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Futebol

Esquenta para a decisão da Champions: a primeira hegemonia inglesa em uma final e o escorregão crucial para o título dos Red Devils

(por Isaac Simões) Mesmo diante de tantas tecnologias e a disponibilidade da informação na palma da mão, há quem ouse questionar o motivo da admiração pelo futebol inglês. Se em pleno 2021 temos motivos de sobra para traçar comparações quase que “absurdas” entre nosso futebol e o praticado na Terra da Rainha, no início da primeira década do século XXI, era impossível não defender as cores de um clube inglês.Mais precisamente durante os sete anos que se passaram entre 2004 e 2011, quem se permitisse conhecer a Premier League, iria vestir azul ou vermelho. Chelsea e Manchester United travaram, ao longo de quase uma década, uma disputa pela hegemonia do futebol inglês, fazendo jus aos seus mascotes. Quando não eram os Blues, leões azuis de Londres que erguiam taças, eram os Red Devil, os diabos vermelhos, de Manchester, que vibravam.Em meio a tantas conquistas e verdadeiras lendas dentro de campo, como Frank Lampard, Ryan Giggs, Petr Cech, Van der Sar, Drogba, Cristiano Ronaldo entre outros; o duelo entre as equipes dessa geração não poderia deixar de ser o confronto decisivo pela taça mais cobiçada do velho continente. A final!O ano foi 2008. O palco, o mais improvável possível: Moscou, capital da Rússia, antiga União Soviética. Dia 21 de maio, jogo que encerraria, como de costume, a temporada 2007-2008 na Europa. Engasgado com o bicampeonato inglês do United, o Chelsea buscava sua redenção, enquanto o Manchester, de Sir Alex Ferguson, esbanjava confiança, beirada à prepotência. Difícil não apontar os Red Devils de Van der Sar; Brown, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Scholes, Hargreaves e Cristiano Ronaldo; Tevez e Rooney como os melhores. Mais complicado é não dizer que os Blues de Cech, Essien, Ricardo Carvalho, Terry e Ashley Cole; Makelele, Ballack, Lampard e Joe Cole; Malouda e Drogba não eram superiores.Cristiano x LampardA entrada das equipes no gramado do Luzhniki Stadium foi, talvez, a mais bela imagem estética dos últimos anos de Champions League. Chelsea todo de azul. Manchester com a camisa vermelha, shorts e meiões brancos. Arquibancadas meio a meio e o sentimento de ser inglês imperando. Quando a bola rolou, o jogo foi ‘pegado’, ‘mordido’, sem grandes espaços nos primeiros minutos. Cristiano Ronaldo, que viria a ser melhor do mundo, tinha os holofotes, enquanto Lampard e Drogba, dividiam os olhares pelo Chelsea. Aos 22 minutos, o portugûes abriu os caminhos da maneira mais improvável: tabelinha entre Brown e Scholes, cruzamento no segundo pau e CR7 subindo mais alto que Terry e Ricardo Carvalho para testar no canto direito de Cech, estático: 1 a 0 Red Devils. O gol aumentava a pressão nos Blues, o sentimento de impotência diante de um rival poderoso e soberano parecia querer tomar alguns jogadores. Mas, onze minutos depois, em jogada dos mais experientes, o time londrino percebeu que também era gigante. Cruzamento de Ashley Cole, ajeitada de Drogba, de cabeça, e testada de Ballack para o gol, obrigando Van der Sar a espalmar. Poderoso, o United quase ampliou no lance seguinte, após Tévez receber cruzamento venenoso de Cristiano Ronaldo e parar em Cech. Carrick ainda tentou no rebote, mas viu o goleiro fazer um milagre.Mas, como os últimos jogos entre as equipes, Chelsea x Manchester United em uma final de Champions prometia muitas emoções. Quase no último minuto do primeiro tempo, Essien arriscou chute rasteiro pela direita, a bola desviou em Ferdinand e sobrou limpa para Frank Lampard tirar de Van der Sar e recolocar os Blues na partida: 1 a 1.Sorte de campeão e Drogba expulsoSe o primeiro tempo mexeu com os torcedores, mas também trouxe uma beleza plástica dentro de campo, a etapa final foi mais estudada, com poucas chances. Mesmo assim, as poucas bolas que tiraram o “uhh” dos ingleses veio do lado londrino. Drogba, artilheiro dos Blues, soltou uma pancada, quase sem espaço, aos 32 minutos e acertou o poste esquerdo de Van der Sar. Antes, Michael Ballack já havia assustado o goleiro holandês com um foguete, mas o confronto chegou à prorrogação.Sem conseguir passar pela marcação do meio-campo do Chelsea, o Manchester demonstrou nervosismo pela primeira vez na decisão e optou pelo conservadorismo. Em contrapartida, Lampard que naquele momento salvava os Blues, quase virou herói, quando acertou o travessão aos 9 minutos. Ferguson chamou a experiência de Ryan Giggs e, na primeira jogada em campo, o galês quase balançou as redes, se não fosse a cabeça do capitão John Terry no meio do caminho. Antes do apito final, Drogba entrou na pilha de Carlitos Tévez e acabou expulso, enquanto o argentino ficou só no amarelo. Vantagem para o United nas penalidades.Escorregão fatalTensão no ar, bola na marca da cal e torcedores cobrindo os olhos. Os fãs do Manchester talvez só não esperavam que o erro viria justamente do maior astro: após dois pênaltis convertidos para cada lado, Cristiano Ronaldo foi para a cobrança e Cech defendeu. Maestro do Chelsea, Lampard bateu firme e colocou os Blues na frente: 3×2.Owen Hargreaves com categoria, fez o terceiro do United, mas Ashley Cole marcou o quarto do Chelsea. Conterrâneo de Ronaldo, Nani bateu firme, Cech tocou na bola, mas ela entrou e igualou o placar. Faltava o último pênalti para os Blues e o capitão John Terry pegou a redonda e foi confiante para a batida. Era fazer e comemorar o primeiro título europeu da história do clube, onde chegou ainda garoto. Mas, a história foi diferente. Na hora da cobrança, o zagueiro cometeu o maior escorregão de sua carreira e, mesmo deslocando Van der Sar, viu a bola ir para fora. Em um duelo equilibrado, histórico, entre duas equipes conhecidas, a confiança e o detalhe fariam a diferença. O Chelsea sentiu o erro do capitão, o Manchester ouviu os gritos de Sir Alex Ferguson, conhecedor nato do clube e importante até nas penalidades. Após Anderson e Kalou marcarem, Giggs (escolhido por Ferguson) fez o dele e deu moral a Van der Sar. Estava escrito, o goleiro acertou o canto na cobrança seguinte, defendeu o chute de Anelka e garantiu o tricampeonato da Champions para um gigante do norte da Inglaterra! “Campeones, olé olé olá”.

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