A goleada do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Vitória não chamou atenção apenas pelo placar. Abel Ferreira aproveitou a partida para testar uma formação diferente no setor ofensivo, deixando o Palmeiras sem um centroavante de origem e apostando na mobilidade de seus atacantes. O resultado foi uma atuação dominante, com gols de Maurício, Sosa e Arias, além de uma assistência do colombiano.
O desempenho da nova configuração levanta uma dúvida para a sequência da temporada: o sucesso do sistema pode fazer o Palmeiras repensar uma possível venda de Flaco López, que segue valorizado no mercado após a Copa do Mundo?
Sistema sem centroavante deu mais liberdade ao ataque palmeirense

Uma das principais novidades da equipe foi a formação utilizada por Abel Ferreira.
O Palmeiras atuou com três zagueiros, aproveitando a qualidade defensiva de Gustavo Gómez, Murilo e Barboza para dar mais segurança ao sistema. Nas laterais, Allan e Piquerez tiveram liberdade para atuar praticamente como alas, participando constantemente da construção das jogadas e oferecendo amplitude ao ataque.
Sem um atacante de referência, Arias atuou mais recuado na criação das jogadas, enquanto Maurício e Sosa ocuparam constantemente os espaços entre a defesa adversária.
A principal característica do sistema foi justamente a movimentação.
Sem um jogador fixo dentro da área, os três homens de frente trocaram de posição durante praticamente toda a partida, dificultando a marcação do Vitória.
Os números ajudam a explicar o sucesso do teste.
Maurício marcou um gol, Sosa também balançou as redes e Arias participou diretamente de dois gols, anotando um e distribuindo uma assistência.
Mais do que os números individuais, o Palmeiras apresentou um ataque imprevisível, com jogadores aparecendo em diferentes setores do campo e ocupando espaços deixados pela defesa adversária.
Além disso, a presença de três zagueiros permitiu que a equipe mantivesse equilíbrio defensivo mesmo com muitos atletas participando das ações ofensivas.
Elenco oferece ainda mais possibilidades para Abel Ferreira

Outro fator que chama atenção é que o Palmeiras ainda possui outras peças importantes para o setor ofensivo.
Vitor Roque e Paulinho oferecem características completamente diferentes e ampliam as opções do treinador para variar o modelo de jogo ao longo da temporada.
Enquanto Vitor Roque pode atuar como um atacante de maior profundidade, explorando velocidade e atacando os espaços, Paulinho oferece mobilidade para jogar pelos lados ou até como segundo atacante.
Isso significa que o sistema utilizado contra o Vitória não precisa ser encarado como uma solução definitiva, mas sim como mais uma alternativa dentro de um elenco extremamente versátil.
Essa variedade de características permite que Abel adapte a equipe conforme o adversário sem depender obrigatoriamente de um centroavante clássico.
Flaco López continua valorizado, mas cenário pode gerar reflexão no mercado

É justamente essa evolução tática que pode influenciar uma eventual decisão sobre Flaco López.
O argentino segue apresentando bons números na temporada e continua sendo uma peça importante dentro do elenco palmeirense.
Ao mesmo tempo, sua valorização no mercado nunca foi tão alta.
Após a Copa do Mundo, o atacante passou a despertar ainda mais interesse do futebol internacional, e a última investida concreta veio do Spartak Moscou, que ofereceu aproximadamente R$ 120 milhões para contratar o jogador.
Até agora, o Palmeiras não demonstrou interesse em negociar.
Entretanto, caso Abel Ferreira confirme que consegue manter um alto nível ofensivo utilizando diferentes formações e aproveitando a qualidade técnica de jogadores como Arias, Maurício, Sosa, Paulinho e Vitor Roque, a diretoria pode passar a enxergar uma eventual venda por valores elevados de maneira diferente.
Isso não significa que Flaco López tenha perdido espaço ou deixado de ser importante. Pelo contrário, seu desempenho na temporada segue justificando sua permanência no elenco.
No entanto, o sucesso do novo modelo ofensivo mostrou que o Palmeiras possui alternativas capazes de manter a equipe competitiva mesmo sem um centroavante de origem em campo. Em um mercado onde uma proposta superior a R$ 120 milhões pode voltar a surgir, essa flexibilidade tática pode se tornar um fator importante na hora de decidir o futuro do atacante argentino.


