Valencia x Barcelona, La Liga 2026/2027. Foto: Reprodução/FC Barcelona via site oficial.
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Novo Barcelona: Veja as mudanças que explicam o início de temporada avassalador

O Barcelona de Hansi Flick começou a temporada em grande ritmo, mas os números positivos não são fruto apenas da boa fase dos jogadores. O treinador alemão promoveu mudanças importantes na estrutura da equipe para evitar que o time se tornasse previsível depois de uma primeira temporada marcante e de alguns sinais de desgaste no segundo ano.

A transformação mais evidente está no ataque, com Raphinha atuando como camisa 9. Mas essa está longe de ser a única novidade. Flick mexeu na lateral esquerda, alterou a dinâmica do meio-campo com a chegada de Rodri e ainda pediu para Lamine Yamal aparecer mais dentro da área adversária.

O resultado é uma espécie de “Flick 3.0”: um Barcelona que mantém princípios anteriores, mas apresenta novas soluções para atacar, pressionar e ocupar espaços.

Raphinha de 9 muda dinâmica do Barcelona

A utilização de Raphinha como centroavante nasceu quase por necessidade. A ideia talvez nem tivesse sido colocada em prática caso a contratação de Julián Álvarez tivesse avançado ou se Ferran Torres tivesse permanecido no clube em vez de seguir para Paris.

Quando o Barcelona chegou a um acordo com o Manchester City pela contratação de Rodri, Flick recebeu a indicação de que Julián Álvarez não chegaria. A partir daí, o treinador precisou encontrar uma alternativa dentro do próprio elenco.

Raphinha acabou sendo a resposta.

O brasileiro já exercia uma função fundamental na pressão. Flick chegou a descrevê-lo como o “primeiro homem na pressão” e como uma espécie de “nove defensivo”, responsável anteriormente por fazer parte do trabalho sem bola que Lewandowski não executava com a mesma intensidade.

Agora, atuando centralizado, Raphinha mantém essa agressividade e ainda modifica a estrutura defensiva do time. Sua presença como 9 permite que jogadores como Gordon ou Adeyemi participem mais da recomposição, dando ao Barça mais mobilidade.

Ofensivamente, o brasileiro também representa uma ideia moderna para a posição. Em vez de um centroavante fixo, o Barcelona aposta em movimentação e troca constante de posições.

Deco já defendia ataque com mais mobilidade

A transformação de Raphinha também reforça uma ideia defendida por Deco.

O dirigente insistia que o Barcelona precisava contratar jogadores ofensivos, mas não necessariamente um centroavante tradicional. Para ele, o futebol moderno exige mobilidade e jogadores capazes de atacar diferentes espaços.

O PSG era frequentemente citado como exemplo dessa filosofia.

Dentro dessa lógica, o Barcelona passou a ter diferentes alternativas para atuar centralizado. Além de Raphinha, Dani Olmo, Gordon e até Fermín já receberam minutos como falso 9 ou referência mais móvel.

Gabriel Jesus também aparece como uma carta que pode ser utilizada futuramente.

Essa variedade torna o setor ofensivo menos previsível e permite a Flick adaptar sua equipe dependendo do adversário.

Lado esquerdo passa pela maior transformação

Se o ataque mudou bastante, a alteração mais radical aconteceu pelo lado esquerdo.

Nas duas primeiras temporadas de Flick, Balde praticamente funcionava como um ponta. O lateral permanecia aberto e aproveitava o espaço criado por Raphinha, que gostava de atacar corredores interiores.

Agora, esse modelo foi completamente modificado.

Xavi Espart e João Cancelo passaram a ser as principais opções de Flick para o setor. Os dois são destros e atuam pelo lado esquerdo com o pé invertido.

Além disso, ambos possuem experiência em funções de meio-campo.

Espart começou a carreira como meio-campista, enquanto Cancelo já chegou a atuar por dentro durante sua passagem pelo Manchester City.

Flick aproveitou justamente essa característica para aproximar os laterais do centro do campo e criar superioridade numérica na construção ofensiva.

Laterais ganham função mais central no Barça

Em vez de permanecerem presos à linha lateral, Espart e Cancelo podem ocupar espaços interiores e participar diretamente da circulação da bola.

Essa mudança ajuda o Barcelona a criar mais jogadores no meio-campo e dificulta a marcação adversária.

Ao mesmo tempo, os dois também acrescentaram gols.

Xavi Espart marcou contra o Levante, enquanto João Cancelo balançou as redes duas vezes contra o Racing no Spotify Camp Nou.

A presença dos laterais por dentro representa uma das principais diferenças entre o Barcelona atual e aquele das primeiras temporadas de Flick.

O time deixou de depender tanto da amplitude pela esquerda e passou a criar novas linhas de passe na região central.

Rodri muda funcionamento do meio-campo

A chegada de Rodri também provocou um impacto profundo.

Nas duas primeiras temporadas de Flick, o Barcelona utilizava principalmente um sistema com dois meio-campistas mais recuados, normalmente De Jong e Pedri.

Lesões obrigaram o treinador a utilizar diferentes combinações ao longo desse período. Casadó e Bernal começaram juntos no verão de 2024, enquanto Gavi e até Dani Olmo também apareceram em algumas oportunidades.

Com Rodri, porém, a estrutura mudou.

O espanhol passou a funcionar como a principal referência da saída de bola, uma espécie de ponto de equilíbrio a partir do qual o Barcelona organiza suas ações.

Isso permite que Pedri tenha mais liberdade.

Pedri ganha liberdade e pode chegar mais ao ataque

Pedri continua sendo um dos jogadores mais importantes do Barcelona, mas sua função sofreu pequenas alterações.

Com Rodri oferecendo equilíbrio por trás, o camisa 8 pode se movimentar mais livremente e aparecer com maior frequência próximo da área.

A intenção também é reduzir o desgaste físico.

O próprio Rodri comentou recentemente que Pedri, em determinados momentos, “corre demais”. A ideia é facilitar o trabalho do companheiro para que ele não chegue esgotado aos minutos finais das partidas.

Isso não significa diminuir sua influência.

Pelo contrário. Pedri continua tendo liberdade para circular pelo campo, mas agora pode guardar mais energia para aparecer em zonas decisivas.

A conexão com Raphinha nos gols contra Athletic e Feyenoord mostrou como essa mudança pode beneficiar o Barcelona.

Lamine Yamal recebe nova missão de Flick

Pelo lado direito, as mudanças são menores, mas também existem ajustes importantes.

Koundé perdeu parte do status de titular absoluto na lateral direita, com Eric ganhando espaço.

A conexão entre Eric e Lamine Yamal tem funcionado muito bem, principalmente pela capacidade dos dois de combinarem em espaços curtos.

Taticamente, Lamine mantém boa parte das características da temporada anterior. Ele continua recebendo aberto, buscando o um contra um e criando jogadas partindo da direita.

A principal novidade está em uma orientação de Flick: entrar mais na área quando a jogada acontece do lado oposto.

Dessa maneira, Lamine pode aparecer como elemento surpresa para aproveitar cruzamentos rasteiros e passes para trás.

Foi assim que conseguiu receber bolas de Adeyemi e Raphinha em situações de finalização.

Barcelona busca mais gols de Lamine Yamal

A comissão técnica entende que aumentar os números de Lamine será importante para o futuro do Barcelona.

Depois das saídas de Ferran Torres e Lewandowski, o time perdeu jogadores que contribuíam regularmente com gols.

Por isso, Flick quer que Lamine participe mais diretamente das finalizações.

O jovem já possui enorme capacidade para criar chances, mas agora também precisa aparecer com maior frequência em zonas de conclusão.

Essa mudança não significa abandonar seu papel como ponta criativo, mas acrescentar uma nova dimensão ao seu jogo.

Flick tenta evitar que Barcelona se torne previsível

O grande objetivo dessas mudanças parece claro: impedir que o Barcelona fique previsível.

Depois de duas temporadas utilizando estruturas parecidas, Flick percebeu a necessidade de modificar algumas funções.

Raphinha deixou a ponta e virou 9. Os laterais passaram a ocupar espaços interiores. Rodri assumiu o papel de referência na construção. Pedri ganhou liberdade mais perto da área e Lamine Yamal recebeu a missão de atacar mais o segundo poste.

São alterações que não abandonam completamente os princípios anteriores, mas modificam a maneira como o Barcelona ocupa o campo.

O Barça continua buscando intensidade, pressão alta e jogo ofensivo, mas agora possui mais ferramentas para encontrar espaços.

Os números do início da temporada chamam atenção, mas talvez o aspecto mais importante seja justamente essa evolução tática.

Flick entendeu que precisava mexer no time para continuar competitivo. E o Barcelona 3.0 começa a mostrar que essas mudanças podem tornar a equipe ainda mais difícil de enfrentar.

Foto: Reprodução/FC Barcelona via site oficial.