O West Ham está vivendo um momento complicado na Premier League. Em 19º lugar, os Hammers decidiram apostar em Nuno Espírito Santo para suceder Graham Potter no comando do time. E a grande pergunta é: será que ele é mesmo o nome certo para tirar o clube do sufoco e recolocá-lo nos trilhos?
O currículo do português tem altos e baixos. Ele brilhou no Wolves, levando o time da Championship para a Premier League e ainda colocando a equipe em competições europeias. Também conseguiu resultados acima do esperado no Nottingham Forest, principalmente na última temporada. Por outro lado, sua passagem pelo Tottenham não empolgou. Mesmo assim, olhando para o cenário atual do West Ham, parece mais com as situações que Nuno encontrou no Wolves e no Forest do que com a do Spurs.
Um estilo mais pragmático
Nos últimos anos, muita gente passou a ver com bons olhos treinadores que pregam posse de bola e futebol ofensivo. Mas, se a gente olhar para o histórico do West Ham, nem sempre isso funcionou. Moyes, com um estilo mais pragmático, conquistou a Conference League em 2023 e deu solidez ao time. Já tentativas de jogar mais bonito com Manuel Pellegrini, Julen Lopetegui e Potter não deram certo.
Nuno tem uma filosofia que lembra bastante a de Moyes: times que têm menos a bola e apostam em contra-ataques rápidos. No Forest, por exemplo, a equipe teve apenas 41% de posse média na última temporada, a terceira mais baixa da liga. A ideia é sentar o bloco mais atrás, reduzir os espaços do adversário e esperar o momento certo para acelerar. É uma abordagem que faz sentido para um elenco que tem dificuldade em construir desde trás sob pressão.
Como Nuno arma seus times
Muita gente lembra do esquema com cinco defensores que ele usava no Wolves. Mas no Forest, Nuno mostrou que não é engessado. A formação inicial mais comum era o 4-2-3-1, que se transformava num 4-2-4 para pressionar alto, ou num bloco bem baixo quando precisava se proteger. Quando estava ganhando, não hesitava em colocar um zagueiro extra – como o brasileiro Morato – para formar uma linha de cinco.
Essa flexibilidade deu resultados: o Forest não perdeu nenhum ponto nas partidas em que Morato entrou para fechar a defesa. Por outro lado, o time sofria mais nos minutos finais – foram 12 gols sofridos nos últimos 15 minutos de jogos na temporada passada. É um alerta para o West Ham: a consistência defensiva até o apito final precisa ser prioridade.
Transição rápida: a marca registrada
Se há uma coisa que define o estilo de Nuno, é a transição veloz. No Forest, a bola era lançada direto para o centroavante Chris Wood, que fazia o pivô para os meias – especialmente Morgan Gibbs-White – pegarem o rebote. Outra alternativa era explorar os corredores laterais, sobrecarregando os flancos.
O objetivo era sempre o mesmo: levar a bola para frente com rapidez. Não por acaso, o Forest foi o time mais direto da liga na última temporada, avançando o jogo a uma velocidade média de 2,04 metros por segundo. Para um West Ham que brilha nos contra-ataques, esse estilo pode encaixar como uma luva.
O que esperar no West Ham
Tudo indica que Nuno vai aproveitar as virtudes do elenco atual. Jogadores como Jarrod Bowen, Lucas Paquetá e Crysencio Summerville podem se beneficiar muito dessa abordagem de transição. Se quiser reforçar a defesa desde o início, ele pode começar com um esquema de cinco atrás, mas o 4-2-3-1 é a base mais provável.
Outro ponto importante é que, embora tenha um sistema preferido, Nuno adapta as funções dos atletas às suas características. Ele fez isso com seus pontas no Forest, mudando o comportamento dependendo de quem jogava. Isso deve se repetir no West Ham, potencializando jogadores como o lateral Diouf, que pode ser usado como válvula de escape no ataque.
Mais do que tática: o fator humano
Nem só de esquemas vive um time. Um dos problemas relatados na era Potter foi o clima pesado no vestiário, com atritos com jogadores importantes como Fullkrug, Edson Álvarez e Todibo. Já Nuno é lembrado com carinho pelos atletas que trabalhou com ele. Conor Coady, ex-capitão do Wolves, disse recentemente: “O West Ham tem um treinador incrível. Ele sabe trabalhar com os jogadores e tirá-los do melhor”.
Esse lado humano pode ser decisivo para reerguer o West Ham. Em um elenco que já mostrou qualidade, mas precisa de confiança e direção, ter um técnico que não se deixa levar por altos e baixos e que mantém um discurso equilibrado é um trunfo.
Conclusão: casamento certo?
Nuno Espírito Santo chega com um pacote que parece feito sob medida para os Hammers: um sistema de jogo que explora transições rápidas, dá segurança defensiva e evita forçar um estilo que não combina com os jogadores. Além disso, traz um histórico de melhorar grupos em crise e uma reputação de bom gestor de elenco.
É claro que nada é garantido. A Premier League é implacável, e salvar um time em 19º lugar exige resultados imediatos. Mas, olhando para o que ele fez no Forest e no Wolves, há motivos para o torcedor do West Ham ter esperança. Se o casamento entre estilo e elenco der certo, Nuno pode ser o homem que vai tirar os Hammers do buraco – e quem sabe até recolocá-los no caminho do sucesso.