O CEO da Olympic Broadcasting Services (OBS), empresa que gere as imagens dos Jogos Olímpicos que são exibidas para emissoras de todo o mundo, afirmou que há uma rigorosa política anti-sexismo na geração das imagens e na transmissão em si.
É bom salientar que há uma paridade de gêneros pela primeira vez na história olímpica, nesta edição em terras parisienses. Segundo Yiannis Exarchos, houve todo um trabalho para definir as diretrizes para quem irá operar as câmeras, reafirmando o necessário término de “estereótipos e sexismo”, filmando todos os atletas de maneira igualitária.
– Infelizmente, em alguns eventos, elas (as mulheres) ainda estão sendo filmadas de uma forma que você pode identificar que estereótipos e sexismo permanecem, mesmo pela forma como alguns operadores de câmera estão enquadrando atletas homens e mulheres de forma diferente. Atletas mulheres não estão lá porque são mais atraentes ou sensuais ou o que quer que seja. Elas estão lá porque são atletas de elite.
O executivo da geradora de imagens afirma que os ocorridos passam pelo “viés inconsciente” tanto de operadores de câmeras, como de diretores de imagens em mostrar mais frames de atletas femininas, do que atletas masculinos. Em esportes como ginástica, vôlei e vôlei de praia, que deixam os corpos mais expostos, o ocorrido era uma constante.
A diretora de Desenvolvimento Corporativo e Sustentável do Comitê Olímpico Internacional, Marie Sallois, afirma que as Olimpíadas são “de fato a maior plataforma do mundo para promover a igualdade de gênero no esporte e por meio dele”.
Comentarista demitido por ato de sexismo
O jornalista Bob Wallard, da EuroSport, chegou a perder seu emprego por conduta sexista na transmissão das Olimpíadas de Paris, sobre a equipe de natação da Austrália, medalhista de ouro no revezamento 4x100m livre feminino no sábado (27), comparando a um ato costumeiramente feminino: se maquiar.
Sem que houvesse deixa pra isso, o comentarista da emissora esportiva da Warner afirmou que as australianas estavam demorando para subir ao pódio pois “estavam terminando (de se arrumar)”, que as mulheres “andam por aí” e “se maquiam”, enquanto a equipe se dirigia ao Centro Aquático de Paris.
Em sua conta no X, Bob se retratou do ocorrido, afirmando ser “um grande defensor do esporte feminino”, e que sentirá muita falta da equipe da emissora. Paralelo à isso, ele pediu para que a nadadora Lizzie Simmonds, sua colega de transmissão, não fosse apontada como a culpada pela demissão.
“Os comentários que fiz durante a cerimônia de vitória do revezamento estilo livre australiano no sábado causaram alguma ofensa. Nunca foi minha intenção chatear ou menosprezar ninguém e, se o fiz, peço desculpas. Sou um grande defensor do esporte feminino. Sentirei muita falta da equipe da EuroSport e desejo a eles tudo de bom para o resto das Olimpíadas.” declarou Wallard.
(Foto: Divulgação/COI)