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Oliver Glasner anuncia saída do Crystal Palace e encerra era histórica em Selhurst Park

Oliver Glasner decidiu colocar um ponto final em sua passagem pelo Crystal Palace e confirmou que deixará o clube ao fim da temporada, quando seu contrato se encerra. A revelação, feita em coletiva antes do duelo contra o Sunderland, encerra meses de especulação e marca o fim de uma das eras mais bem-sucedidas da história recente do clube londrino.

Nem sempre uma despedida vem com drama, porta batendo ou clima de guerra. Às vezes, ela chega com franqueza, discurso sereno e um “ciclo encerrado” dito olhando no olho. Foi exatamente assim que Oliver Glasner explicou sua decisão de buscar um “novo desafio” após quase dois anos em Selhurst Park. É claro que se ele estivesse feliz, não sairia, mas no caso, soube agir com respeito a instituição.

O treinador austríaco revelou que não renovará seu contrato, que se encerra ao fim do atual campeonato. Segundo ele, a decisão foi tomada ainda em outubro, após uma longa conversa com o dono do clube, Steve Parish. Nada de surpresa interna, só para o público mesmo.

Uma decisão antiga, mas guardada a sete chaves

Glasner explicou que o acordo com Parish era manter tudo em sigilo até que o momento fosse mais apropriado. O Palace enfrentava um calendário pesado, decisões importantes e, claro, o clássico risco de qualquer anúncio virar distração no meio da temporada. Essa campanha separou um pouco o joio do trigo, pelo simples fato de terem chegado com o pé na porta em 2024/25, hoje, já viveram problemas dentro das quatro linhas.

“Eu já tinha decidido. Contei ao Steve em outubro que não assinaria um novo contrato. Concordamos que o melhor para o clube era manter isso confidencial por um tempo”, explicou Oliver Glasner.

Segundo ele, o anúncio agora tem um objetivo claro: trazer clareza. Para jogadores, comissão técnica e torcedores. E, quem sabe, ajudar a virar a chave em um momento delicado dentro de campo, pelo fato do conto de fadas ter chego ao fim.

De conto de fadas a turbulência

É impossível falar da saída de Oliver Glasner sem lembrar do que ele construiu em 2024/25, quando tinha Olise e Eze junto do grupo atual. O austríaco levou o Crystal Palace a um título histórico da FA Cup, algo que parecia roteiro de filme para um clube acostumado a flertar mais com a sobrevivência do que com troféus. De quebra, colocou o time em competições europeias pela segunda vez em sua história.

Estariam na Europa League, se não fosse por um erro dos empresários que geram o clube, mas esse caso, pode ser deixado pra outra hora.

O problema dessa grande fase de Oliver Glasner com o Crystal Palace? O “depois”.

Glasner nunca escondeu sua frustração com o mercado de transferências do último verão europeu. Para ele, o clube não conseguiu dar o passo seguinte após a conquista histórica. O elenco não evoluiu como esperado, e a temporada atual virou uma montanha-russa que agora pende mais para a descida. Um ponto que o austríaco até falou abertamente, foi sobre a falta de movimentações no mercado.

Importantes jogadores saíram dos Eagles, e os reforços não apareceram. Rendendo no final das contas, a queda de nível na temporada, lembrando que uma competição europeia surgiu no calendário, dificultando ainda mais a situação de Oliver Glasner sair com um resultado positivo, ou uma campanha sólida.

O Palace não vence há nove jogos em todas as competições. Saiu do G4 da Premier League para o 13º lugar em poucas semanas e viu o clima de empolgação virar apreensão. Sem esquecer de uma eliminação precoce para um time que se encontra fora das quatro primeiras divisões da Inglaterra, exatamente na competição onde foi campeão em 2024/25, a FA Cup.

Capitão de saída, Oliver Glasner também

Como se não bastasse, o anúncio de Oliver Glasner veio logo após a confirmação de que Marc Guéhi está muito próximo de deixar o clube, rumo ao Manchester City. Capitão, líder técnico e símbolo do time, o zagueiro deve render cerca de £20 milhões aos cofres do Palace.

Na mesma coletiva, Glasner praticamente confirmou o que o torcedor mais temia: o rosto do time e o cérebro do projeto estão de malas prontas. Isso tudo, depois do austríaco ter brecado a saída do inglês antes do começo da temporada, quando o Liverpool tentava mover montanhas para reforçar o seu sistema defensivo.

É o tipo de notícia que faz qualquer torcedor respirar fundo e olhar para o futuro com desconfiança.

Oliver Glasner foi cuidadoso ao explicar sua decisão. Fez questão de frisar que não tem relação com a janela de janeiro, nem com contratações ou saídas recentes (esse ponto é difícil de acreditar, mas vamos lá…). Também garantiu que não conversou com nenhum outro clube até agora, mesmo depois de ter seu destino vinculado ao Manchester United, em inúmeras oportunidades em que Ruben Amorim tremeu no comando dos Diabos Vermelhos.

“Eu só quero um novo desafio. Nada mais. Tenho uma ótima relação com o Steve, sempre pensamos no que é melhor para o Crystal Palace”, afirmou o treinador.

Mesmo com a saída encaminhada, o discurso segue profissional até o último parágrafo: Glasner prometeu entregar a melhor temporada possível, lutar por outro troféu e deixar o clube em boas condições para o próximo ciclo.

Foto: Getty Images