Éderson, Seleção Brasileira, Copa do Mundo
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Éderson convocado é sinal de 3 homens no meio-campo; o que o meia traz para o Brasil?

Tudo parecia normal para Éderson, até o chamado que mudaria de vez sua vida. Convocado por Carlo Ancelotti para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo após o corte do lateral-direito Wesley, lesionado em amistoso contra o Egito, o meia destaque da Atalanta e praticamente contratado pelo Manchester United chega com a responsabilidade de povoar o meio de campo e responder à seguinte questão: o que ele traz para o time?

Sendo a 16ª troca realizada pelos brasileiros em um elenco de seleção para um Mundial, Éderson tem apenas três jogos oficiais pelo Brasil e esteve na primeira lista convocada por Ancelotti na Data Fifa, em maio de 2025. No entanto, não atuou, e só recebeu oportunidades nas duas anteriores, quando foi chamado por Dorival Júnior, em 2024. Sua convocação para o lugar de um defensor é tida como curiosa e indica que o italiano esteja disposto a construir um novo padrão para seguir ao longo do torneio de tiro curto, explorando o melhor de seu novo convocado.

De início, a lesão de Wesley gerou muita especulação sobre quem iria assumir a titularidade da lateral-direita. E a decisão de Carlo Ancelotti em chamar um volante em vez de outro lateral de ofício surpreendeu muita gente, demonstrando que o treinador deve focar na construção de um time a partir do centro de campo com três homens.

O que Éderson traz para a seleção brasileira?

Apostando na experiência de Danilo para repor a baixa na lateral, e contando com a cobertura de zagueiros rápidos e flexíveis como Marquinhos e Ibañez para o setor direito, o Brasil deve adotar uma saída de bola desequilibrada. Os testes recentes de Ancelotti por uma formação ideal alinhou dois volantes, mas a chegada de Éderson pode ser a peça que faltava no xadrez para transformar a dupla em trio, protegendo a defesa.

Contra o Panamá, o Brasil jogou em um 4-2-3-1 expondo um meio-campo com Casemiro e Bruno Guimarães na base e Raphinha centralizado. Diante do Egito, o 4-4-2 alinhou novamente Casemiro e Bruno, e pôs Lucas Paquetá e Raphinha abertos. Com dois volantes em ambos os cenários, Éderson deve chegar para o grupo definitivo na Copa para ser o terceiro homem que Ancelotti deve lançar no esquema e entregar uma rotação totalmente europeia.

Treinado na intensidade da Atalanta e prestes a se juntar ao United, Éderson é a definição do volante moderno: incansável na pressão alta, forte nos duelos individuais e na transição ofensiva. A liberdade empreendida pelo jogador a partir da caça aos adversários e do fechamento do espaço na meia-direita deve deixar Bruno Guimarães mais livre da marcação.

Além disso, enquanto Casemiro e Fabinho oferecem experiência e imposição posicional, e Danilo Santos traz a juventude vibrante quando sai do banco de reservas, Éderson pode somar num possível 4-3-3 como um quebrador de linhas, principalmente pelo lado direito. O Brasil pode ganhar terreno sem perder a qualidade de passe na saída de bola. Os pontas e o homens de frente também podem ser beneficiados com a desobrigação de recompor rapidamente, garantindo que a seleção afunile os adversários no meio de campo.

A aposta em Éderson deixa claro que Carlo Ancelotti diagnosticou o que faltava ao Brasil nas últimas eliminações em Copas do Mundo: imposição e fôlego no setor central contra as grandes seleções da Europa. Numa competição de tiro curto, com oito jogos possíveis, e cinco deles sendo mata-mata, as partidas são frequentemente definidas no detalhe físico e na capacidade de “sofrer” sem a bola. Para isso, o ataque verde e amarelo vai precisar do apoio de um verdadeiro “futebol combativo” no meio e na defesa.

Ao perder um lateral multifacetado e substituí-lo por um volante com a gana de um “gladiador”, Ancelotti avisa que a seleção está pronta para aliar a firmeza do seu ataque à frieza e intensidade do futebol moderno, como nos tempos de Real Madrid. O recado está dado.

Foto: Getty Images