram Vázquez e abriram espaços para Morata ou para os cortes de Kuhn nas costas da defesa. Mesmo partindo como meia central, ele se desdobrou para dar fluidez ao ataque.

A caminho do salto definitivo

Essa progressão não se vê apenas nas estatísticas, mas na forma como interpreta o jogo. Antes do duelo com o Genoa, a Serie A lhe entregou o prêmio de “Estrela em Ascensão” do mês de agosto. É possível que, entre os jardins do Templo Voltiano e os hidroaviões que sobrevoam o lago, isso se torne rotina para o jovem argentino.

Cada atuação reforça a ideia de que Nico Paz está pronto para um passo maior. Se será um retorno ao Real Madrid ou uma transferência recorde para a Premier League, o tempo dirá. Por ora, ele parece determinado a dominar o cenário italiano, incorporando potência à sua técnica refinada. O Como pode ser apenas uma etapa, mas é ali, à beira do Lago de Como, que o meia está construindo a narrativa que pode levá-lo de volta a Chamartín vestido de branco – desta vez não como promessa, mas como protagonista.