Na última terça-feira (07), Michael Olise fez uma partida ‘infernal’ contra o Real Madrid, fora de casa. O francês foi o motivo das dores de cabeças dos Merengues, algo ficou ilustrado após o segundo gol do Bayern de Munique. A imagem de Álvaro Carreras com os braços abertos, pedindo ajuda aos companheiros, resumiu bem o que foi o jogo no Santiago Bernabéu. Isso porque o lateral não conseguiu dar conta da melhor contratação da Bundesliga na década e o melhor assistente, até então, da temporada europeia de 2026.
Vinícius Júnior pouco recompunha, Aurélien Tchouaméni já estava sobrecarregado no meio, e Carreras ficou exposto diante de um dos jogadores mais decisivos do momento. Foi o cenário perfeito para o Bayern assumir o controle da partida.
Quem leu isso rapidamente foi Joshua Kimmich. O meio-campista encontrou um caminho claro: acionar Olise repetidamente. Foram 17 passes na direção do ponta, que explorou o setor com liberdade e agressividade.
O melhor em campo entre os jogadores de linha!
Se Manuel Neuer terminou eleito o melhor em campo pela UEFA, com nove defesas diante das tentativas de Vini Jr. e Kylian Mbappé, foi Olise quem ditou o ritmo e mudou o jogo.
Aos 24 anos, o ex-Crystal Palace vive afirmação em alto nível. Contra o Madrid, deu mais uma assistência — a sexta na Champions League — e se consolidou como um dos jogadores mais produtivos da competição. Já havia sido decisivo contra a Atalanta na fase anterior, atuação que levou o ex-jogador alemão e comentarista Christopher Kramer a classificá-lo como a melhor contratação da Bundesliga na última década.
Enquanto o foco pré-jogo estava no ataque do Real Madrid, o que se viu em campo foi um Bayern mais coletivo, mais intenso — e, principalmente, mais perigoso. Harry Kane e Luis Díaz marcaram, com participação direta de Serge Gnabry e Olise.
Michael Olise é o melhor assistente na temporada europeia
Os números ajudam a explicar: os três jogadores mais participativos em gols nas principais ligas europeias (sem contar pênaltis) atuam pelo Bayern — com Olise liderando esse ranking.
No Bernabéu, ele foi o protagonista absoluto. Jogou com personalidade, abusou de passes sem olhar, conduziu com leveza e tomou decisões sempre com precisão. Um jogador que fala pouco fora de campo — como já demonstrava nos tempos de Premier League —, mas que se expressa com clareza quando a bola rola.
Até Arda Güler sentiu. Em determinado momento, chegou a se irritar com a superioridade do adversário. E não era só estética: Olise também recompunha, ocupava espaços e ajudava sem a bola.
Para Vincent Kompany, isso não é por acaso:
“O que o diferencia é a mentalidade. Ele é perfeccionista, extremamente exigente. Muitas vezes vejo nele o Kevin.”
A comparação com Kevin De Bruyne não é gratuita. Olise combina técnica, visão e execução com os dois pés — características raras. Com esse nível de atuação, rumores de mercado naturalmente surgem, inclusive com o Liverpool. Mas, internamente, o Bayern não cogita abrir mão do jogador — postura que tem o aval de Uli Hoeneß.
O ex-jogador e ex-presidente do clube bávaro foi direto:
Não há negociação possível que compense a perda. Afinal, o clube sabe que tem nas mãos um jogador capaz de decidir títulos. E talvez já nesta Champions.
Michael Olise e o jogo da volta na Allianz Arena
O confronto ainda está aberto. Mbappé e Vinícius seguem sendo ameaças reais para o jogo de volta em Munique. Mas, no Bernabéu, ficou claro: talento individual decide, mas organização, intensidade e execução coletiva fazem a diferença. E ninguém simbolizou isso melhor do que Michael Olise.
Créditos da foto de capa: Divulgação/FC Bayern