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Futebol

Análise: Santos precisa mudar logo para não ter mais um ano perdido ou até trágico

(por João Zarif) Depois de escapar com um empate na estreia contra a Inter de Limeira pelo Paulistão, o Santos dessa vez pagou por outra péssima atuação, e perdeu em casa por 1-0 para o Botafogo-SP. Independentemente do resultado, o nível de atuação, a forma como a equipe é pensada pelo técnico Fábio Carille e, principalmente, a inoperância de mercado da diretoria santista, ligam o alerta vermelho para 2022.Outrora um gigante do futebol mundial, o Santos passou o ano de 2021 na luta contra o rebaixamento tanto no Paulistão, quanto no Brasileirão, e teve a pior campanha da equipe em Libertadores desde 1984, sendo eliminado na fase de grupos. Após mudar seus objetivos ao longo da temporada e conseguir a manutenção na série A, a diretoria viu com otimismo o trabalho de Carille, e apostou no técnico para 2022.Após menos de 1 mês de trabalho no ano, fica claro que o técnico não tem ideias que possam fazer o time evoluir. A equipe apresenta o mesmo futebol “pobre” do ano passado. A insistência no esquema de 3 zagueiros, pela fragilidade defensiva dos alas, torna o time inoperante ofensivamente. Não pelo sistema por si só, mas porque a formação requer qualidade no passe dos defensores na saída de bola para iniciar a construção das jogadas, e isso, como sabemos, o Santos não tem. Os zagueiros, nesse sistema, cobrem os alas, e estão em diversos momentos no 1×1 contra pontas velozes e ágeis. Para darem conta do recado, precisam conseguir combater isso, mas Velázques e Bauermann não são especialistas nessa função. Além disso, ao escolher 3 defensores e dificultar (em teoria) ações adversárias em sua área, o time abre mão de um meio-campo ou atacante, e acaba sobrecarregando os jogadores de meio. A compactação por si só não funciona se os jogadores de meio não tem capacidade física para “cobrir” o setor. E ainda precisam de capacidade técnica para auxiliar na fase ofensiva, não só na construção, como na definição, já que o time “deixa” 3 jogadores atrás quando ataca.Nos dois jogos até aqui, foram utilizados Camacho, Zanocelo, Pirani (expulso na estreia) e Marcos Guilherme. A equipe ainda terá Sandry quando recuperado de lesão, e Jóbson deve ganhar algum espaço, mas sabemos que é muito irregular. O veteraníssimo Carlos Sánchez é uma incógnita. Voltou de grave lesão no segundo semestre de 2021, mas visivelmente fora de forma, pouco contribuiu, resta torcer para que reencontre seu bom futebol. Felipe Jonathan pode ser utilizado no meio-campo quando estiver disponível, mas deixa uma lacuna muito grande na lateral-esquerda, já que Lucas Pires, recém-promovido, não deve ser tão utilizado de imediato. Além disso, o time contratou Ricardo Goulart, que ainda não sabemos como será utilizado, e se estiver saudável pode auxiliar no fortalecimento do meio-campo. Ao olhar com calma os atletas disponíveis, e que são utilizados na “meiuca” do time, fica claro a ausência de um “área-a-área”, e também de algum jogador com grande capacidade de improviso, capaz de fazer passes que furem linhas, incomodando e desmontando sistemas defensivos. Sandry tem grande visão de jogo, mas não tem a mobilidade para flutuar nas costas do ataque, sendo muito mais um armador recuado, do que um “enganche”.Fato é, que se a equipe não conta com nenhum jogador “completo” para a camisa 8, ter minoria no setor não irá ajudar. Muito menos “povoar” a defesa, que fica “vendida” com o setor de proteção esvaziado, e prejudica o time na fase ofensiva do jogo, que quase nunca tem superioridade no ataque, defeito recorrente no Santos desde que Carille assumiu a equipe. Um time estático sem a bola, lento com a bola, e sem ideias, é a cara do alvinegro nos últimos meses.A falta de opções no elenco, principalmente de jogadores com capacidade técnica no último terço, não é culpa de Carille, mas sim da diretoria, que se desfez dos principais pilares do elenco e quando tentou repor errou grosseiramente. Pelo andar da carruagem, novos jogadores não irão chegar, não só pela falta de recursos financeiros, mas também por que o time não tem conhecimento de mercado, atacando apenas peças óbvias e consequentemente caras demais pro atual momento do time.Agora o time perdeu Marinho, grande referência da equipe nos últimos 2 anos, e o jovem Ângelo terá que assumir a responsabilidade. Ele estará à altura do desafio? Não sabemos ainda, mas talento sobra ao garoto, e se tem algum lugar onde isso dá certo, é na Vila Belmiro. Outro que pode ser fundamental é Marcos Leonardo, que recentemente renovou seu contrato após longa novela, e tem tudo para deslanchar em 2022. A diretoria precisa estar atenta ao que vimos no ano passado e nesse curto início de Campeonato Paulista, pois as perspectivas não fogem do ocorrido nos últimos 12 meses: falta de planejamento e pouca criatividade no mercado de transferências por parte da diretoria, venda de pilares fundamentais do time, comissão técnica com ideias que pouco ajudam e um time titular/elenco limitado tecnicamente. Ao torcedor do Santos (e eu me incluo aqui) resta rezar, à comissão técnica trabalhar sem medo de errar, e à diretoria resta acordar agora, ou um amanhecer tardio pode nos colocar na série B.

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