Uma das esperanças de gol da Espanha nessa Copa do Mundo, Ferrán Torres vive uma fase para esquecer no torneio. Sem marcar nenhum gol pela La Roja no Mundial, o atacante do Barcelona está em um período que contradiz sua fase no clube, do qual teve sua temporada mais artilheira.
A Espanha venceu dois de seus três compromissos na fase de grupos da Copa. Triunfos sobre a Arábia Saudita e Uruguai (vitória mais recente) e o tropeço histórico contra Cabo Verde. Porém, uma cena que chamou a atenção, curiosamente, foi na vitória sobre os sauditas.
Quando a partida já estava 4 a 0 para os espanhóis, Ferrán Torres marcou o quinto. Contudo, enquanto rolava a costumeira análise do VAR, o atacante demonstrou certo desespero e, na leitura labial, foi flagrado que ele disse palavras como “por favor, que seja validado”. A reação foi de frustração e resumiu bem a fase do camisa 7 da Espanha.
Mas, afinal de contas, o que aconteceu com Ferrán Torres?
A fase mais artilheira na última temporada

Desde que se transferiu para o Barcelona na temporada 2021/22, o atacante jamais tinha passado dos 20 gols. Na última jornada dos blaugranas, Ferrán Torres se superou e anotou 21 tentos — sendo 16 deles por La Liga.
Foram 33 aparições pelo Barça no campeonato, correspondendo a uma média aproximada de 1 gol a cada 2 jogos. É uma estatística notável, mas que não condiz com o desempenho na seleção espanhola.
Na campanha do último título espanhol do Barcelona, Ferrán Torres foi fundamental. Foi ele quem fez um hat-trick contra o Real Betis, em La Cartuja; foi dos pés dele que saíram três assistências no ‘El Clásico’, vencido pelos catalães por 4 a 3; e fora os dobletes contra Getafe, Athletic Club e Espanyol. Em suma, não dá para descartar sua importância na conquista blaugrana.
Os números podem ser frios, mas também é uma ciência exata que tem seu valor nessas horas. Para todos os efeitos, não faz tanto tempo que a torcida culé usava memes para definir Ferrán Torres como uma solução emergencial de Hansi Flick.
Na Espanha não é uma unanimidade

Antes de qualquer argumentação, é necessário pontuar: Ferrán Torres nunca foi um titular incontestável na Espanha. Revelado nas categorias de base do Valencia, o atleta fez sua estreia na seleção em setembro de 2020, quando ela estava sob o comando de Luis Enrique.
O técnico certamente sabia o que estava fazendo. Atual bicampeão consecutivo da Champions League, Luis Enrique tem um histórico de dar chances a jovens promessas e potencializá-las. Foi assim que um jovem de 20 anos, recém-transferido para o Manchester City, surgiu em La Roja.
Na seleção de Enrique, ele tinha projeção. Para além disso, ele teve a oportunidade de ser treinado por outro comandante espanhol, conhecido pelo estilo de jogo associativo: Pep Guardiola.
Não chegou a ser titular com o também ex-técnico do Barcelona, mas nunca deixou de receber os ensinamentos de um dos gênios do futebol.
Sob as orientações desses ícones, o resultado está à mostra: 60 jogos e 24 gols pela Espanha. No currículo, estão duas disputas de Copa do Mundo (2022 e 2026) e Eurocopa (2020/21 e 2024) — sendo que, em 2024, bradou junto dos companheiros o título de campeão europeu por La Roja.
Só que não adianta bagagem sem um desempenho convincente — até mesmo sequência de jogos. Não importa quem estivesse no comando de ataque, Álvaro Morata, Mikel Oyarzábal ou Joselu, o reserva quase sempre seria Ferrán Torres.
Não teve destaque. Mas seguiu sendo convocado. O desempenho por clube pode até encantar, mas nada que fosse se consolidar representando o país em uma competição de elite.
Os outros contribuíam e continuam. Oyarzábal fez gol do título europeu em Berlim; Morata tornou-se o quarto maior artilheiro da seleção. Fora Lamine Yamal e Nico Williams, expoentes de uma nova geração que empolga, já que a anterior — justamente a de Ferran — teve poucos que se estabeleceram como craques, de fato.
Seria tão triste alguém que foi considerado uma joia perder-se numa sequência de lances de gols perdidos — algo que não poderia resumir sua carreira toda. Contra o Uruguai, mais munição foi dada aos críticos. Frente a frente com Sergio Rochet, Ferran Torres mandou na trave, o que é, até então, um bom resumo do que está sendo pela Espanha.
Espanha na Copa do Mundo
A Espanha aguarda seu adversário na segunda fase da Copa do Mundo. A definição ocorre hoje, no confronto entre Argélia e Áustria, disputado às 23h (horário de Brasília). Quem vencer fica com a segunda colocação do grupo J e pegará a seleção espanhola na próxima etapa.
O confronto entre La Roja e o segundo lugar do grupo J ocorre no dia 2 de julho (quinta-feira), às 16h (horário de Brasília). A partida será realizada no SoFi Stadium, na cidade de Inglewood (EUA).
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