A Noruega é uma das equipes que podem surpreender positivamente na Copa do Mundo. Assim como a conquista da Dinamarca na Euro de 1992 e o título da Grécia na Euro de 2004, a seleção norueguesa é encarada como um azarão para esta edição do torneio.
Caso isto resulte em um sinal positivo ou presságio de uma decepção, não há uma resposta. Contudo, em certas partes do campo, a Noruega ostenta qualidade inigualável, comparada a outras seleções da Copa, e obteve uma tranquila campanha nas eliminatórias.
O retorno às grandes competições da Noruega
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira grande competição de futebol masculino da Noruega desde a Euro de 2000 e é apenas a quinta participação no principal torneio de esporte do planeta ou nos Campeonatos Europeus. O histórico é praticamente inexistente em relação à maioria dos favoritos do torneio, contrastando com o talento adquirido pelo plantel atualmente, sendo considerado como uma “geração de ouro”.
Ao longo da excelente campanha de qualificação, a Noruega e a Inglaterra foram as únicas seleções a vencer todos os seus jogos. Nenhuma equipe marcou mais gols que os escandinavos (36) e gols esperados (27,2xG), sendo que obteve o recorde de média de gols por jogo na história das eliminatórias: 4,6 gols por partida. Durante a campanha, a seleção goleou a Moldávia por 11 a 1, mas os resultados mais impressionantes foram as vitórias por 3 a 1 e 4 a 1 sobre a Itália.
Nesta sequência, a Noruega apresentou uma letalidade nos contra-ataques, tendo marcado sete gols nas rápidas investidas às áreas adversárias, ao menos quatro gols a mais do que qualquer outra seleção nas eliminatórias europeias. Todavia, uma equipe que marca 37 gols em uma eliminatória não pode ser analisada apenas pelos contra-ataques; o time comandado por Ståle Solbakken constrói jogadas com paciência e constantes trocas de passes. Um claro exemplo foi demonstrado contra a Itália, quando anotou um gol após uma série de 21 passes realizados.
Outro fator destacado dos gols foi que nenhum deles foi marcado de fora da área. A Noruega produzia poucas finalizações quando a probabilidade de gol era baixa, obtendo apenas 34 das 155 tentativas no decorrer das eliminatórias. Primeiramente, esta foi a segunda menor proporção (21,9%) entre todas as seleções na fase de grupos das eliminatórias europeias, mas também auxiliou na postulação da Noruega como a detentora da maior média de xG por chute (0,18).
O poderío ofensivo da seleção e a preferência por criação de oportunidades dentro da área em vez de chutes de longa distância não são uma mera coincidência, levando em conta a qualidade técnica presente no elenco.
A qualidade ofensiva da seleção da Noruega
Os principais jogadores de ataque da Noruega são Erling Haaland, do Manchester City, e Alexandre Sørloth, do Atlético de Madrid. Ao todo, a dupla disputou juntas as oito partidas das qualificações, anotando 21 gols (Haaland fez 16 e Sørloth, cinco). Haaland atua como centroavante, enquanto Sørloth joga um pouco mais perto do lado direito na seleção.

A qualidade ofensiva é mais evidente pelo momento de Jørgen Strand Larsen. Jogador indiscutível em anos recentes, atuou pela última vez como titular em um jogo oficial da Noruega em 2023. No decorrer das eliminatórias para a Copa do Mundo, ele jogou apenas 30 minutos contra a Itália e marcou um gol.
Talvez o cenário ideal de que Strand Larsen precisa seja semelhante à trajetória de Salvatore Schillaci pela seleção italiana na Copa do Mundo de 1990. Jogador que pouco havia atuado antes do torneio foi o artilheiro da competição com seis gols marcados e um dos responsáveis por levar a Itália ao terceiro lugar na tabela de classificação.
É evidente que a Noruega não tem apenas atacantes de qualidade técnica e tática. O meio-campo do Arsenal, Martin Ødegaard e Sander Berge do Fulham, são principais referências criativas e de proteção da defesa, respectivamente.
Ainda que Erling Haaland tenha terminado como o goleador máximo de toda a campanha de qualificação para a Copa do Mundo, Ødegaard foi o principal assistente das eliminatórias europeias, ao distribuir sete passes para gols. Já Berge foi registrado como o terceiro jogador com maior número de passes que quebraram linhas (98, ao lado do croata Luka Modric e do holandês Frenkie de Jong) e obteve o maior número de corridas (250).
Caso Ødegaard não tivesse sofrido problemas musculares pelos Gunners, ele seria o jogador que mais atuou pela seleção, com 115 jogos. Atualmente, ele já jogou 68 vezes pelo time profissional.
Já que se trata de um país com renomado talento futebolístico de nível mundial, torna-se difícil imaginar que a Noruega não se classificava para uma grande competição desde a Euro 2000. Para uma contextualização deste período, Haaland nasceu exatamente um mês depois da última partida da seleção pelo torneio europeu.
Há a noção de que nem todas as equipes da seleção norueguesa tiveram qualidades semelhantes às atuais; entretanto, a esperança é de que a participação de jogadores como Haaland possa retomar o tempo perdido. Em síntese, diversas situações ocorreram na Noruega desde a ascensão meteórica do atacante nórdico.
Aos 24 anos, ele já havia conquistado o posto de maior artilheiro da história da seleção, passando Jørgen Juve, responsável por 33 gols entre 1928 e 1937. Ao ter alcançado a marca de 50 partidas pela Noruega, Haaland já tem 50 gols marcados.
Ele é o principal jogador desta nova Noruega. Uma seleção conhecida pela juventude em seu elenco, que carrega a ambiciosidade e o almejo por novos planos no futuro.
Créditos da imagem da capa: Reprodução/Fotballandslaget