Neste final de semana, o futebol inglês verá um confronto que vai muito além do peso dos nomes em campo. A semifinal da FA Cup, entre Manchester City e Nottingham Forest, coloca frente a frente dois dos times mais interessantes da temporada por motivos opostos.
De um lado, o Manchester City de Pep Guardiola, sinônimo de posse, volume e agressividade ofensiva. Do outro, o Nottingham Forest de Nuno Espírito Santo, uma equipe compacta, reativa e que aposta em uma solidez defensiva impressionante para sobreviver (e vencer) os grandes desafios da temporada até agora. Vamos ver como esse encaixe vai acontecer durante a partida e quem chega como favorito.
O favoritismo natural do City… com asteriscos
É impossível ignorar que o Manchester City entra em qualquer competição nacional como favorito. O time ainda é o atual campeão da Premier League e vice campeão da FA Cup, e conta com um dos elencos mais profundos e técnicos do futebol mundial. A ideia de jogo proposta por Guardiola, construída em posse de bola paciente, amplitude com os pontas e trocas constantes de posição no terço final, ainda é dominante, especialmente contra times médios e pequenos.
No entanto, a temporada 2024/25 vem sendo menos confortável do que o torcedor está acostumado. A principal explicação para isso atende pelo nome de Rodri. O volante espanhol sofreu uma lesão grave no joelho no ano passado e segue fora de ação. Sem ele, o sistema defensivo do City, que se apoia na pressão pós-perda e na compactação com a linha de meio-campo, desmoronou em várias partidas. A proteção à zaga ficou vulnerável, e adversários que antes mal passavam do meio-campo agora conseguem criar chances com consistência.
Mesmo com nomes como De Bruyne, Bernardo Silva, Phil Foden e Haaland no ataque, o City tem oscilado ofensivamente. A saída de bola ficou mais exposta, e o time tem encontrado dificuldades para acelerar as transições com a mesma fluidez. Isso não tira o peso da camisa ou o talento do elenco, mas abre um flanco para adversários organizados acreditarem em uma zebra viável.
Nottingham Forest: uma fortaleza sob comando português
Se o City é um time que empilha passes e sufoca adversários, o Nottingham Forest de Nuno Espírito Santo é o oposto em filosofia. O treinador português encontrou uma identidade sólida para um clube que, apesar de tradicional, passou anos apagado no cenário europeu. Em 2025, o Forest vive sua melhor campanha em décadas, disputando vaga na Champions League via Premier League e agora a um jogo de uma final de FA Cup.
A principal força da equipe está na organização defensiva. Nuno montou um time que recuou as linhas, compactou o meio e apostou em laterais mais cautelosos e zagueiros com excelente leitura posicional. Murillo e Milenkovic vêm fazendo uma temporada brilhante no setor defensivo, protegendo a meta de Mats Sels, que também vive um ótimo momento.
No ataque, o Forest é letal quando tem espaço. O time joga nos erros do adversário, recupera a bola e acelera com transições diretas, geralmente buscando Chris Wood como pivô e explorando a velocidade de Elanga, Hudson-Odoi ou Gibbs-White. Não é um time que vai dominar a posse de bola, mas é um time que sabe sofrer e que vem se especializando em calar estádios.
A batalha tática
O confronto entre Guardiola e Nuno Espírito Santo é um verdadeiro choque de filosofias. O técnico espanhol buscará controlar o jogo desde o início, ocupando o campo adversário com amplitude e trocas de passes curtas. Para isso, precisará de uma atuação mais coesa de sua defesa e do meio-campo. Kovacic e Gundogan devem ser os principais encarregados de fazer a bola rodar com segurança, mas, sem a proteção ideal, qualquer erro pode ser fatal.
O Forest, por sua vez, apostará na paciência. O time sabe que será sufocado em muitos momentos, mas já demonstrou capacidade para aguentar a pressão e ser cirúrgico nas poucas chances que cria. A movimentação de Gibbs-White entre as linhas e os cruzamentos buscando Chris Wood podem ser armas importantes contra a defesa do City, que tem sofrido com bolas aéreas.
Para o Manchester City, a FA Cup pode ser a chance de salvar uma temporada abaixo do esperado. A eliminação na Champions League e as oscilações na Premier League colocam pressão sobre Guardiola, que vê na copa o último troféu possível em 2025.
Para o Nottingham Forest, chegar à final seria a consagração de um trabalho meticuloso, que recuperou a relevância do clube após décadas. Além disso, o título da FA Cup é um bilhete dourado e um marco na reconstrução do clube.
(Foto: Michael Regan/Getty Images)